Tudo sobre: Cárie

Introdução

A cárie é caracterizada por um processo no qual as bactérias e seus subprodutos lesionam as estruturas dentais gerando perda da mineralização do esmalte, dentina e/ ou cemento.

Ainda que seja de ocorrência frequente nos seres humanos, nos animais domésticos sua prevalência é baixa. Segundo pesquisas na área de odontologia animal, em um período de quatro anos somente 1,1% dos animais atendidos apresentaram cárie.

Os dentes mais acometidos quando esta afecção ocorre são os molares, e acredita-se que esteja relacionado à forma de oclusão dentária da região (contato entre dentes superiores e inferior quando a boca está fechada), propiciando a fixação da bactéria nesta área.

A severidade do quadro é usualmente determinada por meio de uma classificação que divide os quadros clínicos em seis tipos, baseando-se no nível de comprometimento das estruturas dentais:

Tipo A – lesão somente da coroa, sem envolvimento da junção cemento-esmalte, com exposição pulpar, incluindo lesões de esmalte;

Tipo B – lesão confinada à coroa, sem envolvimento da junção cemento – esmalte, com exposição pulpar;

Tipo C – Envolve junção cemento – esmalte, cemento, esmalte e dentina, sem exposição pulpar;

Tipo D - Envolve junção cemento – esmalte, cemento, esmalte e dentina, com exposição pulpar;

Tipo E – Lesão somente de raiz, inclui a furca;

Tipo F – Envolvimento radicular

Teorias que são frequentemente destinadas a casos em humanos usualmente não se aplicam aos animais, tais como a alimentação rica em açúcar e carboidratos (com exceção dos animais alimentados com comidas inadequadas), uma vez que a dentição animal é mais distante uma da outra e os dentes possuem formato mais cônico, reduzindo a possibilidade de retenção bacteriana, além disso, o pH da saliva dos animais em geral é mais alto (alcalino) que dos humanos, portanto, impede a rápida fixação das bactérias e induz a rápida remineralização do dente. Por esses e outros motivos, a teoria mais aceita atualmente está relacionada à predisposição genética às bactérias cariogênicas, ou seja, bactérias que predispõem a ocorrência de cárie, como o Streptococcus spp. e Lactobacillus spp.

Transmissão

-Não se aplica (pouco elucidada)

Manifestações clínicas

- Orifícios amolecidos nos dentes de coloração marrom escuro ou preto

- Sensibilidade local

- Dor

- Apatia

- Hiporexia ou anorexia

- Apetite seletivo

- Emagrecimento progressivo

Diagnóstico

- Avaliação odontológica

- Radiografia craniana

- Radiografia odontológica

*A afecção é raramente diagnosticada nos quadros iniciais devido ao fato do esmalte dental ser mais fino em animais do que em seres humanos, por isso, apesar de raro, quando ocorre, sua progressão é muito rápida.

Observação: A realização e a definição da necessidade de outros exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a). 

Tratamento

Basicamente composto por duas alternativas: a extração dentária (mais comum na rotina veterinária para esses casos) ou restauração com resina, a qual deve ser realizada por um especialista após prévia análise da gravidade do quadro e posterior a tratamento das afecções concomitantes.

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a).

Prevenção

A maior recomendação nestes casos é a escovação regular dos dentes com uso de pastas feitas exclusivamente para animais (sem riscos à saúde do pet) com uso de escovas próprias.

Opções alternativas são o uso de produtos de higienização como soluções a serem acrescidas na água, brinquedos e petiscos que garantem a limpeza da cavidade oral, reduzindo as chances de aderência bacteriana.

Recomenda-se também acompanhamento periódico com um(a) médico(a) veterinário(a) e, se preciso, com um(a) profissional especialista em odontologia animal.

Referências Bibliográficas

ODONTOVET, Odontovet. Os cães têm cárie?. In: Blog Odontovet: Dicas de saúde. Site, 29 ago. 2018. Disponível em: https://odontovet.com/2017/08/os-caes-tem-carie/. Acesso em: 18 mar. 2020.

Fejerskov O; Kidd E. Cárie dentária: a doença e seu tratamento clínico. Ed. Santos; 2011.

FRACASCIO, Sabrina; SOUZA, Naiá Carvalho; NASCIMENTO, Nicole Alves; GIOSO, Marco Antonio. Cárie em cães: revisão de literatura. Nosso clínico, [s. l.], ano 19, ed. 112, p. 6 - 12, 20 jul. 2016. Disponível em: https://issuu.com/miquelutchodermatofitose/docs/nc_112_issu. Acesso em: 17 mar. 2020.

Recomendamos levar o seu pet a um médico veterinário para um diagnóstico preciso