Tudo sobre: Dermatite por Malassezia

Introdução

A malasseziose é uma doença causada pela Malassezia sp., um fungo que está presente normalmente na flora tecidual sem causar problemas. O seu crescimento descontrolado e, consequentemente, surgimento da infecção, é considerado oportunista. Isso quer dizer que o microrganismo encontra uma situação propícia para se desenvolver descontroladamente quando há um problema inicial, primário, e assim as defesas naturais do organismo não atuam para impedir o processo patológico.

As dermatites por malassezia ocorrem principalmente como consequência de lesões em pele causadas por prurido intenso em decorrência de alergias (alergia alimentar, atopia, alergia à saliva de ectoparasitas), dermatites seborreicas, elevada umidade cutânea, entre outros elementos que alteram a estrutura da pele. Afecções sistêmicas que reduzem a imunidade do indivíduo também podem resultar em problemas de pele e infecções fúngicas, como doença imunomediada, distúrbios endócrinos e uso inadequado de antibióticos. 

Toda a pele e anexos podem ser afetados pela malasseziose, inclusive, é uma causa comum de otite em cães e gatos. O grau de acometimento varia, principalmente de acordo com a resposta imunológica (cutânea e sistêmica) do paciente.

Transmissão

-Não se aplica

Manifestações clínicas

- Prurido

- Alopecia

- Seborreia 

- Descamação da pele

- Eritrema

- Hiperqueratose

- Ulceração de pele

- Mau cheiro 

- Hiperpigmentação da pele

*As lesões geralmente são observadas na região da face, conduto auditivo externo, porção ventral do pescoço, axilas, entre os dedos (interdigital) e ventre (abdômen).

Diagnóstico

- Raspado cutâneo

- Imprint cutâneo com fita adesiva (analise microscoópica)

- Pesquisa de Malassezia

- Biópsia

- Cultura para fungos

- Teste Alérgico – Alergia a Malassezia

Observação: A realização e a definição da necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a).

Tratamento

O controle do crescimento descontrolado da Malassezia sp. deve ser realizado primariamente pelo uso de antifúngicos, prescritos com orientação profissional após avaliação criteriosa. O tratamento pode ser sistêmico ou tópico, de acordo com cada caso. 

Os demais sintomas apresentados também devem ser tratados, principalmente o controle do prurido, para evitar que as lesões se tornem mais profundas e graves. Diversas classes de medicamentos podem usadas, de corticoides a anti-histamínicos, mas o indivíduo deve ser avaliado como um todo antes da prescrição, evitando, assim, efeitos colaterais piores do que a própria infecção. 

Produtos tópicos para recuperação da epiderme (camada mais externa da pele) são usados com frequência em associação com as medicações, com o intuito de manter a pele hidratada e acelerar o processo de cicatrização e reparação. Normalmente estes produtos são usados em forma de shampoos. 

Casos onde há a presença confirmada ou forte suspeita de bactérias, antibióticos de amplo espectro com boa absorção pela pele são prescritos. 

Por se tratar de uma infecção oportunista e secundária, o problema base deve ser diagnosticado e tratado concomitantemente, uma vez que sua permanência pode resultar em recidivas da dermatite por malassezia.

É preciso ter cuidado para avaliação da eficácia do tratamento, uma vez que é normal encontrar o fungo na flora tecidual dos pacientes. Essa avaliação deve ser feita, principalmente, pelo controle de sinais clínicos. Todo o tratamento deve ser realizado por um(a) profissional capacitado(a), especificamente por um(a) médico(a) veterinário (a) dermatologista(a).

Prevenção

É preciso evitar qualquer alteração que gere comprometimento da barreira protetora da pele, como uso de produtos tópicos não prescritos e impróprios para animais; minimizar as crises de pacientes sabidamente alérgicos mantendo dieta adequada; controle de ectoparasitas; banhos regulares, mas não excessivamente frequentes.

A utilização indiscriminada de antibióticos e antifúngicos pode causar resistência e permitir a proliferação dos microrganismos oportunistas, como a Malassezia sp. e isso deve ser evitado. Medicações que alteram a imunidade dos pacientes também devem ser usadas apenas com acompanhamento criterioso de um(a) médico(a) veterinário(a).

Referências Bibliográficas

MOÇO, H. F. et al. Dermatite por Malassezia. Anais do X Simpósio de Ciências Aplicadas da Faculdade de Agronomia e Engenharia Florestal (FAEF). Editora FAEF, pg. 241 a 243, 2007.

RHODES, K. H.. Dermatologia de Pequenos Animais: consulta em 5 min. 2005. Editora Revinter. 1ed. Rio de Janeiro. p.13 a 18

Recomendamos levar o seu pet a um médico veterinário para um diagnóstico preciso