Tudo sobre: Alopecia Simétrica Bilateral Felina

Introdução

Alopecia Simétrica Bilateral Felina é uma manifestação clínica que se define pela perda de pelos em ambos os lados de forma simétrica, sem ligação com processos inflamatórios na pele. Essa alopecia de dá pelo auto-traumatismo advindo da lambedura excessiva do animal. 

Ela está presente em diversas patologias como:

- Dermatite Alérgica à Picada de Pulgas (DAPP): dermatite mais comum em gatos e ocorre devido a uma hipersensibilidade induzida por antígenos (substância estranha ao organismo) presentes na saliva da pulga. 

- Reação Adversa ao Alimento (RAA): pouco frequente em felinos, caracterizada por hipersensibilidade alimentar (alergia) ou intolerância alimentar.

- Dermatite Atópica (DA): advém da hipersensibilidade imediata a antígenos presentes no ambiente.

- Dermatofitose: infecção por fungos dermatófitos, é de grande importância, por ser uma dermatopatia comumente encontrada e altamente transmissível, além de ter caráter zoonótico (transmissível aos seres humanos).

-Alopecia Psicogência: ocorre devido à ansiedade de cunho nervoso, solidão, falta de atenção e hiperatividade, levando a lambedura excessiva, crônica e estereotipada, resultando regiões sem pelos.

Há relatos de envolvimento familiar, podendo haver relação genética e não há predisposição racial, de gênero ou idade (variando de dois a 12 anos), entretanto, há maior número de casos em gatos jovens. 

As regiões do corpo comumente acometidas são abdômen ventral, região inguinal, períneo, zona lombossacral e coxas na porção interna e posterior, entretanto, pode acometer qualquer local que o animal consiga lamber

Transmissão

-Não se aplica

Manifestações clínicas

Os sinais clínicos podem estar isolados ou em conjunto:

- Pele normal

- Pelos remanescentes rígidos e curtos

- Presença de prurido ou não

Diagnóstico

Associação entre história clínica, exames físicos e laboratoriais.

Exames que o(a) Médico(a) Veterinário(a) pode pedir:

- Tricograma

- Lâmpada de Wood

- Cultura fúngica

-Testes alergológicos - intradérmicos ou sorológicos (por serem de difícil interpretação nos felinos, o diagnóstico pode se dar por medidas de exclusão como controle de pulgas ou dieta de eliminação); 

- Raspado de pele superficial e/ ou profundo;

- Citologia 

Devido a Alopecia Simétrica Bilateral ser uma manifestação clínica de diferentes diagnósticos, a abordagem sistêmica pelo(a) Médico(a) Veterinário(a) é de grande importância para o diagnóstico final. 

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a).

Tratamento

O tratamento é de acordo com o diagnóstico final encontrado. Podendo ser baseado em uso de medicamentos e shampoos para controle de ectoparasitas ou fungos. Mudanças nos hábitos alimentares, manejo e atitudes são indicados a fim de fornecer conforto e bem estar para os felino. Uso de medicamentos ansiolíticos pode ser recomendado caso o manejo não seja o suficiente, assim como a utilização de colar de contenção cervical. 

Prevenção

As medidas de controle e profilaxia podem evitar algumas causas que porventura levam às manifestações clínicas da Alopecia Simétrica Bilateral, como por exemplo, a utilização coleiras ou medicamentos antiparasitários nos pets, realizando a troca de acordo com a recomendação do fabricante. Além disso, recomenda-se o controle ambiental periódico de ectoparasitas. 

Recomenda-se evitar mudanças drásticas no ambiente que podem levar o animal a algum tipo de estresse. 

Recomenda-se adoção frequente de medidas higiênico-sanitárias do ambiente onde os animais ficam.

Referências Bibliográficas

COURINHA, Margarida, M. V. Avaliação do Tricograma como método de diagnóstico de prurido em gatos com lesões alopécicas. Dissertação (Mestrado em Medicina Veterinária) – Faculdade de Medicina Veterinária, Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias. Lisboa, 2016. 

PAIS, Rosa, M. M. Tricograma como método de estudo de alopecia em felinos. Dissertação (Mestrado em Medicina Veterinária) – Faculdade de Medicina Veterinária, Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias. Lisboa, 2013. 

SOUZA, Marlos Gonçalves et al. Uso da fluoxetina no tratamento da tricotilomania felina. Ciência Rural. Santa Maria, v.34, n.3, p.917-920, mai-jun, 2004.

VAL, Adriane, P. C. et al. Dermatologia em cães e gatos. Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia. Belo horizonte, n. 71, dez, 2013.

Recomendamos levar o seu pet a um médico veterinário para um diagnóstico preciso