Tudo sobre: Bartonelose

Introdução

A bartonelose, ou doença da arranhadura do gato, é uma doença infectocontagiosa causada por uma bactéria do gênero Bartonella. Possui distribuição mundial, sendo mais prevalente em áreas favoráveis ao desenvolvimento do vetor (pulgas).

Várias espécies de Bartonella são zoonóticas ou possuem potencial zoonótico (transmissão entre animais e seres humanos), possuindo grande importância para a saúde pública. Médicos(as) Veterinários(as), tutores, tratadores de animais e indivíduos imunocomprometidos, como crianças, idosos e portadores de HIV constituem o grupo de risco. A Bartonella henselae é a espécie zoonótica de maior importância, acometendo principalmente os felinos, os cães são hospedeiros acidentais, porém, assim como os gatos, podem atuar como reservatórios.

A transmissão aos animais ocorre através da saliva e/ ou fezes de pulgas (Ctenocephalides felis) contaminadas com a bactéria. Abrasões e lesões na pele facilitam a penetração do agente. Para os humanos, a transmissão ocorre através de mordidas e arranhões de animais infectados, principalmente filhotes e gatos jovens (de até doze meses de idade), pois estes possuem maior bacteremia (presença de bactérias na circulação sanguínea).

Uma pequena parcela dos gatos infectados desenvolve sinais clínicos, pois o organismo se adapta de forma que o animal e a bactéria possam conviver, assim mínimos efeitos patogênicos ocorrem no hospedeiro.

A ocorrência de animais infectados na comunidade serve como um alerta, portanto, eles agem como sentinelas, podendo prever o acometimento dos humanos.

Transmissão

-Nos animais: picada e fezes da pulga e transfusão sanguínea

-Nos humanos: mordedura/lambedura, arranhadura e transfusão sanguínea

Manifestações clínicas

Os sinais clínicos nos gatos são:

-Apatia

-Anorexia

-Hipertermia

-Mialgia

-Estomatites

-Uveíte

-Endocardite

-Linfoadenomegalia persistente

Os sinais clínicos nos cães são:

-Endocardiose

-Arritmia

-Hepatite

-Linfadenitis granulomatosa

Observação: Os sinais clínicos podem variar de acordo com a cepa da Bartonella causadora da infecção.

Diagnóstico

-Associação entre anamnese, histórico, sinais clínicos e exame clínico.

-Isolamento bacteriano

-Exames sorológicos (ELISA, RIFI e Western blotting)

-PCR

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a). 

Tratamento

-Antibioticoterapia

-Controle de ectoparasitos

Observação: O tratamento pode não ser efetivo e podem ocorrer recidivas. 

Prevenção

A prevenção nos animais é baseada principalmente no controle de ectoparasitos, pois a pulga tem papel importante na transmissão da doença. Podem ser utilizadas coleiras impregnadas por inseticidas, ectoparasiticidas pour on (tópicos) ou orais. O manejo e limpeza do ambiente, dos panos, camas e outros objetos dos animais também deve ser realizado, pois estes podem estar infestados por ectoparasitos. O contato com animais infectados, errantes e de status vacinal e vermifugação desconhecidos deve ser evitado. 

Quanto à saúde pública, a bartonelose apresenta risco para pessoas imunossuprimidas e aquelas com frequente interação com os animais, como médicos(as) veterinários(as), tratadores e tutores. Desta forma, ao manejar os animais deve se ter cuidado para evitar mordeduras e arranhaduras. Hábitos de higiene após o contato com os animais são medidas útieis para reduzir o risco de infecção. 

Se houver necessidade de transfusão sanguínea, deve ser garantido que o doador seja negativo para Bartonella e outros agentes, isto é válido tanto para humanos quanto para animais.

Referências Bibliográficas

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HAGIWARA, M. K; DRUMMOND, M. R; VELHO, P. E. N. F. Doença da arranhadura do gato (DAG)

MARGILETH, Andrew M, HAYDEN, Gregory F. Cat Scratch Disease -- From Feline Affection to Human Infection. The New Engand journal of medicine. July, 1993; 329:53-54

SOUSA, Marlos G. Doenças Infecciosas. In: CRIVELLENTI, Leandro Z. CRIVELLENTI, Sofia B. (2 Ed.). Casos de Rotina em Medicina Veterinária de Pequenos Animais. 2 Ed.São Paulo-SP. Editora MedVet. 2015, cap.4. p147-148.

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