Tudo sobre: Estase Láctea

Introdução

A estase láctea ou retenção láctea é uma condição na qual a fêmea lactante não consegue esvaziar completamente as mamas, mantendo o leite retido por um tempo prolongado. Isso faz com que haja ingurgitamento e edema na glândula mamária e provoca na paciente desconforto e dor. Além disso, pode predispor o surgimento de outras doenças mamárias, como mastite, abscessos e neoplasias mamárias.

As causas da estase láctea não são muito bem determinadas e podem ser multifatoriais. Sugere-se uma predisposição em casos de falha no rodízio dos filhotes na hora da amamentação, amamentação ineficiente por inabilidade dos filhotes, perda de ninhada, dificuldade de ejeção láctea, distúrbios de prolactina que favorece o aparecimento de quadros recorrentes de pseudociese (pseudogestação) e galactorreia, obstrução dos ductos e teto malformado ou com ferimento.

Transmissão

-Não se aplica

Manifestações clínicas

Sinais inespecíficos (isolados ou em conjunto):

  • Pirexia
  • Dor à palpação
  • Hiperplasia mamária
  • Ingurgitamento glandular (endurecimento ou “leite empedrado”)
  • Edema
  • Gemidos
  • Relutância ao amamentar
  • Anorexia
  • Letargia

Diagnóstico

Associação de sinais clínicos, epidemiologia e exames complementares.

Exames que o(a) médico(a) veterinário(a) pode solicitar:

  • Hemograma completo
  • Ultrassonografia
  • Biópsia

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a). 

Tratamento

A necessidade de tratamento e o protocolo terapêutico serão estabelecidos após a avaliação criteriosa do(a) clínico(a). Caso seja um quadro simples e a paciente esteja somente com as mamas ingurgitadas pode ser feito o esvaziamento manual através da ordenha, que deverá ser cuidadosa e orientada pelo(a) médico(a) veterinário(a). Porém, se houver relutância do animal para a manobra, presença de dor, inchaço ou febre, o(a) médico(a) veterinário(a) pode prescrever analgésicos, anti-inflamatórios ou até antibióticos caso já tenha evoluído para um quadro de mastite bacteriana secundária à contaminação. 

Nos animais com pseudociese o tratamento varia de acordo com a apresentação do quadro clínico. Alguns casos são autolimitantes e a produção de leite cessa sozinha quando a concentração de prolactina circulante diminui. Nos quadros em que a produção láctea é muito alta, é possível utilizar inibidores de prolactina. Durante o tratamento, o(a) tutor(a) deve evitar drenar as glândulas mamárias e impedir que o animal as estimule por lambedura, pois o estímulo mecânico pode provocar o aumento da secreção da prolactina, anulando o efeito do medicamento escolhido.
É importante diagnosticar a causa primária que estimula as glândulas mamárias para tratá-la e não somente suspender a produção de leite. Em casos de hipotireoidismo, a reposição hormonal pode ser necessária. Quando há envolvimento de neoplasias mamárias ou hormonais, a terapêutica é estabelecida de acordo com as particularidades do quadro e do indivíduo.

O uso de bombas para tirar leite humano não são recomendadas, uma vez que podem lesionar as glândulas mamárias. Além disso, quando há processo inflamatório ou contaminação bacteriana, a amamentação deve ser suspensa e retornar após o tratamento adequado, caso seja possível.

Prevenção

Para a profilaxia, o(a) tutor(a) de uma fêmea recém-parida deve prezar pela amamentação precoce e frequente, tanto para benefício dos filhotes, quanto para benefício da mãe. As mamadas devem ser acompanhadas para garantir que todos os filhotes estejam se alimentando da maneira correta - fazendo rodízio e na quantidade suficiente.

É importante avaliar sempre que possível a condição das mamas, se estão sendo esvaziadas adequadamente, se há presença de inchaço, aumento de temperatura, vermelhidão ou dor. Qualquer alteração no comportamento da mãe deve ser um sinal de alerta e o(a) tutor(a) deve procurar atendimento médico veterinário. Jamais medique seu pet por conta própria, principalmente com medicamentos de uso humano (inclusive pomadas), pois muitos são potencialmente tóxicos tanto para cães quanto para gatos, além disso, podem ser extremamente prejudiciais a mãe e a ninhada.

Para animais com casos recorrentes de pseudociese e galactorreia, que predispõem o surgimento de quadros de estase láctea e suas complicações, a recomendação é a castração preventiva. 

A castração preventiva em animais não destinados à reprodução é uma excelente forma de prevenção de diversas doenças, pois interrompe o ciclo hormonal que influencia na produção de prolactina pela adenohipófise. Além disso, a castração traz inúmeros benefícios ao animal, porque inibe alguns comportamentos sexuais que os estimulam a fugir em busca de parceiros, brigar com outros animais pelo territórios, previne diversas doenças (tanto em machos como em fêmeas), e auxilia no controle populacional, evitando que mais cães e gatos sejam abandonados à própria sorte nas ruas. 

Referências Bibliográficas

MARTINS, L. R.; LOPES, M. D. Pseudociese canina. Rev Bras Reprod Anim, Belo Horizonte, v.29, n.3/4, p.137-141, jul./dez. 2005.

MENEZES, P. L Tumores mamários em cães - estudo retrospectivo. TCC (Graduação) em Medicina Veterinária da Universidade Federal da Paraíba. Areia, 2015.

SOARES, N. P. Estudos das neoplasias mamárias de cadelas em Uberlândia e imunomarcação para ciclooxigenase 2. Dissertação (Mestrado) em Ciências Veterinárias da Universidade Federal de Uberlândia. Uberlândia, 2015.

Recomendamos levar o seu pet a um médico veterinário para um diagnóstico preciso