Tudo sobre: Epididimite

Introdução

A epididimite é um processo inflamatório do epidídimo, um ducto que coleta, armazena e transporta os espermatozóides produzidos pelos testículos. Trata-se de um ducto fino e muito longo, porém permanece contorcido, tendo um aspecto emaranhado. Devido a essa proximidade com os testículos, normalmente a inflamação acomete as duas estruturas ao mesmo tempo, havendo a epididimite concomitantemente à orquite. Nestes casos, o agente causador do problema, seja químico, físico ou biológico, pode acometer individualmente um dos dois órgãos, mas com o curso do processo inflamatório, ambos tornam-se problemáticos. O complexo orquite-epididimite é mais comum em cães do que em gatos. 

Epididimites infecciosas podem ser causadas por agentes que chegam pela corrente sanguínea, pelo trato urinário ou por penetração direta (traumas, aplicações medicamentosas). Outra causa de infecção do epidídimo é a brucelose, comum em cães, que corresponde a uma zoonose com predileção pelo sistema genital. Porém, a causa mais comum de epididimite é traumática e está altamente relacionada aos animais semi-domiciliados e errantes que se envolvem em brigas quando estão sozinhos na rua. Aplicações tópicas, embora incomuns, causam reação inflamatória intensa nessa região e podem tornar o animal infértil, como ocorre nos casos de castrações químicas, com aplicações intratesticulares. 

É uma afecção de curso doloroso e que altera a produção de espermatozóides por uma série de fatores: aumento da temperatura local, agentes químicos destruindo células, edema e ação tóxica de microrganismos. A epididimite pode evoluir e deixar o macho infértil ou subfértil. 

Transmissão

-Não se aplica

Manifestações clínicas

- Dor

- Edema

- Lambedura excessiva da região testicular

- Corrimento prepucial

- Excitação

- Gemidos

- Disúria

- Pirexia

Diagnóstico

- Exame clínico com inspeção e palpação da testicular região associado ao histórico do animal

- Punção e análise do conteúdo

- Citologia

- Cultura e antibiograma

- Hemograma

- Brucella canis (teste)

- Ultrassonografia

Observação: A realização e a definição da necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a).

Tratamento

A terapia indicada vai depender do grau de acometimento e do agente causador, porém sempre há recomendação de antibioticoterapia preventiva, mesmo que não exista evidência de contaminação bacteriana. O uso de analgésicos e anti-inflamatórios potentes é necessário e a escolha dos fármacos é realizada após avaliação sistêmica e aptidão do paciente para determinadas medicações. Na presença de agente infeccioso específico, é necessário tratamento direcionado, como no caso da brucelose canina ou em outras infecções bacterianas ou virais.

Nos casos onde o trauma provocou feridas no local, é preciso avaliar a viabilidade dos testículos e do epidídimo. Caso a lesão seja muito extensa, é recomendada a castração (orquiectomia) e, dependendo do caso, ablação escrotal (retirada também da pele do escroto). Para os ferimentos clinicamente tratáveis, a parte medicamentosa segue os critérios gerais de antibiótico, analgésico e anti-inflamatório, acrescentando-se o manejo de ferida com produto tópico. Por se tratar de uma região extremamente sensível, os cuidados nessa região podem ser de difícil execução, sendo mais recomendado o manejo hospitalar até uma melhora que possibilite o tratamento tópico em casa. A escolha do produto também pode variar, mas agentes como iodo devem ser evitados, pois causam mais irritação. Normalmente, a recomendação de limpeza é com solução fisiológica e aplicação de pomada cicatrizante. A proteção da região é fundamental, pois a mesma está em contato frequente com o solo ou chão. Utilizar colar elizabetano também é uma recomendação importante, para evitar que o animal se auto-mutile ou lamba a região, retardando ou impedindo a cicatrização da ferida.

Compressa fria auxilia no controle da dor e do edema, embora também ocorra certa resistência do animal. Utilizar compressas geladas, sem contato do gelo diretamente com a pele, por aproximadamente cinco minutos e de três a quatro vezes ao dia alivia consideravelmente o quadro de desconforto.

Prevenção

Evitar que os machos tenham acesso livre à rua ou separar animais que brigam é o ideal para evitar traumas na região e, consequentemente, a epididimite. Porém, a castração (orquiectomia) é o único método preventivo 100% eficiente. 

Referências Bibliográficas

Foster, R.A. Common lesions in the male reproductive tract of cats and dogs. Veterinary Clinics of North America: Small Animal Practice, v. 42, n. 3, p. 527- 545, 2012.

Nelson, R.W., Couto, C,G. Medicina interna de pequenos animais. 2015. 5ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. 1468p.

Recomendamos levar o seu pet a um médico veterinário para um diagnóstico preciso