Tudo sobre: Distúrbios da Articulação Temporomandibular

Introdução

As doenças que afetam a articulação temporomandibular (ATM) cursam com alterações na abertura da boca, uma vez que é a responsável por seus movimentos por meio da conexão da mandíbula com o crânio. As alterações traumáticas que resultam na luxação da ATM (perda da congruência articular) são menos comuns, pois esta região é protegida por musculatura forte. 

A displasia temporomandibular é uma doença de origem desconhecida, que acomete animais jovens/ adultos e é caracterizada por alterações anatômicas das estruturas articulares. Normalmente, as afecções da ATM cursam com travamento da boca, que se mantém aberta, impossibilitando o fechamento. 

Se um cão ou gato apresentar o travamento da mandíbula, mantendo a boca aberta, deve-se pesquisar por problemas na ATM. 

Os gatos são mais predispostos a apresentar luxação traumática, que pode acometer um ou os dois lados da articulação. Já a displasia da ATM é característica dos cães adultos jovens e, normalmente, os episódios de travamento ocorrem com certa frequência, aumentando a gravidade à medida que o animal cresce. No caso das deformidades anatômicas, como a displasia, as alterações ocorrem ao longo da vida do animal, que manifesta os sinais à medida que se desenvolve, por isso a displasia é considerada uma alteração do desenvolvimento. 

Na displasia da ATM, como sua origem é desconhecida, recomenda-se evitar a reprodução dos cães portadores, uma vez que o envolvimento genético e passagem de pais para filhos é uma hipótese.

Transmissão

-Não se aplica

Manifestações clínicas

- Travamento da mandíbula com a boca aberta

- Sialorreia

- Dor na manipulação local 

- Aumento de volume na região devido ao deslocamento ósseo

- Edema na região devido à inflamação de tecidos moles

Diagnóstico

Achados do exame físico associados ao histórico do paciente
- Inspeção criteriosa da cavidade oral, normalmente sob anestesia

- Radiografia do crânio

- Tomografia computadorizada

 Observação: A realização e a definição da necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a).

Tratamento

Nos casos de luxações traumáticas, é possível realizar a redução de forma fechada, ou seja, manualmente. Isso é possível quando não há o envolvimento de outras estruturas, nem fraturas concomitantes e quando o trauma é recente. Um profissional qualificado será capaz de diagnosticar o tipo de luxação, ou seja, para qual sentido houve deslocamento dos ossos, e reduzi-la, com o paciente anestesiado. A abordagem cirúrgica é recomendada nos casos crônicos e sem sucesso com a redução fechada. As técnicas incluem apenas o reposicionamento após acesso cirúrgico local ou até mesmo ressecção de uma parte óssea da articulação para permitir o máximo de movimentos de abertura de fechamento da boca.

O tratamento para a displasia da ATM também pode ser feito pela reposição manual da articulação quando há luxação desta, por manobras semelhantes às das luxações traumáticas. O tratamento cirúrgico muitas vezes é realizado quando foi feito um diagnóstico tardio da doença e a ATM já está muito afetada, sendo preconizadas as técnicas de ressecção óssea para permitir o mínimo de movimentação da boca e qualidade de vida do paciente.

Prevenção

Não permitir que os animais tenham acesso à rua ou a locais altos (principalmente gatos) evita significativamente a chance de sofrerem algum traumatismo. Para a displasia da ATM, é possível prevenir a evolução de um quadro muito grave, com atenção especial ao cão portador ao longo do seu desenvolvimento.

Referências Bibliográficas

DENNY, H.R.; BUTTERWORTH, S. J. 2006. Cirurgia Ortopédica em Cães e Gatos. 4ed., São Paulo: Roca, 504p.

FOSSUM, T.W. 2005. Management of Joint Diseases. In: Small Animal Surgery. St. Louis: Mosby, pp.943-957

WEIGEL, J.P.; DORN, A.S. Diseases of the jaws and abnormal occlusion. In Harvey CE - Veterinary dentistry. 1985 WB Saunders: Philadelphia, p106-114.

Recomendamos levar o seu pet a um médico veterinário para um diagnóstico preciso