Tudo sobre: Constipação e Obstipação

Introdução

Dá-se o nome de constipação aos distúrbios que cursem com dificuldade de defecação (disquezia e tenesmo), frequência reduzida e consistência fecal aumentada (fezes extremamente secas). Quando essas alterações tornam-se crônicas, sem que os tratamentos resultem na cura clínica, utiliza-se o termo obstipação. 

As fezes podem ficar retidas no cólon ou no reto por diversos fatores e nessas regiões o bolo fecal perde água, fazendo com que as fezes fiquem ressecadas e dificultando o trânsito normal. A dificuldade de eliminação das fezes pode ser gerada por dor no momento da defecação, por processos obstrutivos, modificações na dieta, distúrbios eletrolíticos, endócrinos, fatores estressantes e ambientais, uso de medicamentos e em decorrência de enfermidades neuromusculares. 

Ferimentos e neoplasias na região anal e retal, fraturas de pelve, membros e afecções de coluna podem gerar dor ou dificuldade de posicionamento para defecação, assim resultando em fezes por mais tempo no intestino grosso, onde acaba perdendo mais água, aumentando o ressecamento. Estreitamento do canal pélvico, seja por malformações ou por fraturas com correção defeituosa podem levar à obstipação e a correção cirúrgica muitas vezes é preconizada.

Obstrução causada por parasitas, neoplasias, alterações prostáticas, pelos ou corpos estranhos podem impedir o trânsito normal das fezes causando constipação.

Modificações ambientais severas, internações, chegada de outros animais, falta de limpeza na liteira ou deixar de seguir rotinas, como no caso de cães que defecam apenas quando são levados a um ambiente específico (calçada, passeio, parque) podem gerar desconforto e o animal pode se negar a defecar, aumentando o ressecamento das fezes. 

Distúrbios endócrinos, como o hipotireoidismo, e eletrolíticos, como a hipercalcemia, hipopotassemia e a desidratação também promovem constipação intestinal. Fármacos com opióides, hidróxido de alumínio, sucralfato e anticolinérgicos têm como efeito colateral a constipação. 

Lesões medulares, paraplegia, lesões em nervos que inervam a região e comprometem a atividade da musculatura lisa intestinal também levam à constipação e à obstipação. 

Animais de quaisquer idades, raças ou sexo podem apresentar constipação e obstipação pois as causas são as mais diversas.

Transmissão

-Verminoses: ambiente contaminado, ingestão de pulgas contaminadas.

Manifestações clínicas

Em geral podem ser observadas:

-Tenesmo

-Disquesia

-Hematoquezia

-Vômito

-Defecação em locais inapropriados ou não usuais

-Prolapso retal

-Emagrecimento

-Distensão abdominal

-Diarreias episódicas

-Desidratação

Observação: em casos de animais debilitados ou desnutridos, a ancilostomose pode promover agravamento do quadro.

Diagnóstico

-Associação entre histórico, sinais clínicos, exame físico (incluindo exame do períneo e toque retal), neurológico e exames complementares.

Exames que o médico veterinário pode solicitar:

-Radiografia

-Ultrassonografia abdominal

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a). 

Tratamento

A remoção das fezes que causam a obstrução deve ser o primeiro passo para tratar a constipação e obstipação. Em casos menos severos, a retirada das fezes pode ser feita por meio de enemas (não se deve usar fosfatados para gatos).

Somente após a abordagem inicial o tratamento clínico deve ser iniciado. Este consiste na realização da manutenção da motilidade intestinal e é feito com laxantes específicos e procinéticos. 

A modificação da dieta é inerente ao tratamento de constipação. Grande parte das pesquisas convergem para o aumento de fibras solúveis na dieta, porém em alguns casos pode-se optar por dietas que reduzam o volume fecal, como rações úmidas, e verificar se há ou não a necessidade de instituir mais fibras na dieta, salientando que a ingestão hídrica é essencial. 

A prescrição de laxantes por períodos mais extensos pode ser necessária, além da desobstrução cirúrgica em casos mais complicados. Episódios de diarreia podem suceder após quadros de constipação devido irritação de cólon e reto. 

Prevenção

Favorecer ambiente adequado para eliminação das fezes é de extrema importância, como a limpeza de liteira, por exemplo. Dieta e água de qualidade devem ser oferecidas, salientando que felinos possuem maior resistência ao consumo hídrico e por vezes mais de um recipiente deve ser fornecido a eles. A manutenção da desverminação deve ser feita e/ ou exames de fezes periódicos. Em caso do uso de fármacos com efeitos colaterais de constipação o tutor deve observar alterações de consistência e frequência de defecação e seguir orientações médico-veterinárias.

Referências Bibliográficas

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Recomendamos levar o seu pet a um médico veterinário para um diagnóstico preciso