Tudo sobre: Coriorretinite

Introdução

A coriorretinite, também conhecida por retinocoroidite, representa um processo inflamatório que atinge a úvea e suas estruturas. Dentre elas está a coróide, que corresponde ao revestimento interno do olho localizado na parte posterior do bulbo ocular, que vai desde a margem dos músculos ciliares até o nervo óptico.

Geralmente causada por infecções congênitas, podendo ser observada ao nascimento, também pode apresentar origem viral, bacteriana e fúngica, sendo a última mais rara. A inflamação causada por protozoários é a mais significativa, tendo papel de destaque o Toxoplasma gondii, acometendo principalmente os gatos e podendo ser transmitida aos humanos. De forma geral, animais com o sistema imunológico enfraquecido são mais propensos a desenvolver a coriorretinite, assim como filhotes e senis.

A coriorretinite adquirida, quando não se apresenta de forma congênita, pode se manifestar em animais de qualquer idade e sua extensão e sinais clínicos variam de acordo com o agente causador ou doença subjacente. Sua apresentação pode ser focal, extensa, uni ou bilateral, com presença ou não de secreções. Na maioria dos casos clínicos, há recuperação total do olho acometido sem comprometimento da visão. No entanto, pode ocorrer a formação de tecido cicatricial que irá afetar a visão, tornando-a turva e com a presença de manchas nos olhos. Em outros casos, quando não é implementado um protocolo de tratamento, a coriorretinite pode resultar na perda parcial ou total do olho afetado.

Transmissão

- Não se aplica

Manifestações clínicas

- Estrabismo

- Atrofia óptica

- Secreções oculares

- Dor ocular

- Uveíte

- Catarata

- Hipersensibilidade a estímulos luminosos

- Nistagmo

- Anormalidades vítreas

Diagnóstico

Associação de anamnese, sinais clínicos, exames físico e laboratorial

- Exame físico da cavidade ocular

- Exame oftálmico completo

- Imunoglobulina G (IgG)

- Imunohistoquímica para T. gondii

- Toxoplasma sp (PCR)

- Oftalmoscopia

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a). 

Tratamento

O protocolo de tratamento para a coriorretinite deve ser estabelecido com base na origem primária da inflamação. Podem ser indicados antiparasitários, antibióticos e fármacos que estimulam e fortalecem o sistema imunológico, para resolução do quadro geral. Anti-inflamatórios são indicados para resolução dos sinais oftálmicos e colírios de uso tópico podem aliviar a irritação, além de manterem o olho limpo e lubrificado, provendo maior conforto ao animal.

Prevenção

A medida profilática para a coriorretinite envolve, principalmente, realizar uma correta imunização dos animais seguindo-se os protocolos vacinais de maneira adequada e no tempo recomendado por profissionais qualificados. Prover uma nutrição balanceada e completa também é uma forma se manter o sistema imune dos animais fortalecido. É importante evitar que animais acometidos pela toxoplasmose se reproduzam, além de tratá-los, evitando-se assim a transmissão congênita da doença.

De maneira geral, visitas constantes ao(à) Médico(a) Veterinário(a) são imprescindíveis para evitar o surgimento de doenças de qualquer origem, bem como para que se realize o diagnóstico precoce de diversas enfermidades que podem acometer os animais.

Referências Bibliográficas

CUNHA, O. da. Manual de oftalmologia veterinaria. Brasil: Universidade Federal Do Paraná, 2008.

FERREIRA, A. I. da C. Fatores de risco para infecção por toxoplasma gondii e desenvolvimento da retinocoroidite toxoplásmica. 2011. 230 f. Tese (Doutorado em Medicina Interna; Medicina e Ciências Correlatas) - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto, São José do Rio Preto, 2011.

GALVÃO, André Luiz Baptista et al. Aspectos da toxoplasmose na clínica de pequenos animais. Semina: Ciências Agrárias, v. 35, n. 1, p. 393-409, 2014.

LOPES-MORI, F. M. R.; MISUKA-BREGANÓ, R.; BITTENCOURT, L. H. F. B.; DIAS, R. C. F.; GONÇALVES, D. D.; CAPOBIANGO, J. D.; REICHE, E. M. V.; MORIMOTO, H. K.; FREIRE, R. L.; NAVARRO, I. T. Gestational toxoplasmosis in Paraná State: Brazil: prevalence of IgG antibodies and associated risk factors. The Brazilian Journal of Infectious Diseases, Salvador, v. 17, n. 4, p. 405-409, 2013. 

SLATTER, Douglas H. Fundamentos de oftalmologia veterinária. Editora Roca, 1992.

Recomendamos levar o seu pet a um médico veterinário para um diagnóstico preciso