Tudo sobre: Deficiência dos Fatores de Coagulação

Introdução

Os fatores de coagulação são proteínas que participam da hemostasia, processo fisiológico responsável pela suspensão do sangramento e manutenção do sangue fluido de modo que ele circule pelos vasos sanguíneos. Hemostasia anormal resulta em hemorragia ou trombose.

A hemostasia é dividida em três fases, parada do sangramento, na qual há atuação das plaquetas e vasos sanguíneos; formação do coágulo, na qual há participação dos fatores de coagulação; e por último, destruição do coágulo, na qual há envolvimento de fatores fibrinolíticos. 

A deficiência pode ser de um ou vários fatores de coagulação, pode ser congênita, como no caso das hemofilias, ou adquirida, como no caso de insuficiência hepática, intoxicação por rodenticidas (veneno para eliminar ratos), aumento de consumo, como na Coagulação Intravascular Disseminada (CID), uso de alguns medicamentos, como a aspirina, e acidente por picada de Jararaca. A forma congênita é comum nos cães e rara nos gatos.

São vários os fatores de coagulação, assim, algumas raças são mais predispostas à deficiência de certos fatores do que outros. Em geral, as raças de cães mais acometidas são Beagle, Poodle, Shar pei, Cocker Spaniel e Jack Russel Terrier, Boxer, Labrador, Schnauzer, Weimaraner, Chihuahua, entre outras.

Quando há deficiência dos fatores de coagulação, pode ocorrer falha total ou parcial na formação do coágulo, ocorrendo grandes perdas de sangue, estes podem ser espontâneos ou pós trauma. Hemorragias intracavitárias resultam em anemia, manifestadas como dificuldade de respirar e intolerância ao exercício. O animal pode apresentar a claudicação (mancar) quando houver hemartrose (hemorragia na articulação). 

Transmissão

-Congênita/ Hereditária

-Adquirida

Manifestações clínicas

-Hematomas

-Anemia

-Intolerância ao exercício

-Dispneia

-Claudicação

Diagnóstico

Associação da anamnese, histórico e sinais clínicos

-Tempo de coagulação

-Tempo de protrombina (TP)

-Tempo de tromboplastina parcial ativada (TTPA)

-Tempo de trombina 

-Tempo de sangramento

-Dosagem de Fibrinogênio

-Hemograma (Principalmente estimativa de plaquetas)

-Ultrassonografia

-Radiografia torácica

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do Médico Veterinário.

Tratamento

O tratamento irá variar de acordo com o fator deficiente. Alguns fatores possuem substâncias de reposição, outros necessitam de transfusão de sangue ou plasma fresco. Deficiências adquiridas como por veneno de jararaca e ingestão de rodenticidas com ação anticoagulante, possuem tratamentos específicos. A administração de vitamina K é utilizada em ambos os casos, soro antiofídico deve ser administrado nos animais envenenados por veneno de jararaca.

Prevenção

Acidentes com picada de cobra podem ser evitados tomando-se os devidos cuidados em áreas de risco, como matas, terrenos abandonados e locais próximos a rios e lagos. Quanto à ingestão de rodenticidas, recomenda-se que os tutores evitem usar venenos para lidar com problemas com roedores, devido ao risco de envenenamento. Para controle, muitas outras técnicas estão disponíveis no mercado. 

Deve-se tomar cuidado com envenenamento criminoso, pois muitas pessoas fazem isso com o intuito de prejudicar o animal. No caso de suspeita de envenenamento, leve seu animal imediatamente para atendimento com um médico veterinário. 

Deficiências congênitas podem ser evitadas reduzindo a porcentagem de animais portadores de genes que causam deficiências, assim, recomenda-se que os criadores de animais realizem um estudo do pedigree antes de usar os animais para reprodução, pois dessa forma, evita-se que doenças genéticas sejam transmitidas através das gerações.

Referências Bibliográficas

LOPES, S. T. A.; BIONDO, A. W.; SANTOS, A. P. Manual de Patologia Clínica Veterinária. Hemostasia. 3. ed. Santa Maria: UFSM/Departamento de Clínica de Pequenos Animais, 2007. 

PAES, P. R. de O.; LEME, F. de O. P.; CARNEIRO, R. A. Hematologia dos animais domésticos. Cadernos Didáticos - UFMG. Belo Horizonte: FEPMVZ, 2009.

MAURISSENS, G. Hemofilia canina tipo A congênita: uma revisão de literatura. 2018. 52 f. Dissertação (Graduação em Farmácia)- Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2018. 

NELSON RW, COUTO CG. Disorders of Hemostasis. Small Animal Internal Medicine. 5.ed. - Elsevier,St. Louis, Missouri. 2015, cap. 85, p. 1256-1257.

STOCKHAM, STEVEN, L.; SCOTT, M. A. Erythrocytes. In: STOCKHAM, STEVEN, L.; SCOTT, M. A. (Ed.). Fundamental of Veterinary Clinical Pathology. 2nd. ed. lowa. USA: Blackwell Publishing Ltd, 2008. p. 107–222.

Recomendamos levar o seu pet a um médico veterinário para um diagnóstico preciso