Tudo sobre: Acidente por picada de escorpião - Escorpionismo

Introdução

Os escorpiões são artrópodes distribuídos por todos os continentes, exceto a Antártida, com maior concentração em regiões subtropicais e tropicais. Fazem parte do grupo de animais classificados como peçonhentos, pois possuem uma estrutura (ferrão) para inoculação do veneno.

As principais espécies de escorpiões encontrados no Brasil são Tityus serrulatus, presente nos Estados de Minas Gerais, Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo; Tityus bahiensis, encontrados da Bahia até Santa Catarina e no Mato Grosso do Sul; Tityus stigmurus e Tityus cambridgei, descritos nas regiões Norte e Nordeste. 

O Tityus serrulatus é a espécie mais importante no Brasil. Conhecido como “escorpião amarelo”, ele possui corpo, cauda e patas amarelos, tem hábitos noturnos, é pouco agressivo e ataca apenas para se defender, quando se sente ameaçado. 

A composição do veneno dos escorpiões varia entre as espécies, assim como entre os indivíduos e região geográfica, de acordo com as condições ambientais e alimentação.

O acidente por picada de escorpião pode ocorrer em qualquer animal, raça, gênero e idade.

Transmissão

-Não se aplica 

Manifestações clínicas

Os sinais clínicos variam de acordo com o neurotransmissor liberado em maior quantidade na fenda sináptica decorrente da excitação da membrana causada pela neurotoxina (acetilcolina ou adrenalina).

Manifestações isoladas ou em conjunto:

- Dor intensa

- Ataxia 

- Claudicação

- Suspensão do membro

- Dificuldade ao deitar

- Ataxia

- Prostração 

- Letargia

- Distensão abdominal

- Dor abdominal

- Sialorreia

- Náusea

- Êmese

- Diarreia 

- Hemorragia gastrointestinal

- Espirros

- Rinorreia

- Epífora

- Anisocoria

- Midríase ou miose

- Nistagmo

- Sudorese

- Polidipsia

- Piloereção

- Prurido 

- Petéquias

- Equimose

- Púrpura

- Eritema

- Necrose

- Agitação 

- Hiperatividade

- Agressividade

- Desorientação

- Vocalização

- Fasciculação na musculatura esquelética

- Mioclonias

- Distonia

- Convulsões

- Priapismo 

- Hipertensão arterial

- Taquicardia e bradicardia alternadas

- Arritmia ventricular

- Bloqueio atrioventricular

- Insuficiência cardíaca congestiva

- Cianose

- Dispneia 

- Edema pulmonar

Diagnóstico

Associação entre anamnese, sintomatologia e exames físico e complementares. 

Exames que o(a) Médico(a) Veterinário(a) pode solicitar/ realizar:

- Hemograma completo

- AST -TGO

- ALT - TGP

- Dosagem de eletrólitos

- Ureia

- Creatinina

- Creatinfosfoquinasa isoenzima MB (CPK-MB)

- Troponina I cardíaca (cTnI)

- ELISA (detectar antígenos)

- Radiografia torácica

- Ultrassonografia abdominal

- Ecocardiograma

A visualização do escorpião pelo(a) tutor do animal auxilia muito no diagnóstico, entretanto, isso nem sempre acontece. 

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a).

Tratamento

O soro antiescorpiônico não é disponível para medicina veterinária. Assim, o tratamento recomendado visa aliviar os sinais clínicos e dar suporte ao paciente com analgesico, diurético, antiemético, anticonvulsivante (em casos neurológicos), oxigenoterapia e fluidoterapia (com cuidado porque o animal tem a tendência para desenvolver edema pulmonar nesses casos).

Prevenção

Evitar acúmulo de lixo, entulho, matéria orgânica, pilhas de tijolos, madeira e/ ou telhas, uma vez que escorpiões se adaptam bem a esses meios. Recomenda-se também vedar frestas, tampar ralos, realizar limpeza periódica de terrenos baldios, jardins e quintais e eliminar baratas (alimento dos escorpiões). 

Referências Bibliográficas

ANIMAIS PEÇONHENTOS. CRMV-MG. Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia, FEPMVZ, n. 75, 2014.

BRITES-NETO, J. Aspectos clínicos e terapêuticos do envenenamento por escorpiões em cães e gatos. Revista de Ciência Veterinária e Saúde Pública, v.6, n. 2, p.442-471, 2019.

RIBEIRO, E. L. Avaliação clínica e laboratorial de cães submetidos ao envenenamento por Tityus serrulatus. Dissertação (Mestrado em Ciência Animal) - Escola de Veterinária, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2008. 

RIBOLDI, E. O. Intoxicação em pequenos animais: uma revisão. Monografia (Graduação em Medicina Veterinária) - Faculdade de Veterinária, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2010.

Recomendamos levar o seu pet a um médico veterinário para um diagnóstico preciso