Tudo sobre: Distrofias da Córnea

Introdução

A córnea é a camada protetora transparente que recobre os olhos. Como se fosse uma lente, ela permite a passagem da luz de modo focal através da pupila. 

Distrofias da córnea são alterações que ocorrem nessa camada transparente, ocasionando a opacidade do tecido da córnea, sendo na maioria das vezes distribuída simetricamente em ambos os olhos. As distrofias não apresentam ligação com outras doenças sistêmicas ou oculares e são classificadas em três grupos de acordo com o tipo celular a qual está ligada. Podem ser epiteliais, estromais ou endoteliais. 

São condições hereditárias e apresentam conexão com diversas raças de cães domésticos. De acordo com sua classificação, a doença do tipo epitelial afeta cães Pastores de Shetland, os quais apresentam desenvolvimento gradativo e lento a partir dos seis meses de idade. As distrofias estromais afetam cães jovens de diversas raças como Cocker Spaniel, Beagle, Bichon Frisé, Cavalier King Charles Spaniel, Pastor Alemão, Lhasa apso, Mastiff, Pinscher, Bearded Collie, Samoieda, Husky siberiano, Airedale terrier e Malamute do Alasca. Nas distrofias do tipo endotelial, os animais acometidos apresentam idade mais avançada e em geral é mais observado em fêmeas das raças Chihuahua e Boston Terrier

Gatos também podem ser afetados pela distrofia endotelial, apesar de serem raros os casos.

O acometimento da córnea pode ser progressivo, ou seja, desenvolve-se com o passar do tempo, aumentando a área de opacidade encontrada. A região opaca pode invadir áreas importantes dos olhos, causando dificuldade de visão nos animais, apesar de na maioria dos casos as distrofias não causarem problemas na visão. 

Problemas associados podem ser inflamações e edemas de córnea e, em casos avançados, podem ocorrer lesões causando dor e desconforto ao animal, que pode ser percebida por espasmos das pálpebras.

Transmissão

-Hereditária

Manifestações clínicas

- A opacidade da córnea é o principal sinal clínico

- Blefaroespasmo

- Edema

- Dor

- Úlcera de córnea

- Perda de visão

Diagnóstico

Associação de sinais clínicos e histórico do animal.

Exames que o(a) médico(a) veterinário(a) pode solicitar:

- Hemograma simples

- Teste de fluoresceína

- Tonometria

- Colesterol Total

- Triglicerídeos

Importante levar em consideração os diagnósticos diferenciais: degeneração de córnea, ceratoconjuntivite seca, infecções corneais e úlceras secundárias a agressões frequentes como entrópio, ectrópio ou corpo estranho.

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a). 

Tratamento

Quando o animal apresenta inflamação da córnea ou adjacências ou ainda nos casos mais graves de ulceração da córnea, as afecções devem ser tratadas imediatamente. 

No espessamento de epitélio, pode-se fazer a remoção cirúrgica superficial e utilizar lentes de contato terapêuticas. Outros tipos de cirurgias, como os chamados “flaps conjuntivais” ou ainda a cauterização térmica também podem ser realizadas. Transplantes de córnea, apesar de possíveis, não costumam apresentar bons resultados em cães.

Prevenção

Como as distrofias de córnea são afecções hereditárias, a reprodução de animais afetados não é indicada. 

Ainda existem poucos estudos para a identificação da herança genética e, além disso, uma grande variação de raças pode ser afetada. Portanto, na aquisição de animais de raça, é sempre indicado a investigação criteriosa do criador para averiguação de responsabilidade na reprodução dos cães em canil.

Referências Bibliográficas


CARLOS, Renata Santiago Alberto et al. Ceratopatias degenerativas e distróficas em cães e gatos–revisão de literatura. Medvep - Revista Científica de Medicina Veterinária - Pequenos Animais e Animais de Estimação; 2013.

LAUS, José Luiz; ORIÁ, Arianne Pontes. Doenças corneanas em pequenos animais. Revista de Educação Continuada em Medicina Veterinária e Zootecnia do CRMV-SP, v. 2, n. 1, p. 23-33, 1999.

PACHECO, Maira Haase. Distrofia e degeneração de córnea em pequenos animais: revisão de literatura. 2014. Trabalho de conclusão de graduação. Faculdade de Veterinária Universidade Federal do Rio Grande do sul. Porto Alegre, RS. 2014.

SARMIENTO QUINTANA, Diana. Estudio de la pigmentación corneal en perros de raza pug comparación de dos tratamientos tópicos: tacrolimus y sirolimus. 2017.

Recomendamos levar o seu pet a um médico veterinário para um diagnóstico preciso