Tudo sobre: Artrite

Introdução

Artrite corresponde a um processo inflamatório de uma ou mais articulações, podendo ser causada por diversos fatores. Quando o acometimento é de múltiplas articulações, utiliza-se o termo poliartrite. Artrose é um termo utilizado para designar outra classe de problemas articulares, que corresponde aos processos degenerativos das articulações, muitas vezes relacionados a um processo natural de desgaste pela idade, porém, as duas doenças estão intimamente correlacionadas e muitas vezes ambos os termos são utilizados como semelhantes, pois acontecem ao mesmo tempo. 

A inflamação articular causa alterações em todos os componentes de uma articulação: altera a composição do líquido sinovial, responsável pela lubrificação e absorção de impactos, entre outras funções; promove surgimento de osteófitos, que são os “bicos de papagaio”, nas bordas dos ossos; agride a superfície articular alterando o metabolismo das cartilagens que a compõem; enfraquece ligamentos intra-articulares; estimula fibrose da cápsula articular, que perde sua morfologia normal e funcional, e uma série de outras alterações a nível molecular e morfológico. Como consequência, há um prejuízo na mobilidade dos locais acometidos e dor. As artrites tendem a acometer predominantemente animais mais velhos, principalmente da espécie canina, mas podem surgir em qualquer momento da vida de acordo com sua origem, como aquelas causadas por traumas ou procedimentos cirúrgicos. A inflamação articular pode ser primária ou como consequência de outra doença, como na leishmaniose, erliquiose e outras afecções sistêmicas. Animais submetidos a exercícios físicos intensos são mais predispostos e tendem a apresentar os sinais clínicos mais cedo, assim como os cães e gatos obesos. 

A causa da artrite muitas vezes é utilizada para classificar a doença, que pode ser séptica (infecção por microrganismos), reumatóide (autoimune com fator genético), imunomediada (formação de complexos antígeno-anticorpo, como na leishmaniose) ou gotosa (formação de cristais de urato - conhecida como “gota”). Em ambas há um processo degenerativo simultâneo que acaba levando a alterações crônicas, que vai culminar na artrose ou doença articular degenerativa, com redução dos movimentos naturais da articulação acometida.

Transmissão

-Não se aplica

Manifestações clínicas

- Claudicação

- Dor

- Dificuldade em se movimentar

- Edema

- Apatia

- Hiporexia

- Pirexia

- Deformidades em membros

Diagnóstico

- Exame clínico associado ao histórico do paciente

- Radiografia

- Análise de líquido sinovial


Observação: A realização e a definição da necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a).

Tratamento

A terapia para todos os casos de artrite passa pelo controle da dor e inflamação, com utilização de analgésicos e anti-inflamatórios. A necessidade deste tratamento é recorrente principalmente nos casos onde há degeneração articular crônica associada, como em doenças ortopédicas tais como a displasia coxofemoral e ruptura ligamentar. Porém, o uso contínuo destas medicações gera efeitos colaterais e deve ser evitado. Para minimizar a terapia medicamentosa, recomenda-se utilização de protetores de cartilagem (condroitina e glucosamina, por exemplo), anti-inflamatórios naturais (ômega 3), controle de peso, restrição de exercícios e fisioterapia.

Nas artrites imunomediadas, ou seja, naquelas em que há presença de células de defesa do próprio organismo atacando estruturas articulares, há necessidade de imunossupressão. O controle da resposta imune pode ser feito com anti-inflamatórios esteroidais, os corticoides, ou outras classes de medicamentos como a ciclosporina e azatioprina. Esse tipo de artrite é de difícil controle e o manejo clínico gera diversos efeitos indesejáveis, principalmente a longo prazo, pois é um tratamento para toda a vida do paciente. Quando a ação do sistema imune é secundária a doenças sistêmicas como leishmaniose e erliquiose, o tratamento deve focar nestas afecções..

Artrites sépticas são tratadas de acordo com o agente causador, que majoritariamente são fungos ou bactérias. A escolha do antimicrobiano ou antifúngico deve ser baseada no resultados dos exames de cultura e antibiograma, evitando-se resistência a estes fármacos.

No caso da gota, o manejo tem o objetivo de eliminar os cristais de urato de sódio das articulações. Embora o diagnóstico desse tipo de artrite não seja comum em pequenos animais, o tratamento se baseia em cuidados individuais (alimentação com baixa proteína, restrição de exercícios), uso de anti-inflamatórios e medicações específicas para dissolução dos cristais, como a colchicina. 

Como opção para controlar definitivamente a dor e melhorar a qualidade de vida de pacientes, há tratamento cirúrgico que consiste na imobilização articular permanente pela utilização de implantes que neutralizam a articulação acometida em posição de apoio, permitindo uso funcional do membro. Este procedimento, chamado de artrodese, não é indicado nos casos de poliartrite.

Prevenção

Para prevenir os quadros de artrite, são necessários cuidados básicos como alimentação adequada, correto manejo de exercícios e controle de peso. Todos os pacientes portadores das causas de artrite com componente genético devem ser retirados da reprodução. Os animais devem receber cuidados específicos à medida que envelhecem como forma de prevenir quadros graves e muito debilitantes de artrite e, consequentemente, de artrose.

Referências Bibliográficas

Bennet, D. Artrites imunomediadas e infecciosas. In: Ettinger, J. e Feldman, E.C. Tratado de Medicina Interna Veterinária – doenças do cão e do gato. 2004. São Paulo: Guanabara. P.1958-1965.

Enberg, W.C. Pathophysiology and Management of Arthritis. Veterinary Clinics of North America: Small Animal Practice, v.35, n.2, p.1073-1091, 2005.

Nelson, R.W. e Couto, C,G. Medicina interna de pequenos animais. 2015. 5ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. 1468p.

Recomendamos levar o seu pet a um médico veterinário para um diagnóstico preciso