Tudo sobre: Blastomicose

Introdução

A blastomicose é uma doença respiratória e/ ou sistêmica que afeta os cães e os seres humanos, sendo uma infecção rara em outras espécies, inclusive nos gatos. É causada pelo fungo Blastomyces dermatitidis, que é encontrado em solos arenosos, ácidos, matéria em decomposição, como madeira e folhas, e próximos da água. Os casos de blastomicose concentram-se no Estados Unidos, Canadá, África e Índia. 

A blastomicose é uma zoonose, assim, o contato com feridas na pele de animais infectados pode apresentar risco ao ser humano. Os médicos veterinários fazem parte do grupo de risco, devido à exposição durante necropsias e certos procedimentos que podem levar a inoculação acidental do Blastomyces dermatitidis. 

Em cães, os grupos de risco são animais jovens, de raças de grande porte, principalmente machos inteiros (não castrados). Cães de esporte e de caça e as raças Labrador Retrievers, Golden Retrievers e Dobermann são os mais afetados. Em felinos, apesar de rara, estudos relataram maior ocorrência da infecção em machos com menos de quatro anos.

A infecção ocorre pela inalação de esporos produzidos pelo fungo que se encontram no ambiente. Os esporos se alojam nos pulmões, causando uma infecção respiratória primária, que pode ou não se disseminar para o restante do organismo. A inoculação cutânea, através de lesões na pele, é rara. 

Animais imunocompetentes geralmente apresentam infecção limitada ao trato respiratório, manifestando poucos ou nenhum sinal clínico. Os órgãos frequentemente envolvidos são os pulmões, olhos e pele, e o acometimento do sistema nervoso central e do trato genitourinário é menos comum.

O sucesso do tratamento irá depender do grau de acometimento da doença, dos tecidos envolvidos e da condição do paciente.

O diagnóstico é baseado na identificação de leveduras em amostras citológicas ou histológicas, a partir de imprint de lesões ou punção aspirativa por agulha fina (PAAF) de órgãos afetados e biópsia. Nas fases iniciais da infecção, pode ser detectado antígeno do fungo em amostras de urina e soro. O prognóstico é ruim caso o diagnóstico seja tardio.

Transmissão

-Inalação

-Cutânea

Manifestações clínicas

-Sinais inespecíficos: letargia, fraqueza, anorexia e perda de peso

-Tosse

-Taquipneia

-Dispneia

-Aumento dos sons respiratórios

-Febre

-Linfoadenopatia periférica

-Abscesso subcutâneo

-Lesão ulcerativa na pele (focinho e dígitos)

-Endoftalmite

-Fotofobia

-Blefaroespasmo

-Conjuntivite

-Descarga ocular

-Cegueira

-Convulsão

-Hemoptise

-Hematêmese

-Poliúria

-Polidipsia

Observação: Os sinais clínicos irão variar de acordo com os órgão afetados e a gravidade da doença.

Diagnóstico

Associação da anamnese, histórico e exame clínico

-Citologia

-Histologia

-Cultura fúngica

-Radiografia torácica 

-Sorologia

-PCR

-Hemograma

-Bioquímicos (Globulina, albumina, glicose e cálcio)

Observações: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do Médico Veterinário. 


O Blastomyces dermatitidis pode ser identificado em amostras de lavado broncoalveolar, sedimento urinário, líquido peritoneal e lavado prostático. Podem ser encontradas as seguintes alterações hematológicas: anemia normocítica normocrômica, leucocitose com desvio à esquerda, neutrofilia, monocitose e linfopenia; e bioquímicas: hiperglobulinemia, hipoalbuminemia, hipercalcemia e hipoglicemia

Tratamento

O tratamento é longo e baseado no uso de antifúngicos de ação sistêmica. Nos casos de acometimento ocular, recomenda-se o uso tópico de antifúngicos. Medicação tópica e sistêmica podem ser associadas. A terapia irá variar com o quadro do animal, devendo esta ser proposta pelo(a) Médico(a) Veterinário(a) responsável pelo caso.

Prevenção

Devem ser evitadas atividades de caça e esportes em regiões alagadiças e de acúmulo de matéria orgânica em decomposição, pois são locais onde o fungo pode estar presente.

Como relatado na literatura, machos não castrados apresentam maior predisposição ao desenvolvimento da doença, desta forma, a castração é de grande importância. Tal procedimento previne a ocorrência de muitas outras doenças.

Referências Bibliográficas

BROMEL, C; SYKES, J. E. Epidemiology, Diagnosis, and Treatment of Blastomycosis in Dogs and Cats. Clinical Techniques in Small Animal Practice, v. 20, n. 4, p. 233-239, nov. 2005.

CDC. Centers for Disease Control and Prevention. Fungal Diseases > Blastomycosis. Disponível em: <https://www.cdc.gov/fungal/diseases/blastomycosis/definition.html>. Acesso em: 3 jan. 2020.

FERREIRA, R.R.; MACHADO, M.L.S.; SPANAMBERG, A.; Bianchi S.P., AGUIAR, J.; HUMMEL, J; FERREIRO, L. Infecções fúngicas do trato respiratório de cães e gatos. Acta Scientiae Veterinariae, v. 35, p. 285-288, 2007.

LLORET, A.; HARTMANN, K.; PENNISI, M. G.; et al. Rare systemic mycoses in cats: blastomycosis, histoplasmosis and coccidioidomycosis: ABCD guidelines on prevention and management. Journal of Feline Medicine and Surgery, n. 15, p. 2013. 

RENSCHLER, J.S.; WHEAT, L.J. Review of Blastomycosis in Dogs and Cats. MiraVista Veterinary Diagnostics. nov 2017. Disponível em: <https://miravistavets.com/wp-content/uploads/2017/12/REVIEW-BLASTO-DOGS-CATS-022718C.pdf> Acesso em: 3 jan. 2020.

Recomendamos levar o seu pet a um médico veterinário para um diagnóstico preciso