Tudo sobre: Disrafismo Espinal

Introdução

A medula espinhal é a comunicação entre o cérebro e o restante do corpo, transportando os impulsos nervosos que possibilitam todo seu funcionamento, como se levantar e caminhar. Para proteger essa estrutura e dar sustentação ao corpo, a medula é revestida pela coluna vertebral composta de ossos, as vértebras, que se encaixam formando um tubo oco por onde passa a medula. Durante a formação do embrião, pode ocorrer a mal formação ou formação incompleta das vértebras, apresentando partes não fechadas das estruturas ósseas que deveriam estar ao redor da medula, formando então “buracos” nessa estrutura tubular.

Disrafismo espinal é o termo utilizado para designar os defeitos congênitos da coluna vertebral, que também são chamados de espinha bífida. Malformações congênitas são aquelas que ocorrem durante o desenvolvimento do embrião, ou seja, durante a gestação, e nesse caso acometem a coluna vertebral, afetando a medula espinhal do filhote. Esses defeitos podem ocorrer em cães ou gatos, assim como em humanos, e quando a falha no fechamento é grande, a medula espinhal pode passar pela abertura da coluna ficando, assim, exposta. Nos casos mais graves, o filhote apresenta dificuldades de locomoção logo nas primeiras semanas de vida, assim como incontinência urinária e fecal, mas também existem casos menos graves, em que o defeito só vai ser notado em exames radiográficos, provavelmente por acaso.

A incidência da espinha bífida em cães é maior nas raças braquicefálicas, como Buldogue Inglês, apesar de haver relatos em outras raças e em animais sem raça definida.

Gatos da raça Manx, que apresentam ausência da cauda como padrão da raça, têm maiores chances de apresentar essa malformação, provavelmente devido às condições de cruzamento entre um grupo pequeno de animais presente na ilha onde foram originados.

Transmissão

-Congênito - não infeccioso

Manifestações clínicas

- Ataxia

- Dor

- Incontinência fecal

- Incontinência urinária

- Letargia

- Paresia

- Fraqueza

- Emagrecimento

Diagnóstico

Associação de sinais clínicos e exames complementares.

Exames para confirmação do diagnóstico:

- Radiografia de segmento da coluna vertebral

- Mielografia

- Tomografia Computadorizada

- Ressonância magnética

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a). 

Tratamento

O tratamento do disrafismo espinal é a correção cirúrgica do defeito e é importante, principalmente, para evitar infecções decorrentes da exposição da medula que podem ter consequências fatais para o animal. 

O sucesso do tratamento vai depender da gravidade da malformação, não sendo possível em todos os casos reconstruir e fechar completamente as vértebras afetadas. Porém, mesmo que a cirurgia não possa reconstituir completamente as vértebras afetadas, ela pode trazer melhoras nos sintomas apresentados e um aumento da expectativa de vida.

Prevenção

Não existe método estabelecido para a prevenção desse tipo de anomalia congênita, porém o acompanhamento veterinário possibilita um diagnóstico precoce e tratamento adequado. 

No caso dos gatos Manx, deve-se avaliar o histórico dessas doenças na linha hereditária, não sendo aconselhada a reprodução de animais que carregam genes de doenças com caráter hereditário.

Referências Bibliográficas

FERNANDES, Ana Letícia Pereira. USO DE CONTRACEPTIVOS COMO CAUSA DE MALFORMAÇÕES FETAIS EM FILHOTES DE GATA. 2018. Trabalho de Conclusão de Curso. Universidade Federal da Paraíba.AREIA - PB 2018.

LEMPEK, Marthin Raboch et al. Espinha bífida em um cão sem raça definida-Relato de caso. Brazilian Journal of Veterinary Medicine, v. 38, n. 3, p. 211-213, 2016.

MINTO, Bruno Watanabe et al. MIELOMENINGOCELE ASSOCIADO À SÍNDROME DA MEDULA ANCORADA EM UM CÃO. INVESTIGAÇÃO, v. 16, n. 4, 2017.

MIRANDA, Dayane Higino et al. Spina bifida in newborn cat: case report. Semina: Ciências Agrárias, v. 32, n. 4Sup1, p. 1975-980, 2011.

TUDURY, Eduardo Alberto et al. Mielodisplasia segmentar múltipla em gato. Ciência Rural, v. 30, n. 3, p. 529-531, 2000.

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