Tudo sobre: Fibrilação e Flutter Atriais

Introdução

O coração dos mamíferos é dividido em quatro cavidades – dois átrios (direito e esquerdo) e dois ventrículos (direito e esquerdo). Os átrios localizam-se acima dos ventrículos e são separados destes pelas válvulas cardíacas. Eles são responsáveis por receber o sangue dos pulmões e do restante do organismo. 

A fibrilação atrial é uma das arritmias mais comuns em cães e caracteriza-se pela contração desorganizada e independente dos átrios devido aos inúmeros impulsos elétricos incoordenados. A presença de inflamação, fibrose ou estiramento da parede do átrio podem influenciar nessa atividade elétrica. As arritmias são distúrbios da frequência, da regularidade, do sítio de origem e/ ou da condução da ativação elétrica do coração, de ocorrência muito comum em humanos e em algumas espécies de animais domésticos.

É considerada uma arritmia grave, porque promove a irregularidade e, muitas vezes, a rapidez da taxa de resposta ventricular. O pouco tempo de enchimento ventricular compromete o volume sistólico. Há perda da contração atrial principalmente quando a frequência cardíaca está elevada. E tudo isso culmina na redução do débito cardíaco (volume total de sangue bombeado pelo coração por minuto).

Pode ocorrer em animais saudáveis, quando é chamada de Fibrilação Atrial Isolada ou Idiopática, ou em associação a outras doenças cardíacas. A fibrilação atrial isolada é raramente diagnosticada e assintomática. As cardiopatias mais relatadas como predisponentes são: cardiomiopatia dilatada, valvulopatia atrioventricular degenerativa crônica, endocardiose de válvula mitral, malformações congênitas e, em gatos, as cardiomiopatias hipertróficas ou restritivas.

Há relatos mais comuns desta enfermidade em cães de porte grande ou gigante do que em cães de raças pequenas. Além disso alguns estudos demonstraram prevalência maior dessa enfermidade em animais de raças puras, adultos maduros e idosos e machos. 

O Flutter atrial é um outro tipo de arritmia instável que pode evoluir para a fibrilação atrial. Caracteriza-se por contrações atriais rápidas e regulares. 

Transmissão

-Não se aplica

Manifestações clínicas

Sinais inespecíficos (isolados ou em conjunto):

- Taquicardia

- Arritmia

- Dispneia

- Cianose

- Ascite

- Desmaio

- Fraqueza

- Opistótono

- Letargia

- Intolerância ao exercício

- Tosse

Diagnóstico

Associação de sinais clínicos, epidemiologia e exames laboratoriais.

Exames que o médico veterinário pode solicitar:

- Radriografia

- Ecocardiografia

- Hemograma Completo

- ALT – TGP

- AST – TGO

- Ureia

- Creatinina

- Gama GT

- Fosfatase Alcalina (F.A.)

- Sódio

- Potássio

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a). 

Tratamento

O maior objetivo do tratamento é amenizar ou suprimir os sinais clínicos da insuficiência cardíaca, melhorando o débito cardíaco e a qualidade de vida do paciente. O clínico avaliará as condições do paciente e a partir disso estabelecer o protocolo de tratamento. Em casos agudos, terapias endovenosas podem ser recomendadas. Entre as classes de medicamentos estão os antiarrítmicos, betabloqueadores, diuréticos, digitálicos e até mesmo anestésicos locais.

Prevenção

Não há alguma medida direta que previna o aparecimento da fibrilação ou flutter atrial. Em todo caso, é importante que o tutor esteja atento às mudanças de comportamento repentinas: alterações na respiração, no estado de alerta do animal, possível intolerância ao exercício, entre outras, e encaminhar o animal o mais rápido possível ao(à) médico(a) veterinário(a) para avaliação. Além disso, é importante levar o animal para para check up semestral ou anualmente de acordo com a orientação veterinária.

Após o diagnóstico, deve seguir as recomendações de manejo e permanecer administrando os medicamentos durante todo o período prescrito. É importante que o tutor nunca suspenda qualquer medicação sem a indicação do(a) clínico(a).

Referências Bibliográficas

ALMEIDA, G. L. G. et al. Perfil Clínico-Epidemiológico da Fibrilação Atrial Espontânea em Cães. Revista da SOCERJ, Vol 19 No 1, p. 20-28, Jan/Fev 2006

CAVALCANTI, G. A.O. et al. Fibrilação atrial em cão associada ao quimiodectoma infiltrativo atrial: relato de caso. Arq. Bras. Med. Vet. Zootec., v.58, n.6, p.1043-1047, 2006

MEIRELLES, L. S. Fibrilação atrial em cães. TCC (Graduação) – Curso de Medicina Veterinária, Faculdade de Veterinária, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2013.

MILLER, M.S. et al. Electrocardiography. In: FOX, F.R.; SISSON, D.; MOÏSE, S.N. Textbook of Canine and Feline Cardiology.Principles and Clinical Practice. 2nded. Philadelphia: W.B. Saunders; 1999:67-105.

SOARES, F. A. C. et al. Flutter atrial e taquicardia ventricular em cão com síndrome dilatação e vólvulo gástrico. Acta Scientiae Veterinariae. 39(4): 1005, 2011.

Recomendamos levar o seu pet a um médico veterinário para um diagnóstico preciso