Tudo sobre: Aminoacidúria

Introdução

Aminoacidúria é uma condição em que há uma quantidade excessiva de aminoácidos na urina. Aminoácidos são moléculas orgânicas compostas por grupos amino e carboxila, precursores de todas as proteínas orgânicas. Eles têm funções estruturais e metabólicas fundamentais para a manutenção e equilíbrio do organismo. 

Em um organismo saudável, os rins filtram os aminoácidos presentes na circulação e os túbulos renais os reabsorvem, devolvendo-os para o organismo. Cerca de 95% dos aminoácidos filtrados são reabsorvidos pelos túbulos e 5% eliminados na urina. Quando há um desequilíbrio no metabolismo dos aminoácidos ou nos túbulos renais, essa quantia aumenta significativamente.

Classificam-se dois tipos de aminoacidúria: 

-Primária: onde há uma anomalia genética que produz uma enzima defeituosa que prejudica o metabolismo dos aminoácidos;

-Secundária: quando há defeitos no transporte e na reabsorção dos aminoácidos (alterações nos túbulos renais, por exemplo). 

Podem ser de origem hereditária ou surgirem após alguns distúrbios do organismo. Em humanos já foi relacionada ao hiperparatireoidismo, mieloma múltiplo, osteomalácia, raquitismo e hepatite viral. Em animais foi descrita associada com a Síndrome de Fanconi e como resultado de lesões tubulares graves, associada a acidose tubular renal, insuficiência renal aguda e insuficiência renal crônica.

Existem poucos relatos em literatura nacional sobre essa condição em pequenos animais, talvez pela dificuldade no fechamento do diagnóstico, devido aos resultados dos exames associados às manifestações clínicas serem pouco específicos. 

Transmissão

- Hereditária (alguns casos)

Manifestações clínicas

Sinais inespecíficos (isolados ou em conjunto):

  • Poliúria
  • Polidipsia
  • Desidratação
  • Emagrecimento
  • Letargia
  • Hiporexia
  • Fraqueza
  • Artralgia

Diagnóstico

Associação de sinais clínicos, epidemiologia e exames complementares.

Exames que o(a) médico(a) veterinário(a) pode solicitar:

  • Urinálise simples
  • Urinálise com UPC
  • Hemograma completo
  • Ureia
  • Creatinina
  • Cálcio
  • Potássio
  • Fósforo
  • Sódio
  • Glicose
  • Cloro
  • Análise de sedimento
  • Análise de cálculo urinário
  • ALT- TGP
  • AST - TGO
  • Fosfatase Alcalina (FA)
  • Ultrassonografia abdominal
  • Radiografia abdominal

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a). 

Tratamento

Não existe tratamento específico para a aminoacidúria. Dessa forma, o objetivo da terapia é dar suporte ao organismo para recuperação da homeostase sanguínea e o equilíbrio ácido-base. Pode haver a necessidade de suplementação de vitaminas e minerais para melhor recuperação do paciente, além de ajuste na dieta com possível restrição da ingestão de proteína. 

Nos casos secundários a doenças pré-existentes ou intoxicações de qualquer origem, estas devem ser tratadas tão logo seja feito o diagnóstico.

Prevenção

Não há uma prevenção específica, principalmente se relacionada a uma doença hereditária. No entanto, recomenda-se ao(à) tutor(a) que, ao adquirir um animal de raça, sempre procure criadores idôneos e canis registrados, onde seja possível conhecer a linhagem genética do filhote. O controle sobre doenças genéticas e hereditárias dos reprodutores do plantel e um cuidadoso pré-natal das matrizes pode diminuir as chances de ninhadas com alguma doença prévia. Uma vez que o animal é diagnosticado com qualquer síndrome de origem genética, não deve ser usado para reprodução, recomendando-se a castração eletiva .

Além disso, é de responsabilidade do(a) tutor(a) estar ciente dos cuidados básicos para o bem-estar e saúde de seus animais. O acompanhamento periódico com o(a) médico(a) veterinário(a) garante que seu animal esteja amparado e facilita o diagnóstico precoce caso haja alguma enfermidade.

Jamais medique seu pet por conta própria, principalmente com medicamentos de uso humano, pois muitos são potencialmente tóxicos tanto para cães quanto para gatos. E como vimos, alguns medicamentos podem prejudicar seriamente o funcionamento dos rins, predispondo o aparecimento lesões tubulares. É importante também evitar expor os animais a situações extremas (muito frio ou muito calor) ou a produtos químicos (limpeza, automotivos, venenos).

Ao observar qualquer mudança de comportamento ou aparecimento de sinais clínicos, o(a) tutor(a) deve procurar atendimento médico o mais rápido possível. 

Referências Bibliográficas

BRAGATO, N. et al. Lesão tubular aguda em cães e gatos: fisiopatogenia e diagnóstico ultrassonográfico. ENCICLOPÉDIA BIOSFERA, Centro Científico Conhecer - Goiânia, v.11 n.22; p. 2015

PASSOS, M. C. C. Síndrome de Fanconi em cães. Dissertação (Mestrado) em Medicina Veterinária da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Técnica de Lisboa, Lisboa, 2009.

Recomendamos levar o seu pet a um médico veterinário para um diagnóstico preciso