Tudo sobre: Avulsão do Plexo Braquial

Introdução

O plexo braquial é um conjunto de nervos motores e sensoriais, cuja origem se dá na medula espinhal e são responsáveis pela inervação do membro torácico (membros anteriores). Os nervos formadores deste plexo são: radial, mediano, ulnar, musculocutâneo, axilar e supraescapular.

A avulsão do plexo braquial é uma lesão causada geralmente por traumatismos envolvendo a tração do membro torácico. Essa tração gera forças longitudinais ao longo dos nervos, que os puxam e distendem, provocando lesões nas raízes nervosas, nos ramos ventrais e na própria extensão dos nervos. Os traumatismos mais frequentemente relacionados com essa lesão são atropelamentos, quedas ou pisaduras.

O animal perde a função do membro imediatamente após a lesão, perde a capacidade de estender o cotovelo ou sustentar o peso sobre o membro afetado, comumente arrastando o dorso da extremidade do membro no solo.

A avulsão pode ser parcial ou completa e o prognóstico muitas vezes está relacionado à sensibilidade dolorosa do animal no membro machucado, isso porque quanto maior a insensibilidade no local, maior a lesão nervosa e mais difícil a recuperação. Esse tipo de lesão, isolada, não representa risco de vida necessariamente, no entanto, pode acarretar a perda da função permanente do membro afetado.

Transmissão

- Não se aplica

Manifestações clínicas

Sinais inespecíficos (isolados ou em conjunto): 

- Claudicação

- Dor

- Paresia

- Paralisia

- Ulceração de pele

- Arreflexia

Diagnóstico

Associação de sinais clínicos, epidemiologia e exames laboratoriais.

Exames que o(a) médico(a) veterinário(a) pode solicitar:

- Radiografia 

- Ressonância Magnética

- Tomografia Computadorizada

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a). 

Tratamento

O tratamento será estabelecido de acordo com a gravidade da lesão e os sinais clínicos decorrentes. No protocolo mais conservador, o(a) clínico(a) pode recomendar o uso de talas para estabilizar o membro, o colar elizabetano para evitar automutilações, fisioterapia e eletroneuroestimulação dos nervos para reabilitação dos movimentos. O(a) clínico(a) pode indicar também o uso da medicina tradicional chinesa, por meio da acupuntura como reforço no processo de recuperação do paciente. O objetivo é acelerar o restabelecimento do animal e melhorar sua qualidade de vida.

Alguns casos também podem ser tratados com procedimentos cirúrgicos para correção da posição do membro. E nos casos mais graves, com perda total da sensibilidade no membro, atrofia muscular e alterações articulares, em que o tratamento conservador não apresentou a evolução desejada, a amputação pode ser recomendada.

A amputação é indicada quando há analgesia distal ao cotovelo (o animal não sente nada nessa região), automutilação e quadro inalterado por três semanas. Se houver melhora do paciente, ele deverá ser reavaliado a cada três semanas, prosseguindo-se com o tratamento conservador, o qual pode ser mantido indefinidamente se o membro não estiver sujeito a traumatismos e se o(a) tutor(a) estiver ciente e de acordo com a situação.

Prevenção

A principal prevenção para esta doença é mudança de manejo a fim de minimizar os riscos de acidentes – atropelamentos, quedas, pisaduras e agressões. Os animais, caninos ou felinos, não devem ter livre acesso à rua, pois o risco de atropelamentos é muito alto. Os cães devem sempre andar junto com o(a) tutor(a), devidamente contidos na coleira e guia para passeio.

As janelas das residências com felinos, principalmente os apartamentos em andares mais altos, devem possuir grades de proteção para prevenir as quedas. Deve-se evitar o acesso dos felinos aos telhados, muros e árvores pelo mesmo motivo.

Os animais não destinados à reprodução devem ser castrados, machos e fêmeas, assim que possível. A castração preventiva traz inúmeros benefícios ao animal, porque inibe alguns comportamentos sexuais que os estimula a fugir em busca de parceiros, brigar com outros animais pelo territórios, e auxilia no controle populacional, evitando que mais cães e gatos sejam abandonados à própria sorte nas ruas.

Um mito muito propagado que impede os(as) tutores(as) de realizarem a castração preventiva em seus animais é a crença na necessidade da cruza para plena satisfação e felicidade do cão ou gato. No entanto, essa ideia é completamente equivocada, pois a saúde mental e física dos animais não depende do contato sexual. Ou seja, exceto para animais cuja finalidade seja a reprodução (canis e criadores de raças registrados), a castração é a melhor opção.

Referências Bibliográficas

ARIAS, M. V. B.; STOPIGLIA, A. J. Avulsão do plexo braquial em cães – aspectos clínicos e neurológicos. Cienc. Rural vol.27 no.1 Santa Maria Jan./Mar. 1997

FREITAS, A. I. A. Regeneração espontânea da lesão do plexo braquial no gato: Relato de caso. PUBVET, Londrina, V. 4, N. 42, Ed. 147, Art. 990, 2010.

Recomendamos levar o seu pet a um médico veterinário para um diagnóstico preciso