Tudo sobre: Cegueira noturna congênita estacionária

Introdução

A cegueira noturna congênita estacionária (CNCE) é uma desordem na retina, de caráter hereditária e autossômica recessiva relacionada ou não à consanguinidade, sendo pouco frequente na rotina clínica. 

A doença é descrita em humanos, equinos e cães, de ocorrência mais comum na raça Pastor de Brie, pode ser diagnosticada em diversas fases da vida. Ocorre uma disfunção ou degeneração dos fotorreceptores oculares ou das células da retina, de forma não progressiva, afetando a visão dos animais em ambientes fracamente iluminados, desde seu nascimento. 

A formação de imagens primariamente envolve a captação de luz por fotorreceptores oculares, passando posteriormente por células da retina e seguindo-se pela produção da imagem no cérebro. A causa da cegueira noturna está relacionada principalmente à disfunção dos fotorreceptores por uma mutação em genes (GRM6, TRPM1, GPR179 e LRIT3), responsáveis por codificar proteínas essenciais para a regeneração do pigmento visual, fundamental para o funcionamento dos fotorreceptores. 

Os animais acometidos, com manifestação de sinais clínicos podendo ocorrer desde filhotes até senis, apresentam vários graus de deficiência da acuidade visual noturna e alguns também podem apresentar dificuldade de enxergar em ambientes com alta luminosidade.

Transmissão

- Hereditária

- Congênita

Manifestações clínicas

- Assintomático

Sinais inespecíficos (isolados ou em conjunto):

- Epífora

- Dificuldade de enxergar em ambientes escuros

Diagnóstico

Associação de sinais clínicos, epidemiologia e exames laboratoriais.

Exames que o(a) médico(a) veterinário(a) pode solicitar:

- Eletrorretinograma

- Fundoscopia

- Histológico

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a). 

Tratamento

O tratamento contra a CNCE não existe até o momento, uma vez que se trata de uma causa genética. Alguns estudos avaliam a futura possibilidade de tratamentos genéticos que impossibilitem a formação da doença. Deve-se avaliar se a causa da cegueira noturna é de fato por origens genéticas ou simplesmente por deficiência nos níveis de vitamina A, essencial à visão. Se este for o caso, é feita a suplementação da vitamina na dieta animal.

Prevenção

Retirar da reprodução cães que apresentem a cegueira noturna congênita estacionária.

Referências Bibliográficas

DE ROUCK, A.F.; The History of the Electroretinogram. In Principles and Practice of Clinical Electrophysiology of Vision, 2nd edition, MIT press, p. 3-10, 2006. 

DUBIELZIG R.R., KETRING K.L., McLELLAN G.J., ALBERT D.M. The retina. In: Veterinary Ocular Pathology - A Comparative Review. Ed. Saunders. China. 2010; p.358.

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