Tudo sobre: Disbiose do Intestino Delgado

Introdução

Diversos microrganismos habitam o intestino dos seres vivos, atuando de forma positiva nos processos de digestão, imunidade, entre outros. O conjunto destes microrganismos se chama microbiota e ela é essencial para manutenção da homeostase (total equilíbrio do organismo). A disbiose é uma condição na qual essa microbiota é prejudicada, ocorrendo um desbalanço entre ela e os chamados “microrganismos ruins”, os patológicos, que causam diversas doenças, portanto, a disbiose corresponde ao desequilíbrio da flora intestinal nos cães. 

O predomínio de microrganismos patogênicos em relação aos microrganismos benéficos gera diversos sintomas e consequências para o organismo do animal, sendo agravado quando outras condições clínicas estão presentes de forma paralela. 

A disbiose leva a uma não absorção adequada de nutrientes, produção de toxinas no trato gastrintestinal e efeitos deletérios em todo o organismo, incluindo na imunidade. A principal causa dessa afecção é o uso indiscriminado e sem prescrição de medicamentos, como os antibióticos, antiparasitários e anti-inflamatórios. Qualquer fator que altere o pH intestinal também poderá gerar disbiose, como o estresse e a ingestão alimentar inadequada para a espécie.

Transmissão

-Não se aplica

Manifestações clínicas

- Emagrecimento

- Diarreia

- Náusea

- Êmese

- Dor

- Disquesia

- Alopecia

- Seborreia

- Letargia

- Desidratação
- Apetite depravado ou Pica (hábito de comer coisas estranhas, muitas vezes como consequência da deficiência de certos nutrientes no organismo)

Diagnóstico

A anamnese detalhada é essencial devido aos sinais inespecíficos. Deve-se avaliar cuidadosamente o histórico do paciente associado aos sinais clínicos, com exclusão dos diversos diagnósticos diferenciais. Exames complementares que o(a) médico(a) veterinário(a) pode solicitar:

- Hemograma completo

- Fosfatase alcalina (FA)

- Proteínas totais + frações

- Giárdia (imunológico)

- Parvovirose (Parvovírus canino) – Pesquisa de Antígeno Viral

- Coprocultura (Cultura de Fezes)

- Perfil Doenças Entéricas (PCR) Cinomose e Parvovirose

- Parasitológico de Fezes

- Pesquisa de Trichomonas

- Pesquisa de Cryptosporidium

- Pesquisa de Campylobacter

- Ultrassonografia abdominal

- Biópsia intestinal
- Endoscopia/ colonoscopia

Observação: A realização e a definição da necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a).

Tratamento

Por se tratar de uma doença que muitas vezes tem uma causa primária, é preciso encontrar este fator desencadeador e tratá-lo/ eliminá-lo. Interromper medicações inapropriadas e iniciar uma reposição da microbiota, sempre com acompanhamento de um(a) profissional, costuma reverter o quadro dentro de alguns dias.

A utilização de pré e probióticos associados a uma alimentação específica, normalmente com utilização de rações terapêuticas próprias, é uma ferramenta muito utilizada. Outro tratamento com bons resultados é o transplante de microbiota fecal, quando se utiliza fezes de outro animal, completamente saudável, para reposição no paciente doente: é feita a coleta, investigação do material, diluição das fezes e utilização de sonda para aplicação do conteúdo diretamente no intestino. Este tratamento é descrito em diversas doenças intestinais crônicas com excelentes resultados, mas precisa ser realizado mediante acompanhamento de um médico(a) veterinário(a) experiente, neste caso, um(a) gastroenterologista é o(a) profissional ideal para conduzir o tratamento. 

Se o animal já estiver debilitado, pode ser necessária internação e tratamento hospitalar com suporte nutricional, fluidoterapia, medicações de uso parenteral, terapia com glicose e vitaminas, analgésicos, entre outros. O tratamento de doenças que levam à disbiose ou que aparecem como consequência dela é fundamental e muitas vezes pode ser um desafio, pois podem exigir utilização de medicações que pioram ainda mais o desequilíbrio da microbiota intestinal, como antibióticos. 

Prevenção

Para manter a microbiota intestinal equilibrada, deve-se evitar o fornecimento de qualquer alimento humano sem indicação do(a) médico(a) veterinário(a). Alimentos com corantes, conservantes e aromatizantes são grandes vilões para a saúde intestinal dos animais domésticos. 

Medicamentos, independentemente de qual classe, mas principalmente antibióticos e anti-inflamatórios, não devem ser utilizados sem a orientação e acompanhamento profissional de maneira alguma, pois podem causar danos irreversíveis ao organismo como um todo e levar à disbiose. 

Principalmente para os felinos, evitar o estresse e mudanças bruscas na alimentação é uma das vias de prevenção dessa doença.

Referências Bibliográficas

AVELAR, Y. Alimentação Natural Pet. Saúde do Intestino. Disponível em: http://anpetalimentacaonatural.com.br/saude-do-intestino/ Acesso em: 03/05/2020.

MURPHY, T.; CHAITMAN, J. e HAN, E. Use of Fecal Transplant in Eight Dogs with Refractory Clostridium perfringens Associated Diarrhea. Journal of Veterinary Internal Medicine. n.28, p.976–1134, 2014.

WEESE, J.S.; COSTA, M.C. e WEBB, J. Preliminary Clinical and Microbiome Assessment of Stool Transplantation in the Dog and Cat. Journal of Veterinary Internal Medicine. n.4, v.2, p.78-89, 2013.

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