Tudo sobre: Erupções Medicamentosas Cutâneas

Introdução

Diversos medicamentos podem gerar efeitos adversos, dentre eles, um dos mais importantes são as dermatopatias. Estas são mais comumente observadas em humanos e nos animais de companhia por muito tempo foram consideradas raras, porém hoje se pode afirmar que as reações cutâneas causada por medicamentos não são incomuns e talvez o diagnóstico seja prejudicado por clinicamente se parecerem com dermatoses causadas por outros agentes. Também denominadas farmacodermias ou toxidermias, as erosões cutâneas causadas por medicamentos podem ser focais ou difusas, surgem como áreas avermelhadas que podem progredir para elevações na pele (pápulas eritematosas), urticária, angioedema e até culminar com anafilaxia e levar à morte. 

Essas erupções podem ter causas imunológicas e não imunológicas. Os mecanismos imunológicos podem ser os mais inesperados possíveis, pois dependem de fatores individuais, ou seja, não se pode prever como cada organismo reagirá com determinado medicamento e o que desencadeará a reação alergênica. Em relação aos fatores não imunológicos, o medicamento pode interagir com outros, pode ocorrer incompatibilidade da dosagem, problemas com o metabolismo da droga pelo paciente ou a substância tóxica pode ser cumulativa, causando a farmacodermia.

Essas erupções podem ser geradas por medicamentos de uso oral, parenteral e tópico, sendo as últimas também denominadas dermatites de contato

Embora possa ser diagnosticada nas mais variadas espécies, em cães e gatos as farmacodermias representam cerca de 2% de frequência acometendo animais de ambos os sexos e em qualquer faixa etária. Como existe uma infinidade de fármacos relacionados a essas dermatoses, a indicação de raças mais predispostas é dificultada, porém há maior frequência de relatos de reações vacinais, que cursam com alopecia, em raças de cães de pequeno porte e de pelo longo. As sulfonamidas parecem causar maiores reações em Schnauzer Miniatura e Dobermanns.

Nenhuma classe de medicamentos está livre de causar as erupções cutâneas, mas há aquelas descritas como mais frequentes, como as sulfonamidas, os antibióticos, os barbitúricos e as vacinas em geral. 

As farmacodermias estão também relacionadas a outras manifestações de fundo imunológico como o pênfigo foliáceo, o lúpus eritematoso e a vasculites e podem apresentar complicações levando à necrose.

Transmissão

-Não se aplica

Manifestações clínicas

Sinais dermatológicos e/ou sistêmicos inespecíficos (isolados ou em conjunto)

-Alopecia

-Urticária

-Angioedema

-Anafilaxia

-Dermatite esfoliativa

-Eritrodermia

-Erupção maculopapular

-Eritema multiforme

-Necrólise epidérmica

-Foliculite perfurante

-Erupção eczematoespongiótica 

-Prurido

-Paniculite

-Trauma autoinfligido

-Anemia hemolítica imunomediada

-Coagulação intravascular disseminada (CID)

-Glomerulonefrite

-Poliartrite

-Febre

-Inapetência.

Diagnóstico

Associação de sinais clínicos, epidemiologia e exames laboratoriais.

Identificação na anamnese de possíveis medicamentos utilizados.

Exames que o médico veterinário pode solicitar:

-Biopsia 

-Histopatológico

-Hemograma

-Perfil renal

-Perfil hepático

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a).

Tratamento

A identificação e suspensão do uso do possível medicamento causador é o ponto chave para um tratamento eficiente. Pode ser necessário uso de imunossupressores para reduzir os efeitos alérgicos.

Prevenção

Não há como saber se e quando um animal irá apresentar alergia a medicamentos, o que reforça a importância de nunca utilizar medicamentos sem orientação médico veterinária. Caso o tutor note qualquer alteração após a administração de medicamentos prescritos, deve entrar em contato o mais rápido possível com o médico veterinário responsável.

Referências Bibliográficas

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TRAPP, S.M. et al. Farmacodermia Associada a Reações Sistêmicas em um Cão Pinscher Miniatura Medicado com a Associação de Trimetoprim e Sulfadiazina. Arq. Ciênc. Vet. Zool., v. 8, n. 1, p.79-85, jan./jun. 2005.

MORAILLON, R.; LEGEAY, Y.; BOUSSARIE, D.; SÉNÉCAT, O. Manual Elsevier de Veterinária. Diagnóstico e tratamento de cães, gatos e animais exóticos. Editora Elsevier Masson, 7 ed., p. 1308-1309, Rio de Janeiro, 2013.

CONCEIÇÃO, L.G.; LOURES, F.H. Sistema Tegumentar. Em: Patologia Veterinária/ Renato de Lima Santos e Antônio Carlos Alessi. Ed. Guanabara Koogan, 2 ed., p. 761-762, Rio de Janeiro, 2016.

GUIMARÃES, C.D.O. et al. Farmacodermia em cão da raça Dálmata: Relato de caso. PubVet, v. 12, n. 3, a 46, p. 1-5, mar., 2018.

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