Tudo sobre: Defeito do septo ventricular

Introdução

Trata-se de uma doença cardíaca congênita considerada incomum em pequenos animais, na qual ocorre falha durante o fechamento do septo ventricular que separa os ventrículos direito e esquerdo (câmaras do coração). No período fetal, há comunicação entre as câmaras do coração para circulação de sangue oxigenado através do cordão umbilical, chegando aos tecidos do corpo fetal, já que a respiração pulmonar ainda não é realizada durante esta etapa. Porém, após o nascimento, as comunicações devem ser fechadas para que não ocorra mistura do sangue oxigenado com o desoxigenado.

A causa primária desta má-formação durante a fase de embrião ainda não está bem esclarecida. Como consequência, esta comunicação entre ventrículos permite que ocorra mistura entre sangue que irriga o pulmão e sangue que circula o restante do corpo.

É descrito como pouco frequente em cães, possuindo maior prevalência em gatos. É relatada prevalência de 15% dentre as doenças cardíacas congênitas nesta espécie, não havendo predisposição racial. Há literaturas que relatam ser mais comumente encontrada em cães de pequeno porte, ressaltando as raças Yorkshire, Poodle e Terrier Brasileiro. Em cães da raça English Springer Spaniel foi descrito que a referida anomalia possui padrão hereditário.

Neste distúrbio, é mais comum ter desvio de sangue do lado esquerdo para o lado direito do coração, devido à maior pressão do ventrículo esquerdo. Assim, o sangue é evadido do ventrículo esquerdo para a circulação do pulmão e retorna ao ventrículo esquerdo pelas veias pulmonares, levando à sobrecarga do mesmo.

Pode ocorrer aumento da pressão dos vasos sanguíneos do pulmão (o que pode provocar formação de edema pulmonar, no qual há acúmulo de líquido neste órgão) e insuficiência cardíaca congestiva (ICC).

Pode se apresentar isolada ou acompanhada de outras doenças cardíacas.

Transmissão

- Hereditária na raça English Springer Spaniel

- Congênita

Manifestações clínicas

- Tosse

- Sopro cardíaco

- Dispneia

- Intolerância ao exercício

- Síncope

- Aumento de volume abdominal

Observação: pode ocorrer de o animal portador deste defeito ser assintomático, principalmente se o defeito for pequeno, pois pouca quantidade de sangue é desviada. Todavia, a passagem de sangue por um pequeno orifício provoca aumento na velocidade do fluxo e turbulência, podendo originar um sopro de intensidade elevada.

Diagnóstico

O diagnóstico deve envolver sinais clínicos, exame físico e exames complementares que podem ser solicitados pelo(a) médico(a) veterinário(a), entre eles:

- Radiografia torácica

- Eletrocardiograma

- Ecocardiografia

- Necropsia (post-mortem)

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a).

Tratamento

O tratamento depende da severidade do defeito. No caso de lesão pouca extensa, o fechamento espontâneo pode ocorrer nos dois primeiros anos de vida. Caso não ocorra aumento das câmaras cardíacas, o paciente não deve ser submetido a qualquer tipo de terapia.

A correção cirúrgica é uma possibilidade para correção definitiva, porém envolve elevados riscos e custos. Qualquer procedimento de correção é contraindicado para pacientes que apresentem desvio reverso.

O uso de inibidores da enzima conversora de angiotensina a fim de promover a redução da pressão arterial é indicado quando há dilatação das câmaras esquerdas do coração, porém não devem ser administrados a pacientes com aumento de pressão pulmonar, pois a redução de pressão proporcionada pelo medicamento pode facilitar a reversão do desvio.

Em paciente com insuficiência cardíaca congestiva, além dos inibidores da enzima conversora de angiotensina, pode-se empregar diuréticos para aumentar o volume de urina produzida, como furosemida, e suporte inotrópico para controle da força de contração do coração, como digoxina.

O prognóstico é bom em animais com pequenos defeitos e adultos assintomáticos.

Prevenção

A prevenção das alterações clínicas provocadas por este distúrbio está principalmente no diagnóstico precoce para que sejam tomadas as medidas necessárias, de maneira a não prejudicar a qualidade de vida futura do animal.

Não é recomendado que animais diagnosticados com defeito de septo ventricular sejam utilizados para reprodução.

Referências Bibliográficas

ARGENTINO, I. do N. Comunicação Interventricular em cão: relato de caso. Rev. UNINGÁ Review, Maringá, v. 33, n. 4, p. 1-12, out./dez.2018.

CACEMIRO, A.D.C.; CAMPOS, A.G.; PAULINO JUNIOR, D. Defeito de septo ventricular em cão da raça Golden Retriever. 14° Congresso Paulista das Especialidades. p. 51. São Paulo, SP. 2016.

FILHO, R.P.S. et al. Defeito de septo ventricular em gato. Revista Portuguesa de Ciências Veterinárias. Ed. 110 (595-596). p. 140-143. 2015.

JERICÓ, M.M. et al. Tratado de medicina interna de cães e gatos. 2 v. 1ed. São Paulo: Roca, 2015, 2464 p.

Recomendamos levar o seu pet a um médico veterinário para um diagnóstico preciso