Tudo sobre: Doença Idiopática do Trato Urinário Inferior dos Felinos

Introdução

A doença idiopática do trato urinário inferior felino, também denominada cistite idiopática, cistite intersticial ou síndrome urológica felina, abrange diversas patologias que afetam a bexiga e a uretra nas quais a causa é desconhecida. 

A doença é caracterizada por hematúria (sangue na urina), disúria (dificuldade para urinar), estrangúria (eliminação lenta e dolorosa de urina), polaciúria (aumento da frequência de micções com diminuição do volume da urina), periúria (micção em locais inapropriados), alterações comportamentais, lambedura do pênis e presença ou não de obstrução uretral.

Pode ocorrer em felinos de qualquer idade ou sexo, porém acomete principalmente gatos machos, castrados, sedentários, obesos, jovens a meia-idade, domiciliados, que comem ração seca e ingerem pouca água. Gatos da raça Persa e Himalaio apresentam alguma predisposição genética. É incomum em gatos com menos de um ano e com mais de 10 anos de idade. A forma obstrutiva é mais comum em gatos machos castrados, enquanto que a não-obstrutiva acomete fêmeas e machos com igual frequência, porém, animais castrados são mais predispostos.

Como a causa da doença é multifatorial e complexa, o diagnóstico torna-se difícil. A doença pode resultar de infecções bacterianas, fúngicas ou parasitárias, de anormalidades anatômicas das vias urinárias, de cálculos urinários e tampões uretrais, de neoplasias, traumas, entre outras causas. 

Quando ocorre obstrução uretral, deve ser tratada como uma situação de emergência, pois esta pode levar a distúrbios renais, hidroeletrolíticos e ácido-base, e se o animal não for desobstruído, pode levá-lo à morte. Enquanto que a DTUIF não obstrutiva é autolimitante. 

O prognóstico é bom quando não ocorre obstrução, pois os sintomas podem se resolver espontaneamente sem causar riscos ao animal. Porém, quando ocorre obstrução o prognóstico pode variar de reservado a mau, devido às alterações sistêmicas.

Transmissão

-Idiopática

Manifestações clínicas

-Hematúria 

-Disúria

-Estrangúria

-Polaciúria

-Periúria

-Alterações comportamentais

-Lambedura do pênis

-Vocalização excessiva

-Agressividade

-Letargia

-Êmese

-Depressão

-Diarreia

Diagnóstico

-Associação da anamnese, histórico e exame físico

-Urinálise

-Hemograma completo

-Exames bioquímicos (uréia, creatinina, potássio, glicose, cálcio, cálcio ionizado, fósforo, proteínas totais e PTH)

-Gasometria

-Eletrocardiograma

-Urocultura e antibiograma

-Análise de cálculo urinário

-Radiografia abdominal (simples e contrastada) 

-Ultrassonografia abdominal 

-Uroendoscopia

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do Médico Veterinário.

Tratamento

O tratamento irá variar com a causa da doença, se é a primeira vez que ocorre ou se é uma recidiva, se há obstrução e os sinais clínicos. Gatos que não apresentam obstrução tornam-se assintomáticos em um intervalo de cinco a sete dias, com ou sem tratamento.

  • Tratamento do felino não obstruído: consiste na redução do estresse, alteração da dieta, aumento da ingestão hídrica, manejo ambiental e acupuntura, caso estes não dêem certo, intervenção medicamentosa deve ser instituída. Além disso, deve ser reposto glicosaminoglicano para proteção da mucosa vesical. Antiinflamatórios e analgésicos podem ser utilizados para controle da dor. Antibioticoterapia deve ser instituída de acordo com o resultado da urocultura. O uso de antidepressivos têm apresentado ações anticolinérgicas, antiinflamatórias, analgésicas e antidepressivas. 
  • Tratamento do felino obstruído: antes da desobstrução é necessário fazer a correção da hipercalemia, da desidratação e desequilíbrios eletrolíticos e ácido-base. Em seguida,deve realizar a desobstrução e restabelecimento do fluxo urinário. Quando os protocolos clínicos não dão certo, é necessário o tratamento cirúrgico.

Prevenção

Para prevenir a ocorrência da doença, recomenda-se evitar situações de estresse, instituir uma alimentação balanceada com controle de minerais e de pH urinário, estimular a ingestão de água, realização de exercícios periódicos e correção da obesidade e manejo das caixas de areia.

  • As caixas de areia devem ser limpas periodicamentes, além disso, deve ter mais caixas do que o número de gatos.
  • Vasilhas com água limpa devem estar disponíveis. O uso de fontes de água ou o ato de colocar um espelho no fundo da vasilha podem estimular o animal a ingerir maior volume de água.
  • Enriquecimento ambiental estimula o gato a praticar atividades, assim, túneis, estruturas para escalar, prateleiras e arranhadores podem diminuir o estresse do animal.
  • Instituição de dieta úmida, de forma gradual, para aumentar o volume de água ingerida. Além disso, deve ser utilizado rações que diminuem a formação de cristais de estruvita.

Referências Bibliográficas

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CRIVELLENTI, L. Z.; BORIN-CRIVELLENTI, S. Casos de rotina em medicina veterinária de pequenos animais.2 Ed. São Paulo: Editora MedVet, 2015. 

ENDO, R. M.; LINZMEIER, G. L.; LOT, R. F. E. Doença Idiopática do Trato Urinário Inferior dos Felinos.Revista Científica Eletrônica de Medicina Veterinária. n. 12, Ano VII, Jan. 2009.

LENZI, N. Z. Doença do trato urinário inferior de felinos. 2015. 26 f. Monografia (Especialização em Clínica Médica e Cirúrgica de Pequenos Animais)- Fundação Educacional Jayme de Altavila. Porto Alegre, Rio Grande do Sul, 2015.

MARTINS, G.S; MARTINI, A.C; MEIRELLES, Y.S DUTRA,V; et al. Avaliação clínica, laboratorial e ultrassonográfica de felinos com doença do trato urinário inferior. Ciências Agrárias, Londrina, v. 34, n. 5, p. 2349-2356, set./out. 2013.

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