Tudo sobre: Enteropatia inflamatória

Introdução

Também conhecida como Doença Inflamatória Intestinal (DII), enteropatia inflamatória é uma doença intestinal crônica caracterizada por distúrbios gastrointestinais com sinais clínicos persistentes e recorrentes com evidências de inflamação da mucosa.

Antes de fechar o diagnóstico, o(a) clínico(a) deve excluir outras causas de inflamação do intestino como: agentes infecciosos (bactérias, fungos, protozoários, vírus e vermes), corpos estranho, neoplasias, enteropatia responsiva aos antibióticos, enteropatia responsiva à dieta, linfangiectasia, malformações anatômicas intestinais, insuficiência pancreática exócrina, bem como doenças não gastrointestinais.

A origem da enteropatia inflamatória não é bem esclarecida, mas aparentemente envolve uma interação complexa entre a genética do hospedeiro, seu microambiente intestinal (microbiota e constituintes da dieta), seu estado imunológico e os deflagradores de inflamações intestinais presentes no ambiente.

É mais comum em animais de meia-idade (por volta de seis anos), mas pode ocorrer em animais mais jovens. Não há predisposição sexual. Embora a causa genética não tenha sido elucidada, algumas raças de cães parecem ser mais suscetíveis. Há relatos da ocorrência na raça Basenji - enteropatia imunoproliferativa -, no Wheaten Terrier - enteropatia com perda de proteína e nefropatia com perda de proteína -, e do Boxer - colite ulcerativa histiocítica, a qual já se encontra descrita em outras raças como Buldogue Francês, Doberman, Pinscher, Mastiff e Malamute do Alasca. Outras raças que parecem ter maior predisposição à essa alteração são Pastor Alemão, Shar pei, Rottweiler e Shiba.

Pode afetar qualquer segmento tanto do intestino delgado como do intestino grosso. Geralmente envolve lesões difusas na mucosa, mas pode causar alterações focais ou segmentares.

Transmissão

- Não se aplica

Manifestações clínicas

Sinais inespecíficos (isolados ou em conjunto):

  • Diarreia
  • Emagrecimento
  • Êmese
  • Tenesmo
  • Disquezia
  • Melena
  • Edema
  • Dispneia
  • Distensão Abdominal
  • Desidratação
  • Caquexia

Diagnóstico

Associação de sinais clínicos, epidemiologia e exames laboratoriais.

Exames que o(a) médico(a) veterinário(a) pode solicitar:

  • Coprocultura (Cultura de Fezes)
  • Hemograma completo
  • Radiografia abdominal
  • Ultrassonografia abdominal
  • Endoscopia digestiva alta
  • Colonoscopia
  • Biópsia intestinal
  • Urinálise simples
  • ACTH
  • T4 livre
  • TSH
  • Colesterol total e fracionado
  • Cálcio
  • Ácido Fólico (Folato)
  • Albumina
  • Vitamina B12 (Cianocobalamina)
  • Proteínas totais + Frações
  • ALT - TGP
  • AST - TGO
  • Fosfatase alcalina (F.A)
  • Glicose
  • Ureia
  • Creatinina
  • Sódio
  • Potássio
  • Cultura com Antibiograma Combinado (Anaeróbios + Aeróbios)
  • Perfil Doenças Entéricas (PCR) Cinomose e Parvovirose em cães 

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a). 

Tratamento

O tratamento será estabelecido de acordo com a gravidade dos sinais clínicos, os achados laboratoriais e após a avaliação sistemática do(a) clínico(a). O prognóstico pode variar conforme o caso. 

A estratégia envolverá uma combinação entre a modificação na dieta (dieta hidrolisada, hipoalergênica restritiva ou de eliminação) do paciente em conjunto com a terapia antibacteriana (para combater infecções bacterianas oportunistas) e imunossupressiva (para controlar o processo inflamatório). 

Como os agentes deflagradores podem ser inúmeros e não há um protocolo já determinado na literatura científica, pode haver certa dificuldade no controle da doença, o que exige do(a) médico(a) veterinário(a) clínico(a) um olhar atento para adequar o tratamento conforme a resposta do paciente e a paciência do(a) tutor(a) até alcançarem o resultado esperado.

Em alguns casos, dependendo do estado geral do paciente e sua possível debilitação, a fluidoterapia e a nutrição parenteral podem ser necessárias para fornecer os nutrientes essenciais para manutenção das condições fisiológicas.

Prevenção

Não há uma prevenção específica que impeça o desenvolvimento da enteropatia inflamatória, uma vez que sua origem normalmente pode estar vinculada a diversos fatores, inclusive genéticos. Dessa forma, é importante que em casos de compra de filhotes, os(as) tutores(as) adquiram os animais de criatórios registrados e responsáveis idôneos que tenham um bom controle sanitário do plantel de matrizes e padreadores. O histórico de saúde dos pais da ninhada é fundamental justamente para avaliar possíveis doenças que possam ser herdadas pelos filhotes. No caso de animais adotados, cuja procedência é desconhecida, é difícil fazer esse tipo de previsão. 

É de responsabilidade do(a) tutor(a) os cuidados básicos para o bem-estar e saúde de seus animais, podendo assim, evitar situações que prejudiquem a saúde intestinal como um todo. A princípio, deve-se focar no fornecimento de uma alimentação equilibrada, balanceada e de boa qualidade para que não haja excessos ou faltas para o animal. Em segundo lugar, manter sempre as consultas, vacinas e vermífugos em dia. O acompanhamento periódico com o(a) médico(a) veterinário(a) garante que seu animal esteja amparado e facilita o diagnóstico precoce caso haja alguma enfermidade.

Jamais medicar o animal por conta própria sem a orientação de um(a) médico(a) veterinário(a), principalmente com antibióticos ou outros medicamentos de uso humano. A utilização indevida desses fármacos pode destruir a flora intestinal normal do animal, permitindo a invasão de bactérias oportunistas e desencadeando processos inflamatórios severos, além de muitos serem potencialmente tóxicos tanto para cães quanto para gatos.

Por último, ao observar qualquer mudança de comportamento ou aparecimento de sinais clínicos, o(a) tutor(a) deve procurar atendimento médico o mais rápido possível.

Referências Bibliográficas

CERQUETELLA, M. et al. Inflammatory bowel disease in the dog: differences and similarities with humans. World Journal of Gastroenterology, 16(9), 1050-1056. 2010

GAMEIRO, A. C. P. Estudo das doenças do intestino do cão e do gato diagnosticados por histopatologia. Dissertação (Mestrado) - Curso de Mestrado Integrado em Medicina Veterinária conferido pela Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias. Lisboa, 2016.

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