Tudo sobre: Coccidioidomicose

Introdução

A coccidioidomicose é uma doença causada por duas espécies fúngicas Coccidioides, a Coccidioides immitis e a Coccidioides posadasii. Esses fungos podem causar a coccidioidomicose pulmonar aguda ou a disseminada.

Na forma pulmonar aguda, o sistema imune do hospedeiro é hábil o suficiente para isolar o patógeno na cavidade torácica, ou seja, a infecção limita-se a uma área focal do pulmão e manifestação clínica geralmente é mais branda. Já na coccidioidomicose disseminada há maior disseminação pela árvore pulmonar ou até mesmo para outros órgãos, e apresenta maior agressividade, ocorrendo com maior frequência em indivíduos com sistema imune comprometido.

Sua incidência é maior em regiões áridas ou semi-áridas com solo arenoso, de altas temperaturas e baixo índice de chuvas, por isso, a região brasileira com alta casuística é a Nordeste.

A doença pode ocorrer tanto nos seres humanos quanto nos animais domésticos (menos comum ou subnotificado), porém não há risco conhecido de transmissão pelo contato direto, ou seja, não há relatos de transmissão inter-humana e nem de animais para o humano. A infecção também já foi detectada em animais silvestres, como primatas não humanos e tatus. Aparentemente os gatos são mais resistentes do que os cães.

A forma mais comum de transmissão ocorre pela inalação do fungo suspenso no ar após revolver a terra ou ambiente contaminado. Contudo, existem relatos escassos da inoculação direta através da pele (mais raros).

Os animais afetados podem desenvolver diversas enfermidade, como por exemplo, pneumonia, meningite, osteomielite, laringite, artrite, uveíte granulomatosa e ceratite de acordo com a localização e proliferação fúngica.

Transmissão

-Inalação do fungo

Manifestações clínicas

Alguns animais podem ser assintomáticos, enquanto outros apresentam sintomas que variam de acordo com o órgão afetado. Os sinais clínicos são interespecíficos e podem se manifestar isoladamente ou em conjunto.

- Inapetência

- Pirexia

- Tosse

- Dispneia

- Emagrecimento

- Convulsão

- Hiperestesia

- Presença de abscessos cutâneos ou focais em órgãos internos

Diagnóstico

Associação entre anamnese com histórico detalhado, epidemiologia e exames físico e complementares. O(a) médico(a) veterinário(a) pode solicitar/ realizar os seguintes exames complementares:

- Hemograma completo

- Proteína total + frações

- Lavado broncoalveolar seguido de citologia 

- Citologia de linfonodos

- Radiografia torácica

- Histopatologia (fragmentos de microabscesso)

- Cultura e isolamento fúngico

- Imunodifusão em agar-gel (diagnóstico imunológico)

- Ensaios enzimáticos (diagnóstico imunológico)

- Fixação do complemento (diagnóstico imunológico)

- PCR Coccidioides spp.

- Ureia* 

- Creatinina*

- Urinálise com UPC*

*Utilizados para avaliar a função renal durante o tratamento devido aos possíveis efeitos nefrotóxicos de alguns medicamentos.

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a).

Tratamento

Em infecções mais brandas, relata-se a possibilidade de remissão espontânea (cura espontânea), contudo, muitos profissionais optam por iniciar protocolos terapêuticos a fim de impedir a possível progressão da doença. Preferencialmente, opta-se pela via oral para realização do tratamento e a duração pode variar de seis a 12 meses, sendo necessário o acompanhamento dos sinais clínicos e redução dos níveis sorológicos para mensurar a eficiência terapêutica.

Além disso, podem ser necessários o uso de analgésicos em casos de dor, inalação e fluidificação da secreção por meio de tapotagem (procedimento fisioterapêutico) em conjunto com expectorante.

Em casos de convulsão, é necessária a utilização de anticonvulsivantes.

Prevenção

Manter os animais saudáveis, com a imunidade elevada, é uma forma de proteção contra diversas enfermidades, incluindo a coccidioidomicose, portanto, recomenda-se evitar grandes estresses, como por exemplo mudanças bruscas de temperatura ou alimentação, manter as vacinações atualizadas e realizar acompanhamento periódico com um(a) médico(a) veterinário(a).

Em felinos, também recomenda-se realizar testes diagnósticos para doenças infecciosas como FIV (Vírus da Imunodeficiência felina) e FeLV (Vírus da Leucemia Felina) e evitar o acesso livre à rua, bem como à terra e/ ou areia (locais que podem conter microrganismos patogênicos).

Referências Bibliográficas

FERREIRA, Rafael Rodrigues et al. Infecções fúngicas do trato respiratório de cães e gatos. Acta Scientiae Veterinariae, [s. l.], p. 285 - 288, 2007.

KLINGNER, Elizabeth dos Reis. Uveíte em felinos domésticos: Revisão bibliográfica. 2012. 51 p. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Medicina Veterinária) - Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2012.

MORAES, Mário A P et al. Coccidioidomicose: novo caso brasileiro. Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, [s. l.], p. 559 - 562, 1998.

SECRETARIA DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE. Ministério da Saúde. Proposta de Vigilância e Controle da Coccidioidomicose. In: SECRETARIA DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE. Ministério da Saúde. Unidade de Vigilância das Doenças de Transmissão Respiratórias e Imunopreveníveis. Brasília, 2012. Disponível em: http://www.sgc.goias.gov.br/upload/arquivos/2012-05/proprosta_de_ve_e_controle_coccidioidomicose.pdf. Acesso em: 8 maio 2020.

SOUSA, Marlos Gonçalves. Doenças Infecciosas: Coccidioidomicose. In: CRIVELLENTI, Leandro Z; CRIVELLENTI, Sofia Borin. Casos de Rotina em Medicina veterinária de pequenos animais. 2. ed. São Paulo: MedVet, 2015. cap. 4, p. 153 - 155.

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