Tudo sobre: Colibacilose

Introdução

A colibacilose é definida como qualquer afecção causada em animais de sangue quente ou no homem que tenham como agente causador a bactéria Escherichia coli, microorganismo naturalmente encontrado na flora intestinal dos indivíduos, mas que possui diversas apresentações, das quais algumas são potencialmente causadoras de doenças e outras são oportunistas (esperam uma condição favorável, como imunossupressão), sendo capazes de gerar manifestações clínicas.

Pode ser agregada nas seguintes categorias: 

-Comensais: inofensivas ao seu hospedeiro, presentes naturalmente na flora intestinal, em ocasiões de desequilíbrio podem causar doença;

-Patogênicas intestinais e extra intestinais: dentre estas existe ainda uma subdivisão com mais de seis tipos distintos que se diferenciam pela forma de desenvolvimento, fatores de virulência, locais de predileção e agressividade, ocasionando, consequentemente, sinais clínicos distintos. 

Possui grande potencial zoonótico, mas sua transmissão ocorre muito mais devido à contaminação de alimentos ou água por fezes de bezerros, suínos e aves, do que por fezes de cães e gatos. Tanto cães quanto gatos representam uma pequena parcela de responsabilidade pela transmissão da E. coli patogênica aos seres humanos, havendo poucos relatos na literatura.

A infecção por E. coli pode resultar em: septicemia, mastite, abortos, endometrite, cistite, pielonefrite, meningite, nefrite, artrite, osteomielite, endocardite, pneumonia, conjuntivite, infecções urinárias, vaginites, prostatites, piometra e otite externa.

Transmissão

Fecal-oral:

- Água contaminada (E. coli patogênica)

- Alimentos contaminados (E. coli patogênica)

- Fômites

Manifestações clínicas

A manifestações clínicas variam de acordo com o local de predileção e agressividade da cepa bacteriana envolvida na infecção. Portanto, os sinais são inespecíficos.

- Assintomáticos

- Diarreia aquosa ou hemorrágica

- Hiporexia ou anorexia

- Emagrecimento

- Pirexia

- Desidratação moderada a severa

- Apatia

- Cólicas intestinais

- Secreção nasal

- Secreção ocular

- Secreção vulvar

- Dispneia

Diagnóstico

Associação entre os sinais clínico, histórico e exames complementares. O(a) médico(a) veterinário(a) pode solicitar/ realizar os seguintes exames:

- Hemograma completo

- Coprocultura

- Antibiograma

- Urocultura com antibiograma

- Otocultura com antibiograma

- PCR (E. coli)

- ELISA

- Sorologia IgG - Escherichia

- Sorologia IgM - Escherichia

- Ultrassonografia abdominal

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a).

Tratamento

O acometimento mais comum, especialmente em seres humanos, é do trato gastrointestinal, por isso, a base do tratamento nesses casos é fundamentalmente fluidoterapia intensa com reposição eletrolítica e ácido básica. O uso de antibioticoterapia nesses casos é muito controverso, pois a maioria dos fármacos não é seletivo exclusivamente para as cepas de E.coli patogênicas, seu uso, portanto, pode gerar em desequilíbrio da flora natural do animal e agravar os sinais clínicos. A prescrição de analgesia e anti-espasmódicos também é frequente, assim como o uso de anti-inflamatórios não esteroidais.

Quando são outros os sistemas afetados, o uso de antibiótico é protocolo de eleição, mas recomenda-se sempre a realização de cultura e antibiograma para utilizar fármacos que realmente são efetivos para o tipo de bactéria presente e causadora da injúria. O antibiograma é fundamental para evitar resistência bacteriana e sua propagação para outros animais. 

Prevenção

Nos animais domésticos, a principal forma de prevenção baseia-se no isolamento de animais recém adquiridos e daqueles que apresentam diarreia ou vômitos. O isolamento deve ocorrer até que se comprove a ausência de infecção e/ ou doença, ou até que eventuais tratamentos sejam finalizados e não haja mais a eliminação de microrganismo patogênico pelas fezes. Além disso, recomenda-se a remoção diária das fezes dos animais, bem como a desinfecção do local em que estavam. A desinfecção pode ainda ser expandida periodicamente para os fômites (objetos) e local onde esses animais vivem.

Aos seres humanos, as principais recomendações são: higienizar os alimentos naturais (verduras, legumes, frutas); consumir carnes e ovos bem cozidos; consumir água tratada e de boa qualidade; higienizar as mãos sempre após contato com os animais; e utilizar luvas e outros equipamentos de proteção individual (EPIs) quando entrar em contato com objetos ou locais possivelmente contaminados.

Referências Bibliográficas

CALIMAN, Marly Cristina Wanderley. Estudo de Vigilância Bacteriológica: Isolamento, Fatores de Virulência e Resistência Antimicrobiana de Cepas de Escherichia coli Isoladas de Gatos Domésticos na Região de Ribeirão Preto. 2010. 113 p. Trabalho de Conclusão de Curso (Mestre em Microbiologia Agropecuária) - Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Jaboticabal, 2010.

PATÓGENOS isolados do trato gastrintestinal de cães saudáveis no Rio de Janeiro. Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia, [s. l.], v. 61, ed. 4, p. 1000 - 1001, 5 maio 2020.

SILVA, Filipe; PIRES, Isabel; QUINTAS, Helder. Guia Sanitário para Criadores de Pequenos Ruminantes: Colibacilose. Portugal: [s. n.], 2012. 5 p.

SYDOW, Anna Catharina Maia Del Guercio Von. Avaliação da Ocorrência de Fatores de Virulência em Estirpes de Escherichia coli em Fezes de Cães Errantes. 2005. 89 p. Trabalho de Conclusão de Curso (Mestrado em Medicina Veterinária) - Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo, [S. l.], 2005.

Recomendamos levar o seu pet a um médico veterinário para um diagnóstico preciso