Tudo sobre: Endocardite infecciosa

Introdução

A endocardite infecciosa é uma doença caracterizada pela infecção da superfície endotelial cardíaca ou das válvulas cardíacas, podendo ser causada por agentes patológicos, sendo comumente causada por bactérias. Quando isso ocorre, ela é denominada “endocardite bacteriana”. Raramente a endocardite pode ser causada por fungos. Pode ocorrer tanto em cães quanto em gatos, porém, é pouco frequente em ambas espécies, sendo ainda menos comum em felinos. O grupo mais comumente acometido entre os caninos são os cães machos de raças de grande porte, tais como Rottweiler, Pastor Alemão, Dogue Alemão e Boxer. A doença é mais comum em pacientes idosos. A porção mais comumente acometida é o lado esquerdo do coração, composto em parte pelas valvas mitral e aórtica. Estas podem ser acometidas separadamente ou ao mesmo tempo.

Para que a endocardite ocorra, é necessário que o animal apresente um quadro clínico denominado de bacteremia, que nada mais é do que a presença de bactérias na corrente sanguínea. Ou seja, qualquer processo não asséptico, como uma lesão de pele, que possa funcionar como porta de entrada de bactérias no sangue, pode resultar em endocardite bacteriana. Porém, as chances da endocardite bacteriana ocorrer é maior quando existe uma alta carga bacteriana, ou quando os microorganismos envolvidos são altamente virulentos. Pacientes que têm doenças cardíacas apresentam um aumento do fluxo sanguíneo, que é caracterizado por turbulência. Ambos podem resultar em danos mecânicos do endocárdio, que resultam em produção de fibrina e aumento a agregação de plaquetas. As bactérias presentes na circulação sanguínea aderem-se facilmente à matriz formada por plaquetas e fibrina, e algumas produzem substâncias que danificam diretamente a superfície endotelial. O paciente acometido geralmente apresenta sinais clínicos inespecíficos de infecção, o que dificulta o diagnóstico. 

Existem três formas de endocardite infecciosa, sendo elas a aguda, subaguda e crônica. A primeira pode resultar na morte do animal em poucos dias e ocorre devido a uma alta carga bacteriana em valvas cardíacas normais, enquanto que as formas subaguda e crônica evoluem por semanas ou até meses, ocorrendo quando as valvas cardíacas já apresentam algum tipo de lesão pré-existente. Porém, a degeneração mixomatosa da válvula mitral não apresentou maior risco para o desenvolvimento de endocardite infecciosa em cães nos estudos realizados. 

Uma complicação comum da endocardite infecciosa é a insuficiência cardíaca congestiva, que resulta em congestão e edema pulmonar. Outro agravamento da endocardite infecciosa é a liberação de êmbolos, sendo que os micro êmbolos podem envolver principalmente os rins e o baço, podendo envolver também o cérebro e o coração. Macro êmbolos podem causar oclusão de grandes vasos, resultando em infarto de diversos órgãos. 

Transmissão

-Não se aplica

Manifestações clínicas

- Pirexia 

- Apatia

- Dispneia

- Letargia

- Fraqueza

- Perda de peso

- Sopro cardíaco 

- Intolerância ao exercício

- Dor abdominal

- Sinais gastrointestinais 

- Paralisia de membros pélvicos 

- Claudicação

Diagnóstico

Associação da anamnese detalhada ao exame físico e complementares pelo(a) médico(a) veterinário(a). Geralmente os animais apresentam histórico de infecções recentes ou de submissão recente a procedimentos diagnósticos ou terapêuticos invasivos, tais como cirurgias. Exames que podem ser solicitados:

- Hemograma 

- Bioquímica sanguínea 

- Hemocultura e antibiograma 

- Ecocardiograma

- Radiografia torácica

Observação: A realização e a definição da necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a). 

Tratamento

A terapia é caracterizada pela utilização de antibióticos selecionados de acordo com o resultado do antibiograma por um período longo de tempo. Como os princípios terapêuticos incluem a administração de antibióticos bactericidas que penetrem na fibrina, excluem-se as sulfonamidas. Até que se tenha o resultado da hemocultura, inicialmente são utilizados antibióticos de amplo espectro. É recomendado que pelo menos durante a primeira semana seja utilizada a via intravenosa para a administração de antibioticoterapia. 

A insuficiência cardíaca congestiva, arritmia e desidratação também devem ser tratadas. O estado nutricional deve ser avaliado e, caso necessário, deve ser realizada terapia nutricional. 

O prognóstico de endocardite bacteriana varia de reservado a ruim, sendo avaliado por meio do ecocardiograma. Aproximadamente 50% dos animais diagnosticados com endocardite bacteriana acabam vindo à óbito devido a doença. 

Prevenção

A única forma de prevenção é a realização de antibioticoterapia profilática antes da realização de alguns tipos de procedimentos cirúrgicos, tais como procedimentos odontológicos que causem sangramento gengival, cirurgia do trato gastrointestinal, entre outros. 

Referências Bibliográficas

MELANCHAUSKY, M, S; ENDOCARDITE INFECCIOSA EM PEQUENOS ANIMAIS; Botucatu, 2011. 

Augusto, L, S, F; Lemos, N, M, O; Alberigi, B; Endocardite Infecciosa em cães: Revisão; PUBVET; v.13, n.6, a348, 0.1-9, Jun.,2019.

VENTURA, F,V,C; OLIVEIRA, S, T; ETIOLOGIA E TERAPIA DAS ENDOCARDITES BACTERIANAS EM CÃES - REVISÃO; Arq. Ciênc. Vet. Zool. UNIPAR, Umuarama, v. 14, n.2, p. 145-150, jul./dez. 2011

Recomendamos levar o seu pet a um médico veterinário para um diagnóstico preciso