Tudo sobre: Dermatoses e Distúrbios Despigmentantes

Introdução

As dermatopatias são enfermidades muito comuns na clínica veterinária. Elas podem ter as mais variáveis causas, que incluem infecções por bactérias, vírus, fungos e protozoários, podem ter origem alérgica, de contato com substâncias irritantes ou terem base genética. Quando a pele sofre alguma injúria, vários mecanismos são acionados promovendo alterações como descamação, formação de pústulas, pápulas, nódulos, placas, aumento da produção de sebo, além de mudanças na cor da pele e pêlos como a hipopigmentação, hiperpigmentação, leucotriquia (pêlos brancos) e a leucodermia (branqueamento da pele). Essas modificações da tonalidade da pele se devem a distúrbios na produção de melanina ou em processos inflamatórios que envolvem células que fagocitam os melanócitos (células que produzem melanina).

Dentre as dermatopatias que cursam com despigmentação da pele estão algumas doenças auto-imunes como o lúpus eritematoso discóide, o complexo pênfigo, síndrome uveodermatológica e o vitiligo. Nessas dermatopatias pode haver despigmentação focal ou multifocal, em áreas perioculares e em focinho. Neoplasias cutâneas também podem promover alterações da pigmentação, como é o caso do linfoma epiteliotrópico e da histiocitose cutânea. Doenças fúngicas como a prototecose, histoplasmose e criptococose e as causadas Tricophyton mentagrophytes e Microsporum persicolor promovem atração de células inflamatórias e despigmentação local, inclusive em casos de micoses ungueais. Outras dermatoses despigmentantes incluem dermatomiosites, a leucodermia idiopática, dermatites de contato e lesões cutâneas causadas pela leishmaniose

Agentes criogênicos utilizados em tratamentos de neoplasias cutâneas podem ter como efeito colateral a despigmentação da pele, mas trata-se de um meio de tratamento importante para algumas dermatopatias, então é importante relatar ao tutor a possibilidade da área tratada ficar mais clara. 

Dietas pobres em proteína e aplicação de medicamentos como injeções e vacinas também podem gerar áreas de despigmentação da pelagem e da pele. 

É importante ressaltar que qualquer dermatopatia, incluindo regiões cicatriciais, podem gerar alterações na coloração de pele e pelos, o evento pode ser transitório ou definitivo e, na maioria das vezes, não causa prejuízos funcionais após a cura da enfermidade causadora, tratando-se preponderantemente de uma diferença estética. 

Como as causas são as mais variadas possíveis, não se pode determinar raças, idade ou sexo que predisponham aos distúrbios despigmentantes. 

Transmissão

-Caráter genético (doenças auto-imunes)

-Contato com ambiente ou animais contaminados (doenças fúngicas, bacterianas e virais)

-Picada de inseto (leishmaniose)

Manifestações clínicas

Sinais podem variar de acordo com a causa base e podem incluir:

-Alopecia

-Mudança da cor da pelagem

-Despigmentação da pele e pelos

-Aglutinação pilosa

-Hiperqueratose

-Descamação

-Hipotricose

-Prurido 

-Aumento de volume

Diagnóstico

Associação de sinais clínicos, epidemiologia e exames laboratoriais.

Exames que o médico veterinário pode solicitar:

-Raspado e citologia de pele

-Biopsia e histopatológico

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a). 

Tratamento

O tratamento depende da causa base. Manter a barreira cutânea saudável é importante e começa pela alimentação adequada para cada espécie e fase de vida. Shampoos com pH adequados podem ser utilizados e o médico veterinário poderá orientar pela melhor escolha.

Prevenção

Não há manejo preventivo, porém o diagnóstico precoce é importante para que os danos não sejam permanentes devido a resposta prolongada à enfermidade causadora da alteração pigmentar. 

Referências Bibliográficas

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RHODES, K.H.; WERNER, A.H. Dermatologia em Pequenos Animais. Ed. Roca, 2 ed., 657 p., 2014.

JERICÓ, Márcia Marques; KOGIKA, Márcia Mery; ANDRADE NETO, João Pedro de. Tratado de Medicina Interna de Cães e Gatos/. Ed. Roca, 1 ed., p. 1062; 1680-1708; 3812-3813, Rio de Janeiro, 2015.

CONCEIÇÃO, L.G.; LOURES, F.H. Sistema Tegumentar. Em: Patologia Veterinária/ Renato de Lima Santos e Antônio Carlos Alessi. Ed. Guanabara Koogan, 2 ed., p. 635; 712, 716-718; 757, Rio de Janeiro, 2016.

Recomendamos levar o seu pet a um médico veterinário para um diagnóstico preciso