Tudo sobre: Bronquiectasia

Introdução

Bronquiectasia é a dilatação anormal e irreversível dos brônquios e bronquíolos. Os brônquios são estruturas cartilaginosas responsáveis pela condução do ar da traqueia aos pulmões. Essa dilatação acontece pelo espessamento das paredes brônquicas e destruição dos seus elementos musculares e elásticos, por infiltração de componentes inflamatórios secundários à infecções e inflamações crônicas. 

Enzimas como elastase e colagenase são liberadas durante a inflamação. Elas digerem a elastina e o colágeno que fazem parte da composição da cartilagem dos brônquios. Casos de bronquite e pneumonia recorrentes por agentes infecciosos necrotizantes ou micobactérias são as principais desencadeantes de bronquiectasia. Porém, esta alteração estrutural dos brônquios pode ser decorrente de obstruções aéreas - por tumores, corpos estranhos e estenoses; de distúrbios mucociliares - como a discinesia ciliar primária; de distúrbios inflamatórios sistêmicos - doenças autoimunes e doenças alérgicas.

As estruturas tornam-se tortuosas, dilatadas, flácidas e podem apresentar obstrução por secreção mucopurulenta. Caso essa obstrução seja prolongada, pode haver o início da formação de um processo de fibrose. Ao microscópio, os tecidos dos brônquios apresentam edema (inchaço) e células de inflamação, além de erosões, úlceras e porventura abscessos.

Dependendo da causa, a bronquiectasia pode ser focal ou generalizada e conforme a gravidade pode predispor o paciente a novos problemas respiratórios, transformando-se num ciclo vicioso, onde há infecção transmural, inflamação e liberação de mediadores inflamatórios. 

Pode acometer cães e gatos, de faixas etárias diversas, embora haja relatos de maior predisposição de problemas respiratórios crônicos em animais de meia-idade e idosos. Não há aparente predileção sexual e animais de diferentes raças podem ser acometidos. 

Transmissão

-Não se aplica

Manifestações clínicas

Sinais inespecíficos (isolados ou em conjunto):

- Tosse

- Êmese

- Hiporexia

- Dispneia

- Cianose

- Corrimento Nasal

- Pirexia

- Hemoptise

- Halitose

- Prostração

- Fadiga 

Diagnóstico

Associação de sinais clínicos, epidemiologia e exames laboratoriais.

Exames que o(a) médico(a) veterinário(a) pode solicitar:

- Radiografia torácica

- Tomografia computadorizada

- Broncoscopia

- Hemograma completo

- Lavado traqueobrônquico

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a).

Tratamento

O protocolo terapêutico tem por objetivo evitar ou limitar os danos ao parênquima pulmonar, prevenir ou diminuir a frequência do agravamento do quadro respiratório e manter a boa qualidade de vida do paciente. É importante identificar a causa base para estabelecer o tratamento específico. Pode ser recomendado o uso de antibióticos, antifúngicos, corticoides, antitussígenos, nebulizações (inalação) e imunoglobulinas. O sucesso do tratamento também está vinculado com o comprometimento do(a) tutor(a) em seguir às recomendações do clínico e estar disposto aos ajustes de manejo para evitar que problemas secundários se desenvolvam.

Prevenção

A prevenção do desenvolvimento da bronquiectasia envolve cuidados para evitar a exposição excessiva dos animais a potenciais alérgenos (fumaça de qualquer origem, fuligem, perfume, granulados sanitários, poeira, ácaros, resíduos de construção, produtos de limpeza e poluição). Estes alérgenos podem ser fatores estimulantes no desencadeamento de uma crise respiratória.

Além disso, para cães há vacinas que os protegem de alguns microrganismos respiratórios. Então, é importante que o(a) tutor(a) mantenha a carteira de vacinação em dia, bem como as consultas veterinárias e vermifugações que também protegem o animal de infestações parasitárias.

Cuidados com o bem-estar e a manutenção da saúde do animal são importantes para um eficiente funcionamento do sistema imunológico. O(a) tutor(a) deve prezar pelo fornecimento de uma alimentação equilibrada, balanceada e de boa qualidade para que não haja excessos ou faltas para o animal, assim como Incentivar o animal a tomar água frequentemente, fornecendo água limpa e fresca nos ambientes em que ele mais fica. 

O acompanhamento periódico com o(a) médico(a) veterinário(a) garante que o pet esteja amparado e facilita o diagnóstico precoce caso haja alguma enfermidade. E ao observar qualquer mudança de comportamento ou aparecimento de sinais clínicos, procurar atendimento médico o mais rápido possível.

Referências Bibliográficas

BABICSACK, V. R. et al. Severa bronquiectasia em um cão: avaliação tomográfica. Vet e Zootec. 2012; 19(3 Supl 3): 

COELHO, M. R. et al. Atualizações sobre tosse em cães. REVISTA CIENTÍFICA DE MEDICINA VETERINÁRIA. Ano XII-Número 22 – Janeiro de 2014 – Periódico Semestral

DALCIN, P. T. R. et al. Diagnóstico e tratamento das bronquiectasias: uma atualização. Vet e Zootec. 2012; 19(3 Supl 3): 

RODRIGUES, D. M. et al. Caracterizações macroscópicas e microscópicas da bronquiectasia em rottweiler. Revista de Educação Continuada em Medicina Veterinária e Zootecnia do CRMV-SP, v. 14, n. 1, p. 40-40, 3 jun. 2016.

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