Tudo sobre: Colapso de Traqueia

Introdução

A traqueia faz parte do sistema respiratório e é composta por 42 a 46 anéis cartilaginosos em formato de ferraduras interligadas por uma membrana feita de substâncias como glicosaminoglicanos, glicoproteínas e condroitina, originando um “tubo” responsável pela filtragem e passagem do ar inalado e expirado. Ainda não se sabe ao certo o que ocasiona o colapso de traqueia, mas as hipóteses giram em torno de causas primárias (fatores genéticos) e secundárias (nutricionais, alérgenos, deficiência neurológica, regurgitação mitral, doenças das vias aéreas e degeneração da matriz cartilaginosa, obesidade). Sabe-se, contudo que se trata de uma afecção progressiva e degenerativa, caracterizada pelo achatamento dorsoventral ou laterolateral dos anéis traqueais.

Sua classificação varia de acordo com o grau de alteração morfológica dos anéis, o grau I é designado aos animais com redução de aproximadamente 25% do lúmen, grau II de cerca de 50%, III ao redor de 75% e IV com mais de 75% de redução do espaço.

Doença de grande importância na rotina veterinária de cães, sendo mais frequente em animais de meia idade a idosos, de raças miniaturas, toys ou braquicefálicos.

A traqueobroncoscopia é um dos exames recomendados para avaliação de possíveis lesões ocasionadas pelo colapso (crônico) e possibilita a coleta de material para descartar outros prováveis diagnósticos. Requer anestesia do paciente.

Transmissão

- Hereditária (forma genética)

Manifestações clínicas

-Tosse alta não produtiva (ruído semelhante ao grasnar de um ganso) 

-Taquipneia

-Dispneia

-Cianose

-Intolerância ao exercício

-Abdução de cotovelos

Observação: os sinais clínicos podem ser intensificados caso haja uma doença subjacente, tais como, bronquite infecciosa, alérgica ou insuficiência cardíaca (frequentemente associada ao colapso traqueal, ausculta de sopro cardíaco).

Diagnóstico

O diagnóstico principal baseia-se na associação do histórico, sinais clínicos, raça e idade do animal. Exames complementares que podem ser efetuados são:

-Palpação traqueal com reflexo de tosse aumentado

-Traqueobroncoscopia

-Radiografia cervical e torácica

- Fluoroscopia

-Ultrassonografia

Como diagnósticos diferenciais por vezes tem-se pesquisa de doença cardíaca, edema pulmonar, inflamação das vias aéreas, exposição a fumaça, bronquite crônica, procedimento de intubação recente, obstrução de vias aéreas superiores, estenose de narinas, paralisia de laringe, obesidade e hiperadrenocorticismo.

Tratamento

Usualmente recomenda-se que o tratamento clínico (farmacológico) seja destinado aos animais com colapso grau I e II ou com sinais clínicos leves, com uso de anti-inflamatórios esteroidais para controle da inflamação das vias aéreas, antitussígenos que permitem a redução da irritabilidade aérea crônica e alívio da tosse, broncodilatadores por reduzirem a pressão intratorácica aumentando o diâmetro traqueal e aprimorando as funções do aparato traqueal, e antibióticos (quando houver infecção concomitante, preferencialmente escolhido após cultura). A suplementação com sulfato de condroitina revelou que pode melhorar os sinais clínicos em até 50 a 80%, possivelmente por aumentar a concentração dessa substância na matriz celular permitindo maior aporte de água para a cartilagem recuperando assim a firmeza dos anéis e melhorando a sua capacidade.

A intervenção cirúrgica é reservada para os casos mais graves na classificação geral ou refratários ao tratamento clínico. Tem por principal objetivo restaurar o diâmetro traqueal sem alterar a capacidade de filtragem da traqueia (realizada por pequenos cílios). A abordagem cirúrgica fundamenta-se na implantação de implantes extraluminais ou intraluminais (acesso minimamente invasivo, com menor tempo anestésico, sendo, portanto, o mais utilizado na rotina).

Animais com angústia respiratória são categorizados como casos emergenciais sendo necessária intervenção veterinária imediata, requerendo oxigenioterapia, baixas temperaturas e, por vezes, sedação na tentativa de melhorar a qualidade respiratória.

Quando a causa da afecção for determinada como secundária, deve-se atentar aos possíveis fatores ocasionantes e tentar minimizá-los, por exemplo, suprimir fatores alérgicos tais como poeira excessiva e fumaça de cigarro, combater a obesidade, utilizar coleiras que façam pouca ou nenhuma compressão traqueal, acesso a ambientes com temperaturas mais amenas e úmidos, dentre outros.

Prevenção

Evitar possíveis fatores desencadeantes como: obesidade, uso de coleiras cervicais, fumaças e poeira.

Referências Bibliográficas

CHAMPION, Tatiana. Colapso de Traquéia. In: CRIVELLENTI, Leandro Z.; CRIVELLENTI, Sofia Borin. Casos de Rotina em Medicina veterinária de pequenos animais. 2. ed. São Paulo: MedVet, 2015. cap. 7, p. 280 - 281.

CAVALCANTE, Gabriela Galiza Medeiros. Abordagem cirúrgica do colapso traqueal: Revisão de Literatura. Universidade de Brasília Faculdade de agronomia e medicina veterinária, [S. l.], p. 1 - 36, 11 dez. 2018.

EVANGELHO, Juliano dos Santos; TEIXEIRA, Fabio dos Santos; LAMBERTS, Marianne; ARAUJO, Ana Cristina Pacheco. Colapso de traquéia em um cão. Acta Scientiae Veterinariae, [S. l.], p. 149 - 152, 25 set. 2004.

HOLME, Paula Scalzilli. Colapso Traqueal em cães. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, [S. l.], p. 1 - 36, 16 abr. 2014.

CAVALARO, Geovana Campanerutti; ROSA, Veruska Martins; RIBEIRO, Eduardo Alcântara; CARNIATTO, Caio Henrique de Oliveira; PASTÓRIO, Camila. Colapso traqueal em Yorkshire: Diagnóstico diferencial de tosse. VII Encontro Internacional de Produção Científica, [s. l.], 25 out. 2011.

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