Tudo sobre: Doenças Renais Congênitas

Introdução

Doenças congênitas são aquelas em que o animal nasce com a doença, podendo esta ser decorrente de fatores genéticos (doença familiar) ou consequência de interferência ambiental durante o desenvolvimento do feto ou o nascimento. As doenças renais congênitas são menos comuns do que as doenças renais adquiridas. Acometem cães e gatos, porém nestes são menos frequentes.

As principais patologias renais congênitas em cães e gatos são displasia renal, glomerulopatia familial, amiloidose, rins policísticos e Síndrome de Fanconi. A maioria dessas doenças resulta em doença renal crônica (DRC) quando os animais ainda são jovens (com aproximadamente cinco anos de idade), enquanto outras resultam em defeitos tubulares renais ou anormalidades morfológicas. A gravidade e a progressão variam de acordo com a doença, a maioria é fatal e a terapia se limita ao tratamento médico conservador.

As principais raças de cães predispostas são Shar pei, Lhasa apso, Shih tzu, Chow Chow, Schnauzer, Golden Retriever, Boxer, Pastor Alemão, Bull Terrier, entre outras e de gatos as raças Persa, Abissínio, Siamês, Ragdoll, Birmanês, Maine Coon e Azul Russo. Geralmente não há predisposição sexual. Apesar do animais nascerem com a doença, os sinais clínicos podem surgir apenas quando são adultos.

Os sinais clínicos apresentados geralmente são os mesmos que na DRC, aumento da ingestão de água, aumento do volume de urina, vômito, diarreia, halitose, ulcerações orais, letargia e perda de peso. Assim, doença renal congênita/ familiar deve ser suspeitada sempre que ocorrer DRC em filhotes e jovens-adultos.

O diagnóstico definitivo é obtido pela biópsia renal, porém esta só deve ser realizada nos casos em que o resultado poderá alterar o tratamento e/ ou o prognóstico.

Transmissão

-Congênita

-Hereditária

Manifestações clínicas

-Poliúria

-Polidipsia

-Hematúria

-Halitose

-Úlceras orais

-Necrose lingual, gengivais e palatina

-Hiporexia

-Anorexia

-Letargia

-Êmese

-Diarreia

-Perda de peso

-Perda de massa muscular

-Noctúria

-Fraqueza muscular

-Crescimento retardado

-Convulsão

-Cegueira aguda

-Pelame opaco

-Palidez de mucosas

-Hipertensão

-Ventroflexão cervical

-Mandíbula de borracha

Diagnóstico

-Associação da anamnese, histórico e exame clínico

-Hemograma completo

-Exames bioquímicos (ureia, creatinina, fósforo, proteína total, albumina, cálcio, sódio, potássio, cloreto, cálcio ionizado, lactato, amilase, lipase e colesterol)

-Hemogasometria

-Urinálise

-SDMA

-UPC

-Radiografia abdominal

-Ultrassonografia abdominal

-Biópsia renal

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a).

Tratamento

Não há cura e não há tratamento específico, assim, a maior parte dos casos é tratado como doença renal crônica. De forma geral, a terapia terá como foco: 

-Manutenção hídrica: Suporte com fluidoterapia intravenosa (durante internação) ou subcutânea (em casa) e acesso livre a água.

-Evitar uso de drogas nefrotóxicas

-Correção das anormalidades eletrolíticas e desequilíbrio ácido-base: uso de fluidoterapia específica, manejo dietético e uso de fármacos específicos

-Manejo dietético: restrição de proteína, sódio e fósforo. Recomenda-se o uso de dietas palatáveis e de alta digestibilidade, algumas técnicas como umidificar e aquecer o alimento podem torná-lo mais apetitoso. Há muitas dietas comerciais disponíveis no mercado que podem ser indicadas pelo(a) Médico(a) Veterinário(a) responsável pelo caso

-Controle da hipertensão: uso de inibidores da ECA e quando necessário bloqueador do canal de cálcio

-Uso de ômega-3: ação protetora dos rins

-Uso de antieméticos e protetores gástricos

-Manejo da anemia: suplementação com ferro, reposição com eritropoetina e transfusão sanguínea, quando necessário

-Hemodiálise

-Síndrome de Fanconi: o foco do tratamento é a suplementação de aminoácidos, vitaminas e minerais, uma vez que estes são perdidos pela urina

Observação: A maior parte da terapia será realizada em casa pelos tutores de acordo com as orientações do(a) Médico(a) Veterinário(a) responsável pelo caso. É necessário acompanhamento periódico para avaliação da função renal, da terapia e estadiamento da doença.

Prevenção

Nos casos em que a doença tem causa hereditária, a prevenção irá se basear na retirada dos animais afetados da reprodução para que eles não passem o gene carreador da doença para a progênie, perpetuando a deficiência por gerações.

Um acompanhamento veterinário adequado do animal, desde filhote, poderá identificar possíveis problemas renais precocemente, de forma que a intervenção terapêutica possa retardar a progressão da DRC, melhorar a condição clínica do paciente e o prognóstico da doença.

Referências Bibliográficas

CHEW, D. J., DIBARTOLA, S. P., SCHENCK, P. A. Familial renal disease of dogs and cats. In: ___. Canine and feline nephrology and urology. 2 ed. St. Loius, Missouri: Elsevier Saunders, 2011, cap. 5, p. 197-217.

CRIVELLENTI, L. Z.; BORIN-CRIVELLENTI, S. Casos de rotina em medicina veterinária de pequenos animais.2 Ed. São Paulo: Editora MedVet, 2015. 

LESS, G. E. Congenital Renal Diseases. Veterinary Clinics of North America: Small. Animal Practice. v. 26, n. 6, p. 1379-1399, Nov 1996.

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