Tudo sobre: Encefalite necrosante

Introdução

A encefalite necrosante caracteriza-se por uma doença inflamatória idiopática (sem causa definida) do Sistema Nervoso Central (SNC). Anteriormente acreditava-se que a encefalite necrosante acometia somente cães da raça Pug, sendo chamada por muitos anos de Encefalite do cão Pug, porém, ao verificar que outras raças também podem ser afetadas, foram propostos os termos “meningoencefalite necrosante” (MEN) e a “leucoencefalite necrosante” (LEN). 

A MEN corresponde a uma meningoencefalite (inflamação das meninges e encéfalo) não supurativa e de característica necrosante (morte do tecido) que ocorre predominantemente na região tálamo-cortical. Acomete com maior frequência cães de pequeno porte como Pug, Yorkshire Terrier, Maltês, Chihuahua, Shih tzu, Pequinês e Lhasa Apsos. Não há predisposição em relação ao gênero e, embora possa afetar cães de qualquer idade, os sinais clínicos surgem em uma idade média de 18 meses nos Pugs e 29 meses nas demais raças.

A LEN é uma encefalite necrosante multifocal e não supurativa, cujas lesões ocorrem predominantemente na substância branca (“leuco”) do cérebro, tálamo e tronco cerebral. Acomete principalmente cães da raça Yorkshire Terrier, ocorrendo com menor frequência em Buldogue Francês, Shih Tzu e Maltês. A idade média para o surgimento das manifestações clínicas é de 4,5 anos (variando de quatro meses a 10 anos) e tanto machos quanto fêmeas podem ser afetados.

Transmissão

-Não se aplica

Manifestações clínicas

Os sinais clínicos dependem tanto da localização quanto da gravidade do processo inflamatório e os danos causados ao parênquima.

- Alterações comportamentais

- Convulsões 

- Andar em círculos 

- Cegueira

- Letargia

- Depressão 

- Ataxia

- Déficits proprioceptivos

- Alterações cerebelares e vestibulopatia central

- Óbito

Diagnóstico

Associação entre história clínica, exames físico e complementares. Exames que o(a) Médico(a) Veterinário(a) pode solicitar/ realizar:

- Hemograma

- Perfil bioquímico

- Urinálise

- Tomografia computadorizada 

- Ressonância Magnética

- Radiografia torácica (monitorar doençAs sistêmicas)

- Ultrassonografia abdominal (monitorar doençAs sistêmicas)

- Coleta líquido cefalorraquidiano (LCR)

- Cultura do LCR

- Imuno-histoquímica

- Reação em cadeia da polimerase (PCR)

- Biópsia 

- Post mortem (necropsia)

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a).

Tratamento

Não há tratamento específico conhecido, mas recomenda-se uso de corticóides e de terapia controle para os quadros convulsivos. Os corticóides proporcionam melhora temporária por reduzir as reações inflamatórias e minimizar os sinais clínicos e podem ser associados a outras medicações imunossupressoras. Entretanto, é importante que o(a) responsável esteja ciente de que os efeitos colaterais dos corticóides podem limitar seu uso e que o prognóstico a longo prazo é reservado a ruim.

Prevenção

- Não há medidas preventivas para a ocorrência de encefalite necrosante.

Referências Bibliográficas

COSTA, Ronaldo C. Meningoencefalites não-infecciosas. Disponível em: <http://neuronaldo.com.br/wp-content/uploads/2013/07/Meningoencefalites_nao_infecciosas.pdf>. 

NELSON, Richard; COUTO, C. Guillermo. Medicina Interna de Pequenos Animais. Ed. Elsevier, ed. 5, cap. 40, 2015.

JERICÓ, Márcia Marques; KOGIKA, Márcia Mery; DE ANDRADE NETO, João Pedro. Tratado de medicina interna de cães e gatos. Grupo Gen-Guanabara Koogan, 2015.

ROMÃO, F. G. et al. Encefalite do cão Pug: Relato de Caso. Veterinária e Zootecnia, v. 17, n, 1, p. 37-42, mar. 2010.

TILLEY, Larry P.; JUNIOR, F. W. K. S. Consulta Veterinária em cinco minutos: Espécies canina e felina. Ed. Manole, ed. 5, p. 656-657.

Recomendamos levar o seu pet a um médico veterinário para um diagnóstico preciso