Tudo sobre: Dermatite por Lambedura

Introdução

A dermatite por lambedura, também chamada de granuloma de lambedura, é reflexo do ato compulsivo e repetido do animal em lamber seus membros, geralmente anteriores, podendo acometer a região dorsal do carpo e metacarpo (“mãos”), tarso e/ ou metatarso (“Pés”). Tal ato leva à ausência de pelos na região, lesões/ feridas e úlceras.

A causa é idiopática, ou seja, não se conhece ao certo o que desencadeia esta atividade compulsiva, mas sabe-se que que está relacionada ao comportamento do animal no que diz respeito à ansiedade e estresse. Pode acometer qualquer animal independentemente de sexo, raça ou idade, sendo mais frequente em cães e rara em gatos. Alguns estudos de caso mostram certa prevalência em cães adultos, das raças

Dobermann, Labrador Retriever, Golden Retriever, Border Collie, Boxer e Pastor Alemão.

. Tais raças são caracterizadas por comportamento ativo e hiperatividade, podendo ter relação com a casuística da dermatite por lambedura.

Diversas são as causas de estresse e ansiedade nos animais, sendo as principais: solidão, falta de atividades, confinamento, introdução de novos animais no mesmo ambiente, separação de outro animal ou dos filhotes, entre outras. O estresse gera a liberação de substâncias endógenas como a endorfina que, ao mesmo tempo que promove uma sensação de euforia, também causa certa anestesia no animal, como ocorre nos humanos. Sendo assim, o animal se lambe compulsivamente pela euforia acumulada, ao mesmo tempo que não sente dor no local.

A dermatite por lambedura tem início de duas formas, sendo a primeira ocasionada pelo ato constante de lamber uma ferida pré-existente, e a segunda pelo surgimento de uma lesão pela própria lambedura compulsiva.

Transmissão

-Não se aplica

Manifestações clínicas

Os sinais clínicos de lesões são observados nos membros anteriores e/ ou posteriores do animal

-Alopecia

-Fístulas cutâneas

-Feridas cutâneas

-Úlceras cutâneas

-Hiperemia local

-Hiperatividade

Diagnóstico

Associação de sinais clínicos, anamnese e exames laboratoriais.

Exames que o médico veterinário pode solicitar:

-Raspado de pele

-Exame citológico

-Exame histopatológico 

-Hemograma

Diagnósticos diferenciais: neoplasia, granulomas, furunculose bacteriana, calcinose, demodicose, dermatofitose, distúrbios de hipersensibilidade.


Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do Médico Veterinário.

Tratamento

Para o tratamento da dermatite por lambedura deve-se primeiramente identificar as causas que levam o animal ao estresse para serem explicadas aos tutores e corrigidas. Se isso não for feito, a causa primária da afecção irá persistir e o animal continuará a se ferir. Nos casos em que houver complicações como, por exemplo, infecção bacteriana secundária, a antibioticoterapia deve ser indicada pelo Médico Veterinário.

Existem diversos fármacos que auxiliam no controle de distúrbios comportamentais em animais, como ansiolíticos, florais, antidepressivos, bloqueadores ou substitutos de endorfina, entre outros. A recomendação do Médico Veterinário com base na avaliação do animal é imprescindível para se obter resultados desejados.

Ainda, existem no mercado produtos tópicos com gosto desagradável, que auxiliam o animal a parar de se lamber.

Prevenção

As medidas de controle e profilaxia envolvem apenas o controle de distúrbios comportamentais dos animais, iIsto é, o tutor deve se atentar a quais fatores causam estresse e ansiedade em seu animal e tentar controlá-las.

Muitas vezes, a simples mudança na rotina do animal já apresenta melhoras. Além disso, deve-se evitar deixar os cães por muito tempo sozinhos, fornecer um espaço agradável para circulação, não deixá-los presos em casa ao longo do dia inteiro, entre outras medidas de conforto, principalmente em raças com predisposição à hiperatividade e ansiedade.

Referências Bibliográficas

HLINICA, K. A. Dermatologia de pequenos animais: Atlas colorido e Guia Terapêutico. Rio de Janeiro: Elsevier Brasil, 2011.

WILLEMSE, T. Dermatologia clínica de cães e gatos: guia para o diagnóstico e terapêutica. São Paulo: Manole, 2002. 

SCOTT, D. W.; MILLER, W. H.; GRIFFIN, G. E. Dermatologia de pequenos animais. 2 ed. Rio de Janeiro: Interlivros, 1996.

WEISS E. & FREZE K. Histological classification of tumors of domestic animals: Tumors of the skin. Bull. World Health Org. Int. 50(1/2):79-100, 1974 



Recomendamos levar o seu pet a um médico veterinário para um diagnóstico preciso