Tudo sobre: Babesiose

Introdução

A babesiose é uma doença causada pela invasão intracelular de um protozoário denominado Babesia spp., responsável pela ruptura de glóbulo vermelhos (hemácias). É transmitido principalmente por carrapatos no momento da ingestão do sangue, através de saliva contaminada, e o vetor mais comum no Brasil é o carrapato vermelho, de nome científico Rhipicephalus sanguineus. 

A ocorrência deste pretório é muito frequente em países tropicais e subtropicais - já que é um clima promissor para o vetor. Carrapatos possuem predileção por locais úmidos e quentes, especialmente cantos e frestas.

É uma doença de ampla distribuição, podendo acometer espécies domésticas, silvestres e os seres humanos. No Brasil, sua incidência é ainda maior, uma vez que apresenta condições ambientais favoráveis à proliferação do vetor e do protozoário durante todo o ano.

Afeta principalmente cães jovens, entre três e seis meses, por serem mais susceptíveis. Alguns animais são assintomáticos, outros apresentam sintomatologia de leve a intensa, e essa variação decorre devido à imunidade do indivíduo, da carga infectante e da espécie de babesia envolvida. Cães assintomáticos e não tratados podem manter o protozoário por longos períodos no organismo, servindo como fonte de infecção para outros animais. 

Os felinos domésticos são menos acometidos por esses agentes infecciosos, uma vez que são menos predispostos ao parasitismo por carrapato.

Transmissão

- Picada de artrópode - transmitida através da saliva do carrapato 

- Transfusão sanguínea - sangue de animal infectado

Manifestações clínicas

As manifestações clínicas têm frequência variável, de acordo com a forma apresentada (superaguda, aguda, crônica ou assintomática).

- Anorexia ou Hiporexia

- Apatia

- Pirexia

- Icterícia ou mucosas hipocoradas

- Paralisia

- Ataxia

- Diarreia

- Êmese

- Petéquias

- Emagrecimento

- Fraqueza

- Edema

- Taquipneia

- Taquicardia

- Síndrome da angústia respiratória aguda

- Insuficiência renal aguda

- Hepatopatia

- Choque

- Resposta inflamatória sistêmica

- Estomatite ulcerativa

- Convulsão

*Hepatomegalia e esplenomegalia (aumento do fígado e baço, respectivamente) geralmente são evidenciadas devido a congestão desses órgãos

Diagnóstico

Anamnese e exame físico detalhado associados a exames complementares que o(a) médico(a) veterinário(a) pode solicitar: 

- Hemograma 

- Esfregaço sanguíneo

- Urinálise

- ALT - TGP

- Fosfatase alcalina (FA)

- GGT

- Bilirrubina

- Proteína total e frações 

- Creatinina

- Ureia para avaliação renal

- Hemogasometria 

- ELISA (ensaio de imunoabsorção enzimática)

- RIFI (Reação de imunofluorescência indireta)

- PCR (Reação em cadeia polimerase)

- Ultrassonografia abdominal 

*Deve-se fazer o diagnóstico diferencial de outras doenças, como anemia hemolítica imunomediada e trombocitopenia imunomediada.

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a).

Tratamento

O tratamento é fundamentalmente medicamentoso e de suporte, o resultado varia de acordo com a imunidade do animal.

A primeira medida a ser prescrita é o fornecimento de antiparasitários, o de maior eleição possui efeitos colaterais denominados colinérgicos, que consistem em manifestações como bradicardia, salivação e apatia, por isso, faz-se necessário a aplicação prévia (cerca de 15 minutos antes) de atropina.

Alguns profissionais, em casos mais graves, optam pela associação com antibióticos visando impedir infecções bacterianas secundárias à imunossupressão gerada pela doença.

Em casos de anemia ou de hipovolemia muitas vezes é necessária abordagem mais invasiva, com realização de transfusão sanguínea e fluidoterapia, visando mais do que hidratar o animal, recuperar o volume circulante e corrigir desequilíbrios de eletrólitos.

Além dessas abordagens, pode-se ainda ser realizada terapia com corticóides e esteróides, além de antieméticos quando há sinais de náusea e/ou êmese.

Prevenção

A medida profilática mais eficiente consiste no controle do vetor transmissor da doença (carrapato) tanto no ambiente como nos animais. No animal, pode-se usar produtos contendo carrapaticida nas mais diversas formas: coleiras, comprimido, spray ou pour on. O controle ambiental baseia-se no uso de inseticidas (mantendo sempre o animal longe de contato com esses produtos), vassoura de fogo e manutenção da grama/ jardins com altura baixa.

Já com relação à outra forma de transmissão, por meio de transfusão sanguínea, o cuidado envolve principalmente a realização de uma anamnese detalhada do animal doador, verificando se apresenta sinais clínicos, se tem carrapatos, observar a coloração das mucosas, realizar hemograma prévio à coleta da bolsa de sangue e efetuar esfregaço sanguíneo, visando pesquisar o protozoário.

Referências Bibliográficas

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FIGUEIREDO, Monica Ramos. Babesiose e Erliquiose Caninas. 2011. 39 p. Trabalho de Conclusão de Curso (Medicina Veterinária) - Qualittas, Rio de Janeiro, 2011.

PINTO, Roberta Linck. Babesiose Canina - Relato de Caso. 2009. 26 p. Trabalho de Conclusão de Curso (Medicina Veterinária) - Universidade Federal Rural do Semi-árido, Porto Alegre, 2009.

SANTOS, Jéssica Lúcia dos. Babesiose Canina: Relato de Caso. 2019. 42 p. Trabalho de Conclusão de Curso (Medicina Veterinária) - Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, [S. l.], 2019.

SOUSA, Marlos Gonçalves. Doenças Infecciosas: Babesiose. In: CRIVELLENTI, Leandro Z.; CRIVELLENTI, Sofia Borin. Casos de Rotina em Medicina veterinária de pequenos animais. 2. ed. São Paulo: MedVet, 2015. p. 146 - 147.

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