Tudo sobre: Complexo pênfigo

Introdução

O complexo pênfigo engloba doenças autoimunes, ou seja, doenças que surgem quando o organismo trabalha contra si mesmo. O próprio sistema imunológico do animal produz anticorpos, que são células de defesa, para “combater” células normais e funcionais de outros sistemas. Pênfigo é uma palavra que significa “bolhas”, que é a forma de manifestação deste complexo. A células da epiderme (camada mais externa da pele) são vistas como corpos estranhos e destruídas pelo sistema de defesa do animal, elas se separam e perdem sua forma normal, promovendo espaços com acúmulos de líquido à medida que se desfazem, que são as bolhas.

A classificação da doença ocorre de acordo com vários fatores, como localização, tipo de proteína atacada pelo sistema imune, profundidade da lesão, entre outros, mas em todos os casos ocorre a formação das pústulas (bolhas). Existe o Pênfigo Foliáceo, mais comum em cães e gatos, e o Pênfigo Vulgar, que é mais raro. No foliáceo, há destruição maior em regiões de junção mucocutânea (encontro de mucosa com a pele, como lábio e narinas) e pele, com menor destruição da epiderme. Na forma vulgar, a destruição celular atinge camadas mais profundas e o animal pode perder toda a epiderme, atingindo principalmente mucosas e as junções mucocutâneas. Existe ainda o Pênfigo Vegetante que se apresenta não como bolhas, mas como placas vegetantes grandes, úmidas, semelhantes a verrugas e com algumas pústulas sobre essas lesões. 

O pênfigo foliáceo pode acontecer na forma clássica, de origem autoimune desconhecida, ou na forma de pênfigo eritematoso, que é induzido por medicamentos ou doenças crônicas. O pênfigo vulgar ocorre também na forma clássica ou paraneoplásica, ou seja, associado a tumores/ neoplasias. A causa do complexo é considerada idiopática, ou seja, com um curso desconhecido e surgimento espontâneo, porém existe uma relação com outros fatores como agentes externos (medicamentos, exposição à luz solar, estresse), predisposição racial e componentes genéticos. 

É mais freqüente em animais da raça Akita, Chow Chow, Dachshund, Collie, Bearded collie, Newfoundland, Dobermann, Pinscher, Spitz Finlandês e Schipperke. Não há restrição quanto a idade (embora cães de até cinco anos estejam mais predispostos) ou predisposição por sexo. Desta forma, qualquer animal, mesmo que idoso, pode vir a desenvolver a doença.

Transmissão

-Não se aplica

Manifestações clínicas

- Pústulas, principalmente na face

- Lesões com crostas, principalmente em narinas, orelha e pálpebra

- Dermatite secundária (bacteriana ou fúngica)

- Ulceração de pele

- Inapetência

- Apatia

- Dor

- Pirexia

- Prurido

- Edema

- Linfadenomegalia

Diagnóstico

- Exame clínico associado ao histórico do animal

- Esfregaço de pele e citologia direta

- Biópsia de fragmentos de pele das pústulas 

- Histopatológico

Observação: A realização e a definição da necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a).

Tratamento

Como se trata de uma alteração autoimune, as doenças do complexo pênfigo são tratadas com medicações que visam inibir a ação imunológica, os chamados imunossupressores. Existem diversas medicações com esse mecanismo de ação e a escolha varia de acordo com fatores individuais do paciente e avaliação criteriosa do(a) médico(a) veterinário(a), uma vez que esses fármacos causam efeitos colaterais importantes em outros sistemas.

Os corticoides são as medicações de escolha, mas possuem mais efeitos colaterais com o uso a longo prazo. Normalmente, a terapia é iniciada com doses altas, até alcançar uma dose mínima suficiente para o controle das lesões. Outras terapias podem ser instituídas quando não há resposta ou os efeitos colaterais tornam-se muito problemáticos. É possível utilizar apenas um fármaco ou associar.

Os problemas secundários devem ser tratados de acordo. Em caso de infecção bacteriana, o uso de antibióticos sistêmicos é normalmente necessário. O mesmo acontece para infecções por fungos, onde é necessária terapia com antifúngicos. Essas infecções oportunistas muitas vezes requerem um tratamento também a longo prazo. 

A utilização de produtos tópicos, principalmente shampoos, pode ser benéfica em vários sentidos: proteção e hidratação da pele, controle de infecções secundárias e limpeza propriamente dita. Produtos contendo hidratantes e anti-sépticos são recomendados para banhos.

Prevenção

Trata-se de um problema de difícil prevenção, mas é recomendado que pacientes portadores não se reproduzam para evitar que os genes, possíveis responsáveis pelo surgimento, não sejam transferidos para os filhotes da ninhada.

É possível prevenir lesões secundárias e aumento da gravidade com redução da exposição ao sol, banhos frequentes e acompanhamento profissional criterioso.

Referências Bibliográficas

Barbosa, M. F. et al. Patofisiologia do Pênfigo Foliáceo em cães: revisão de literatura. Medicina Veterinária (UFRPE), v.6, n.3, p.26-31, 2012.

Medleau, L. e Hnilica, K.A. Doenças autoimunes e imunomediadas. In: Dermatologia de pequenos animais, atlas colorido e guia terapêutico.2009. 2ed. São Paulo: Roca, 528p.

Miller, W.H. et al. Small animal dermatology. 2013. 7ed. St. Louis: Elsevier. 938p.

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