Tudo sobre: Dermatoses erosivas e ulcerativas

Introdução

Diversas doenças sistêmicas e dermatológicas podem gerar erosão e/ ou ulcerações na pele. O termo dermatose é empregado para lesões de pele de caráter crônico. A erosão ocorre quando há destruição e perda da epiderme (camada mais superficial da pele), enquanto na ulceração as camadas cutâneas mais profundas são acometidas. As erosões podem ser decorrentes de dermatopatias que formam bolhas e depois do tratamento geralmente não ocasionam cicatrizes, ao contrário das ulcerações, que podem gerar deformidade na pele após a resolução do quadro. As dermatoses erosivas e ulcerativas acometem inúmeras espécies, e como as causas são variadas, no geral não há predisposição racial, de idade ou de gênero. As causas incluem infecções bacterianas, virais, fúngicas, parasitárias, por picadas de insetos e aracnídeos, imunomediadas, alérgicas, neoplásicas e por exposição a agentes físicos e químicos e causas psicogênicas.

Dentre as doenças que podem cursar com dermatoses erosivas e ulcerativas há as de causa hereditária como o complexo pênfigo e o lúpus, ambas de caráter autoimune. Algumas raças são mais predispostas ao pênfigo, como Akita, Dobermann, Dachshund, Chow-Chow, Cocker SpanielCollie e Pastor Alemão. Os Huskys Siberianos são mais predispostas ao lúpus eritematoso discóide, enquanto o Pointer-Alemão tem mais predisposição ao lúpus sistêmico (dermatose lupóide hereditária do Pointer-Alemão de pêlo curto). Collies e Shelties podem ter uma forma vesicular de lúpus eritematoso que causa ulcerações em região de virilha, axilas, genitália, nos pavilhões auriculares e mucosa oral. A epidermólise bolhosa e a astenia cutânea são doenças de caráter genético e geram dermatoses ulcerativas graves.

Infecções bacterianas causadas por estafilococos também podem gerar dermatoses ulcerativas. Em gatos, doenças causadas por vírus como FIV, FeLV e Calicivírus podem causar dermatoses erosivas e ulcerativas com necrose e vasculite. Outras doenças sistêmicas que podem causar dermatoses ulcerativas são a leishmaniose e doenças hepáticas que podem levar a síndrome hepato-cutânea.

Dermatoses erosivas ou ulcerativas fúngicas podem acometer tanto cães quanto gatos causando lesões que começam com nodulações, que posteriormente ulceram e geram extensas áreas de necrose. São exemplos de micoses que causam ulcerações a esporotricose, criptococose, blastomicose e coccidioidomicose.

Hipersensibilidade à picada de insetos como pulgas e mosquitos pode causar inicialmente prurido, porém se o animal for alérgico, ocorre evolução para lesões eritematosas, edema e ulcerações. Outros agentes causadores de dermatoses erosivas e ulcerativas são os ácaros que causam a demodiciose e a sarna sarcóptica. A exposição excessiva a raios solares por animais de pele branca pode acarretar queimaduras denominadas dermatose actínica, que causam ulcerações extensas em áreas despigmentadas e com rarefação pilosa como no pavilhão auricular, região periocular, focinho e região abdominal, além disso, lesões solares recorrentes podem levar ao desenvolvimento de carcinomas cutâneos. 

Nos gatos, algumas doenças características da espécie também podem cursar com dermatoses ulcerativas como a dermatose ulcerativa linear felina, complexo granuloma eosinofílico e a pododermatite plasmocitária felina.

Medicamentos também podem causar ulcerações se o animal for sensível, quando aplicado em doses elevadas ou quando o medicamento não é apropriado para a espécie. Neoplasias como o linfoma cutâneo, carcinomas de pele e de mama podem evoluir para áreas de ulceração e necrose tecidual. 

Embora as causas sejam inúmeras, as dermatoses que cursam com erosões e ulcerações possuem um aspecto de “ferida aberta”, com perda do tecido cutâneo superficial a profundo que pode causar dor e desconforto nos animais.

Transmissão

Ocorre de acordo com a causa base que pode ser:

-Picada de insetos: ambiente infestado de pulgas, carrapatos e mosquitos

-Bactérias e fungos: contaminação ambiental, inoculação por arranhadura

-Vírus: contaminação ambiental ou contato direto com outros animais contaminados

-Leishmaniose: picada de inseto contaminado (Flebótomos- mosquito-palha)

-Iatrogênica: aplicação de medicamentos

-Fundo genético

Manifestações clínicas

Sinais inespecíficos (isolados ou em conjunto):

-Prurido

-Edema

-Eritema

-Perda da camada superficial e profunda da pele

-Formação de crostas

-Formação de bolhas

-Fragilidade cutânea

Diagnóstico

Associação de sinais clínicos, epidemiologia e exames laboratoriais.

Exames que o médico veterinário pode solicitar:

-Raspado e citologia de pele

-Biopsia e histopatológico

-Hemograma

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a). 

Tratamento

A identificação da causa base é o ponto primordial para o sucesso do tratamento. Em caso de infecção bacteriana, pode ser necessário antibioticoterapia sistêmica e/ ou tópica, antifúngicos são usados na infecção por fungos. Nos casos de doenças auto-imunes, os corticóides são as drogas de eleição na maioria dos casos.

Prevenção

A utilização de protetor solar e redução da exposição ao sol em períodos de maior incidência de radiação são importantes medidas de prevenção de dermatoses ulcerativas e de alguns tumores de pele. A utilização de medicamentos e produtos de higiene como shampoos e sabonetes deve seguir orientação médico veterinária e serem adequadas à espécie.

Animais diagnosticados com hipersensibilidade à picada de insetos devem ser monitorados quanto a presença de pulgas, carrapatos e mosquitos e existem vários produtos no mercado que podem ser utilizados como preventivos e em casos de infestações.

Referências Bibliográficas

WILKINSON, G.T.; HARVEY, R.G. Atlas Colorido de Dermatologia dos Pequenos Animais. Ed. Elsevier, 2 ed., p. 27-29, 1997.

PALUMBO, M.I.P. et al. Incidência das dermatopatias auto-imunes em cães e gatos e estudo retrospectivo de 40 casos de lúpus eritematoso discóide atendidos no serviço de dermatologia da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da UNESP – Botucatu. Semina: Ciências Agrárias, Londrina, v. 31, n. 3, p. 739-744, jul./set. 2010.

RHODES, K.H.; WERNER, A.H. Dermatologia em Pequenos Animais. Ed. Roca, 2 ed., p.80-89, 2014.

MORIELLO, C.A. Doenças Cutâneas em Felinos. Em: O Gato Medicina Interna/Susan E. Little.Ed. Guanabara Coogan, 1 ed., p. 538-618, Rio de Janeiro, 2015.

CONCEIÇÃO, L.G.; LOURES, F.H. Sistema Tegumentar. Em: Patologia Veterinária/ Renato de Lima Santos e Antônio Carlos Alessi. Ed. Guanabara Koogan, 2 ed., p. 651-782, Rio de Janeiro, 2016.

Recomendamos levar o seu pet a um médico veterinário para um diagnóstico preciso