Tudo sobre: Cálculo Prostático

Introdução

A próstata é uma glândula que, sob ação de hormônios, promove a secreção de conteúdo essencial para a reprodução dos machos e está localizada próxima à bexiga. Os machos podem ser acometidos por diversos problemas neste órgão, tais como: abscesso prostático, hiperplasia prostática benigna, cálculos e tumores. Normalmente, os animais acometidos são idosos e que já apresentaram a hiperplasia da glândula anteriormente, sendo essa a primeira alteração e, quando notada, já deve ser tratada por meio da castração para evitar a evolução para alterações mais graves.

Existem diversos órgãos em que os cálculos (“pedras)” podem se formar, assim como há uma enorme variação na composição dessas estruturas mineralizadas. A primeira alteração da próstata (mais comum), conforme mencionado, é a hiperplasia benigna e, como o órgão apresenta-se alterado, pode ocorrer a formação de cálculos, que podem ser endógenos (ou seja, surgem a partir de elementos da própria glândula) ou exógenos (a partir da precipitação de substâncias presentes na urina).

No cálculo exógeno, a sua composição varia de acordo com a acidez da urina e é considerado extremamente raro. Já no endógeno, também incomum, ocorre precipitação de elementos da secreção prostática e está frequentemente associado à viscosidade elevada da secreção produzida pela glândula. Ambos os casos são diagnosticados apenas em cães de meia idade e idosos, os quais podem ser totalmente assintomáticos.

O aumento de volume prostático (prostatomegalia) pode refletir em outros órgãos se o cálculo for muito grande, como no cólon (intestino grosso), podendo gerar constipação. A presença do cálculo pode levar a uma obstrução parcial ou total e pode haver evolução para infecção, gerando sinais sistêmicos mais graves e até infecção generalizada.

A maioria dos animais acometidos são cães acima de oito anos de idade e não castrados e os sinais clínicos são frequentemente confundidos com problemas do sistema urinário, embora a grande maioria dos cálculos prostáticos sejam “silenciosos” e apenas achados em exames de rotina.

Transmissão

-Não se aplica

Manifestações clínicas

- Assintomático

- Disúria

- Poliaciúria 

- Dor/ desconforto abdominal

- Fezes em fita

- Constipação intestinal

- Disquesia

- Tenesmo

- Apatia

- Hematoquezia

- Inapetência

- Êmese

- Pirexia

- Ascite

- Infertilidade

Diagnóstico

- Exame clínico associado ao histórico do animal

- Palpação retal

- Ultrassonografia abdominal

- Ultrassonografia transretal 

- Radiografia abdominal

Observação: A realização e a definição da necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a).

Tratamento

As cirurgias de próstata em pequenos animais são incomuns por alguns motivos como: anatomia (adentra a pelve, ficando numa localização de difícil acesso), irrigação e inervação complexas e proximidade com a bexiga e uretra, o que pode ocasionar lesão secundária nesses órgãos. Por isso, normalmente, o primeiro passo é realizar a castração do cão, pois trata-se de uma glândula influenciada por hormônios sexuais. 

Uma vez castrado, há tendência da próstata regredir e, assim, a presença dessa estrutura mineralizada pode não gerar problemas. Porém, quando já há comprometimento da via urinária, alguns procedimentos alternativos podem ser realizados para evitar a prostatectomia (retirada da próstata), como sondagem da uretra para impedir obstrução da mesma e saída adequada da urina. Se o cálculo já impede a passagem de sonda, sua remoção cirúrgica se faz necessária. Os casos em que há evolução para cirurgias mais invasivas são extremamente raros.

Clinicamente é de difícil tratamento, pois após ocasionar os sintomas, seu tamanho impede que a terapia medicamentosa seja efetiva. Porém, se for diagnosticado em exames de rotina, a recomendação é a castração do animal acometido.

Casos que evoluem para quadros graves são bastante incomuns, mas pode ser necessária terapia intensiva com analgésicos, anti-inflamatórios e antibióticos, de acordo com critérios observados pelo(a) profissional. 

Prevenção

A melhor maneira de se evitar qualquer problema relacionado à próstata é a castração dos machos, principalmente nos casos onde já foi verificada a presença de hiperplasia prostática benigna. A remoção dos testículos e neutralização da glândula pela remoção da fonte de hormônios sexuais é a única maneira de evitar evolução clínica desfavorável, como formação dos cálculos, tumores e abscessos.

Referências Bibliográficas

ANTUNES, P. et al. Prostate endogenous calculi in a dog. Revista Brasileira de Higiene e Sanidade Animal. v.8, n.4, p.132-140, 2014.

BORGES, A.S. et al. Prostatic calculus in a dog. Brazilian Journal of Veterinary and Animal Science. v.49, n.6, p.693-699, 1997.

KӦSEOGLU, H. et al. Litiasis prostática: cálculos silentes. Actas Urológicas Espñolas. v.34, n.6, p.555-559, 2010.

Recomendamos levar o seu pet a um médico veterinário para um diagnóstico preciso