Tudo sobre: Distúrbios da Unha

Introdução

A unha tem como função a proteção das extremidades dos dedos, é utilizada para defesa e como ferramenta para escavar. É composta por queratina dura produzida pelas células epiteliais da matriz ungueal. A unha pode ser acometida por diversos distúrbios de caráter inflamatório, infeccioso, traumático e neoplásico, além de distúrbios do crescimento.

A base da unha recebe vasos sanguíneos responsáveis por nutrir a região, inclusive as células que produzem a queratina. Traumas que ocasionam a quebra da unha na região vascularizada tendem a formar hemorragias profusas. O corte da unha realizada sem o devido cuidado também pode promover dor e hemorragia. Traumas na base da unha podem gerar insuficiência vascular ocasionando a queda da mesma. Esses traumas podem gerar inflamação local e infecção secundária por agentes bacterianos e fúngicos. 

Outra alteração que pode levar a traumas é o crescimento excessivo das unhas. Há diversas causas para o crescimento exacerbado das unhas, dentre as mais comuns destaca-se o não desgaste devido ao tipo de piso em que o animal vive. Pisos mais lisos reduzem o atrito da unha com o solo, diminuindo ou impedindo o desgaste. As unhas também podem crescer excessivamente em animais portadores de leishmaniose visceral, onde as formas parasitárias da leishmania se multiplicam nas células da região da matriz ungueal promovendo produção excessiva de queratina. Animais com hipertireoidismo também podem apresentar crescimento anormal das unhas devido ao aumento da atividade metabólica. As unhas de cães e gatos idosos podem apresentar crescimento exagerado devido à falta ou redução de atividades que promoveriam o desgaste. Traumas também podem levar a lesões na matriz que produz a unha levando ao crescimento anormal para dentro (unha encravada).

A inflamação ao redor da unha recebe o nome de paroníquia. A paroníquia tem como causa além de traumas, infecções bacterianas por S.aureus por exemplo, por fungos como a Candida sp , a Malassezia sp e o Microsporum sp, além de protozoários como a Leishmania sp. e causas imunomediadas (como no pênfigo, penfigóide e no lúpus em cães, e placas eosinofílicas em gatos). Uma importante patologia que pode promover inflamação na região da unha, e se constitui também uma importante zoonose, é a esporotricose que é uma doença causada por um fungo que habita naturalmente o solo e pode ser transmitida por arranhadura de animais ou em acidentes de jardinagem por exemplo. Outras doenças sistêmicas imunossupressoras também podem provocar alterações inflamatórias periungueais.

As neoplasias que mais acometem a região da unha, principalmente periungueal e subungueal são o carcinoma, o acantoma e o melanoma, sendo o melanoma subungueal uma neoplasia bastante agressiva, tanto em animais quanto em humanos e a intervenção deve ser rápida e ampla com amputação do dedo, extremidade ou membro.

Como os distúrbios ungueais tem causas das mais variadas, pode acometer animais de quaisquer idades, sexo ou raças.

Transmissão

-Dependente da causa do distúrbio

Manifestações clínicas

Sinais podem variar de acordo com a raça, pelagem, indivíduo e incluem:

-Dor local

-Dificuldade ou recusa em deambular

-Claudicação

-Lambedura compulsiva ou excessiva

-Alterações de coloração da unha

-Aumento de volume local (periungueal, em coxins e extremidade do membro afetado)

-Hemorragia na região

-Secreções periungueais

-Aumento da temperatura no local

-Edema

-Deformidade da unha

-Desprendimento da unha

-Odor fétido

Diagnóstico

Associação de sinais clínicos, epidemiologia e exames laboratoriais.

Exames que o médico veterinário pode solicitar:

-Citopatológico

-Biopsia e histopatológico

-Hemograma

-Teste para FIV e FeLV

-Cultura bacteriana

-Cultura fúngica

-Radiografia

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a).

Tratamento

A pesquisa da causa base é essencial para o sucesso do tratamento. A viabilidade da unha deve ser avaliada e pode ser necessária remoção cirúrgica. Para distúrbios infecciosos, lança-se mão de antimicrobianos locais como antibióticos ou antifúngicos. Causas sistêmicas devem ser tratadas, bem como a pesquisa de doenças auto-imunes, para realização de manejo adequado. Nas neoplasias, o exame histopatoĺogico trará informações sobre o tipo de tumor auxiliando na escolha do tratamento que pode ser a remoção cirúrgica ou tratamentos mais conservativos, como eletroquimioterapia e crioterapia.

Prevenção

O tutor deve ter como rotina inspecionar as unhas de seu pet. Gatos podem ser manejados desde filhotes com a exposição das unhas, assim o manejo será facilitado. Animais que cavam muito podem ter mais predisposição a ter distúrbios ungueais, então o cuidado deve ser redobrado. Animais obesos podem apresentar sobrecarga nas unhas ou distribuição irregular de peso sobre as mesmas. Manter o peso adequado para cada animal é importante para a saúde global.

A apara das unhas deve ser cuidadosa. Nas unhas claras, pode-se observar a região vascularizada que se apresenta ligeiramente rosada e que, se atingida, provocará dor e sangramento. O ângulo de corte é outro fator a ser ponderado para que não haja desconforto no animal. É importante sempre seguir as orientações do médico veterinário para a necessidade de aparar as unhas de cães e gatos.

Referências Bibliográficas

MORAILLON, R.; LEGEAY, Y.; BOUSSARIE, D.; SÉNÉCAT, O. Manual Elsevier de Veterinária. Diagnóstico e tratamento de cães, gatos e animais exóticos. Editora Elsevier Masson, 7 ed., p. 567, 898, 1012,1013, Rio de Janeiro, 2013.

RHODES, K.H. Pododermatites e distúrbios da unha. Em: Dermatologia em Pequenos Animais. Ed. Roca, 2 ed., p. 531-542, 2014.

LITTLE, S.E. O Gato Medicina Interna. Ed. Guanabara Coogan, 1 ed., p. 1655, 1866-1867, Rio de Janeiro, 2015.

SANTOS, R.L.; ALESSI, A.C. Patologia Veterinária. Ed. Guanabara Koogan, 2 ed., p. 635,0693-707, 736. Rio de Janeiro, 2016.

Recomendamos levar o seu pet a um médico veterinário para um diagnóstico preciso