Tudo sobre: Deficiência de Taurina

Introdução

A taurina é um aminoácido sulfurado importante na dieta de cães e gatos. É encontrado em altas concentrações no coração, no cérebro, nos músculos e na retina. Como funções, a taurina desempenha papel importante na regulação osmótica, modula entrada e saída de cálcio das células, atua na conjugação dos ácidos biliares, além de ter ação antioxidante.

Para os gatos, a taurina é um aminoácido essencial, ou seja, precisa ser incluído na dieta. Cães e gatos conseguem sintetizar taurina a partir de outro aminoácido, a cisteína, porém a quantidade produzida pelos felinos é muito pequena para a manutenção das atividades fisiológicas e a falta da taurina na dieta pode levar a graves problemas de saúde, como doenças cardíacas, patologias da retina e reprodutivas. Em algumas raças de cães como Cocker Spaniel e Golden Retrievers, estudos demonstraram que animais com cardiomiopatia dilatada possuíam baixos níveis de taurina plasmática. Outras raças como Labrador Retriever, São-bernardo e Setter Inglês também demonstraram maior predisposição à carência de taurina.

A cardiomiopatia dilatada, em que o coração tem redução da contratilidade e que leva à insuficiência cardíaca, é uma doença que pode ser provocada pela deficiência de taurina. Como é uma doença progressiva, os gatos geralmente apresentam sinais quando mais velhos, quando atingem a meia idade. Em cães, baixas concentrações de taurina também foram encontradas em animais com essa doença.

Algumas doenças da retina estão associadas à carência da taurina. Os animais apresentam degeneração da retina e na fase inicial da doença não se percebem grandes alterações. Com a progressão, ocorre aumento de granulações na área central da retina, que progridem para a extremidade do disco óptico levando a disfunções da recepção de luz pelo olho.

A deficiência de taurina pode estar associada às dietas inadequadas, mas também pode ocorrer quando a flora bacteriana entérica degrada taurina em excesso, ou seja, a deficiência ocorre quando o animal perde mais taurina do que ingere. A taurina é encontrada em alimentos de origem animal e as rações comerciais atualmente produzidas possuem quantidades adequadas de taurina. A carência do aminoácido é relatada em casos de fornecimento de dietas vegetarianas ou quando são alimentados com rações exclusivas para cães, o que não é adequado.

Transmissão

-Não se apica

Manifestações clínicas

Doença da retina:

-Dificuldade de desviar de obstáculos

-Redução da interação com o ambiente

-Cegueira

Insuficiência cardíaca:

-Tosse

-Cansaço ao exercício

-Prostração

-Redução do débito cardíaco

Sinais reprodutivos:

-Incapacidade de reprodução

-Crias fracas

-Natimortos

-Desenvolvimento esquelético anormal nos filhotes (coluna vertebral encurvada e baixa estatura)

Diagnóstico

Associação de sinais clínicos, exame físico e exames laboratoriais.

Exames que o médico veterinário pode solicitar:

-Dosagem de taurina no sangue

-Radiografia

-Ecocardiograma

-Exame oftalmológico

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a). 

Tratamento

A dieta é o principal componente para redução da deficiência de taurina, então é muito importante que esta seja balanceada. As rações comerciais secas devem ter 0,1% de taurina com base na matéria seca e as rações enlatadas 0,2%. A administração de taurina também é um procedimento seguro e pode ser realizado em casos constatados da deficiência do aminoácido.

Prevenção

Uma dieta balanceada, adequada para a espécie, idade e status fisiológico é importantíssima. Caso se opte por dietas caseiras, essas receitas devem ser formuladas por profissionais adequados como médicos veterinários ou zootecnistas.

Referências Bibliográficas

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BARTGES, J et al. Transtornos Nutricionais. Em: O Gato Medicina Interna/Susan E. Little.Ed. Guanabara Coogan, 1 ed., p. 345-362,Rio de Janeiro, 2015.

SILVA JÚNIOR, H.L. Apoio Nutricional da Doenças Cardíacas. Em: Tratado de Medicina Interna de Cães e Gatos. Marcia Marques Jericó; João Pedro de Andrade Neto; Márcia Mery Kogika. Ed.Guanabara Coogan, 1 ed., p. 925-926, Rio de Janeiro, 2015.

OCARINO, N.M.; PAIXÃO, T.A.; CARVALHO, E.C.Q.; GIMENO, E.J. Sistema Cardiovascular. Em: Patologia Veterinária/ Renato de Lima Santos e Antônio Carlos Alessi. Ed. Guanabara Koogan, 2 ed., p. 130, Rio de Janeiro, 2016.

Recomendamos levar o seu pet a um médico veterinário para um diagnóstico preciso