Tudo sobre: Doença Renal Policística

Introdução

A doença renal policística ou rins policísticos é uma enfermidade congênita (o animal nasce com a doença) e hereditária, caracterizada pelo desenvolvimento de cistos renais que resultam em doença renal crônica (DRC). Os cistos são estruturas esféricas, de tamanhos variados, que possuem parede fina e são preenchidos por fluido claro e seroso.

Acomete cães, gatos, cabras, suínos, roedores e seres humanos. As raças de cães mais predispostas são Bull Terrier, Cairn Terriers, West Highland White Terrier e gatos Persa ou mestiços de Persa. Não há predisposição sexual. É uma patologia comum em felinos e incomum em cães. Em alguns casos, os felinos podem desenvolver cistos no fígado e no baço.

Animais jovens podem apresentar cistos, porém, os sinais clínicos não aparecem antes da meia idade. Como os sinais clínicos são tardios, o diagnóstico geralmente é incidental por meio de palpação abdominal, na qual nota-se o aumento de tamanho dos rins, ou pela visualização dos cistos durante a ultrassonografia abdominal. 

Quando o acometimento é unilateral, os animais podem não apresentar sinais clínicos, mas quando ambos os rins estão acometidos, o animal apresenta sinais de doença renal crônica, como aumento da ingestão de água, aumento do volume de urina, vômito, diarreia, halitose, ulcerações orais, letargia, perda de peso, entre outros. 

Quando os cistos são infectados, o animal pode apresentar febre, leucocitose (aumento do número de leucócitos circulante) e piúria (presença de leucócitos na urina).

A ultrassonografia permite o diagnóstico precoce da doença, de forma a descobrir a patologia antes do desenvolvimento de doença renal crônica, contribuindo para um prognóstico melhor. A descoberta precoce auxilia na qualidade e aumento da expectativa de vida do paciente.

Transmissão

-Congênita

-Hereditária

Manifestações clínicas

-Poliúria

-Polidipsia

-Hematúria

-Halitose

-Úlceras orais

-Necrose lingual, gengivais e palatina

-Hiporexia

-Anorexia

-Letargia

-Êmese

-Diarreia

-Perda de peso

-Perda de massa muscular

-Noctúria

-Fraqueza muscular

-Crescimento retardado

-Convulsão

-Cegueira aguda

-Pelame opaco

-Palidez de mucosas

-Hipertensão

-Renomegalia

-Distensão abdominal

-Febre 

Diagnóstico

-Anamnese, histórico e exame clínico

-Ultrassonografia abdominal

-Radiografia abdominal

-Tomografia computadorizada

-Urografia excretora

-Urinálise

-Hemograma completo

-Exames bioquímicos (ureia, creatinina, fósforo, proteína total, albumina, cálcio, sódio, potássio, cloreto, cálcio ionizado, lactato, amilase, lipase e colesterol)

-Hemogasometria

-PCR

-Cultura (urinária e/ ou do líquido cístico)

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a).

Tratamento

Não há cura e não há tratamento específico, assim, a doença deve ser tratada de acordo com o estágio da doença renal crônica. De forma geral, a terapia terá como foco: 

-Manutenção hídrica: Suporte com fluidoterapia intravenosa (durante internação) ou subcutânea (em casa) e acesso livre a água

-Evitar uso de drogas nefrotóxicas

-Correção das anormalidades eletrolíticas e desequilíbrio ácido-base: uso de fluidoterapia específica, manejo dietético e uso de fármacos específicos

-Manejo dietético: restrição de proteína, sódio e fósforo. Recomenda-se o uso de dietas palatáveis e de alta digestibilidade, algumas técnicas como umidificar e aquecer o alimento podem torná-lo mais apetitoso. Há muitas dietas comerciais disponíveis no mercado que podem ser indicadas pelo(a) Médico(a) Veterinário(a) responsável pelo caso

-Controle da hipertensão: uso de inibidores da ECA e quando necessário bloqueador do canal de cálcio

-Uso de ômega-3: ação protetora dos rins

-Uso de antieméticos e protetores gástricos

-Manejo da anemia: suplementação com ferro, reposição com eritropoetina e transfusão sanguínea, quando necessário

-Hemodiálise

Quando os animais apresentarem dor, podem ser utilizados analgésicos conforme o necessário e prescrito pelo(a) Médico(a) Veterinário(a). Caso haja infecção do trato urinário, deve ser realizada antibioticoterapia, conforme o resultado da cultura de urina e/ ou líquido cístico. Os cistos podem ser drenados com o intuito de aliviar o desconforto do paciente.

Prevenção

Por ser um distúrbio hereditário, recomenda-se a realização de um estudo do pedigree e retirada dos animais afetados da reprodução para que eles não passem o gene carreador da doença para a progênie, perpetuando a deficiência por gerações.

Recomenda-se que os pais e os outros animais da ninhada sejam avaliados por meio de ultrassonografia para verificar a possibilidade de ocorrência da doença. O mesmo se aplica às raças com maior predisposição.

Referências Bibliográficas

CHEW, D. J., DIBARTOLA, S. P., SCHENCK, P. A. Canine and feline nephrology and urology. 2 ed. St. Loius, Missouri: Elsevier Saunders, 2011.

CRIVELLENTI, L. Z.; BORIN-CRIVELLENTI, S. Casos de rotina em medicina veterinária de pequenos animais. 2 Ed. São Paulo: Editora MedVet, 2015. 

FERREIRA, G. S.; GALVÃO, A. L. B.; SOCHA, J. J. M. Atualização em doença renal policística felina. Acta Veterinaria Brasilica, v.4, n.4, p.227-232, 2010.

O’LEARY, C. A.; GHODDUSI, M.; HUXTABLE, C. R. Renal pathology of polycystic kidney disease and concurrent hereditary nephritis in Bull Terriers. Aust Vet J, v. 80, n. 6, Jun. 2002.

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