Tudo sobre: Erliquiose

Introdução

As erliquioses são doenças infecciosas transmitidas por carrapatos, sendo provocadas por bactérias do gênero Ehrlichia. A erliquiose é considerada como a afecção parasitária mais transmitida por carrapatos aos cães de todas as raças, sexo e idade.

Estas podem ser classificadas em diferentes enfermidades dependendo do tipo de doença que causam e quais espécies animais afetam, sendo estas: erliquiose monocítica (monocitrópica) canina, erliquiose monocítica felina e erliquiose granulocítica (granulocitrópica) canina.

Erliquiose monocítica canina:

É a mais descrita e difundida, sendo uma importante infecção em cães, cuja transmissão é realizada por carrapatos principalmente os da espécie Rhipicephalus sanguineus. Este encontra-se bastante disseminado pelo ambiente rural e urbano devido às condições climáticas brasileiras e à grande população de cães errantes (de rua) no território.

O carrapato é infectado pela bactéria Ehrlichia canis a qual é responsável por uma doença multissistêmica complexa, parasitando monócitos (células sanguíneas de defesa) e desenvolvendo-se em diferentes fases: aguda, subclínica e crônica.

A apresentação clínica da doença depende da fase em que se apresenta, sendo que na fase aguda os sinais são inespecíficos e a gravidade depende da resposta individual; na subclínica, os sinais são mais brandos, podendo até mesmo não serem observados; na crônica, os sinais agudos da doença reaparecem de forma branda ou grave, podendo ser letal. A trombocitopenia (diminuição na quantidade de plaquetas) é o achado mais comum nas três fases.

A doença afeta diversos sistemas por alterações imunológicas e inflamatórias, causa destruição de células sanguíneas como hemácias e plaquetas, além do comprometimento de diversos órgãos.

Na fase crônica, os cães podem desenvolver supressão da medula óssea (importante órgão na produção de células do sangue), gerando grave imunossupressão.

Apesar dos seres humanos não adquirirem a doença no contato com o cão infectado, os carrapatos são possíveis transmissores, sendo um problema de saúde pública (a transmissão de E. canis para pessoas é bastante rara, porém já foi descrita na literatura).

Erliquiose monocítica felina:

Seu desenvolvimento em gatos ainda é pouco conhecido, mas já foi descrito a presença de bactérias do gênero Ehrlichia provocando doença clínica em gatos. Atualmente não se sabe como os gatos são expostos à Ehrlichia monocitrópica, como contraem a doença e como ela se desenvolve no animal, contudo acredita-se que seja semelhante à infecção por E. canis nos cães.

Erliquiose granulocítica canina:

Causada pela bactéria E. ewingii, parasita células sanguíneas, mais especificamente, neutrófilos e eosinófilos, e ainda não foi descrita no Brasil. É transmitida por carrapatos e seu desenvolvimento nos cães é desconhecido, porém estudos sugerem que seja parecido com outras espécies de Ehrlichia. A sintomatologia tende a ser mais branda do que nos casos de infecções provocadas por E. canis.

A bactéria é inoculada no animal através da picada de carrapato durante o repasto sanguíneo. O carrapato deve permanecer fixado no animal por determinado tempo (geralmente horas) para que o agente ocasione infecção.

Uma forma mais incomum de transmissão da enfermidade é por meio de transfusão sanguínea de um cão infectado para outro sadio.

Observação: uma pesquisa recente detectou DNA da E. canis no mosquito do gênero Culex sp e, apesar de ser necessária a realização de mais pesquisas, serve como alerta para a possibilidade deste mosquito atuar no ciclo das erliquioses.

Transmissão

- Picada de artrópode (carrapato) 

- Transfusão sanguínea

Manifestações clínicas

Erliquiose monocítica canina:
- Apatia
- Anorexia
- Fraqueza
- Pirexia
- Mucosas pálidas
- Hemorragias
- Emagrecimento
- Linfadenopatia
- Esplenomegalia
- Uveíte
- Melena
- Êmese
- Sinais neurológicos

Erliquiose monocítica felina:
- Anorexia
- Pirexia
- Apatia
- Letargia
- Emagrecimento
- Dor nas articulações
- Mucosas pálidas

Erliquiose granulocítica canina:
- Pirexia
- Letargia
- Anorexia
- Apatia
- Dor nas articulações
- Êmese
- Diarreia
- Sinais neurológicos

Diagnóstico

A realização de anamnese e exame clínico são de extrema importância para o diagnóstico. Como exames complementares o(a) médico(a) veterinário(a) pode solicitar:
- Hemograma completo
- Exames bioquímicos
- Urinálise
- Pesquisa de hematozoários (para observação do agente em células sanguíneas)
- Testes sorológicos (como ELISA e imunofluorescência direta)
- PCR
- Aspiração de medula óssea

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a).

Tratamento

Vários medicamentos podem ser utilizados e devem ser indicados pelo(a) médico(a) veterinário(a) responsável como tetraciclina, doxiciclina (droga de eleição), minociclina, oxitetraciclina, dipropionato de imidocarb e cloranfenicol. Além disso, a terapia suporte deve ser estabelecida conforme orientação veterinária.

Prevenção

É importante realizar controle de carrapatos tanto nos pets quanto no meio ambiente em que vivem, pois a eliminação deste artrópode evita a proliferação da doença. Ao encontrar estes parasitos nos animais, removê-los e manipulá-los com cuidado. É indicada também a utilização de coleiras carrapaticidas, com duração de acordo com o fabricante. 

Animais doadores de sangue devem ser testados sorologicamente de forma que os positivos para erliquiose não sejam utilizados.

Referências Bibliográficas

FIGUEIREDO, M.R. Babesiose e erliquiose caninas. Monografia de pós-graduação. Qualittas, Rio de Janeiro, 2011.

JERICÓ, M.M. et al. Tratado de medicina interna de cães e gatos. 2 v. 1ed. São Paulo: Roca, 2015, 2464 p.

LEMOS, M. et al. Erliquiose canina: Uma abordagem geral. Centro Universitário de Mineiros, Unifimes, Eixo I, Ciências Biológicas e Saúde, 2017.

NELSON, R.W.; COUTO, C.G. Medicina Interna de Pequenos Animais. 5 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2015.

SILVA, I.P.M. Erliquiose Canina – Revisão de Literatura. Revista Científica de Medicina Veterinária. Ano XIII, n. 24, 2015.

SILVA, M. V. M.; FERNANDES, R. A.; NOGUEIRA, J. L.; AMBRÓSIO, C. E. Erliquiose canina: revisão de literatura. Arq. Ciênc. Vet. Zool. UNIPAR, Umuarama, v. 14, n. 2, p. 139-143, jul./dez. 2011.

Recomendamos levar o seu pet a um médico veterinário para um diagnóstico preciso