Tudo sobre: Fibrilação ventricular

Introdução

A fibrilação ventricular é um dos tipos mais graves de arritmia cardíaca, sendo considerada uma condição emergencial extrema, pois provoca perda de consciência em poucos segundos e morte em seguida, caso não seja realizada uma intervenção rápida.

Caracteriza-se por uma série de contrações descoordenadas, ineficazes e muito rápidas do músculo cardíaco dos ventrículos (câmaras inferiores do coração) causada por inúmeros impulsos elétricos. 

O coração dos mamíferos é dividido em quatro cavidades – dois átrios (direito e esquerdo) e dois ventrículos (direito e esquerdo). Os ventrículos localizam-se abaixo dos átrios e são separados destes pelas válvulas cardíacas. Eles são responsáveis por bombear o sangue para os pulmões e para o restante do organismo.

Nesta condição, os ventrículos vibram em vez de se contraírem de forma coordenada e por este motivo o coração interrompe o fluxo de sangue para o corpo, suspendendo também o aporte de oxigênio carregado pelas células do sangue para todos os tecido o organismo. Dessa forma, o cérebro deixa de receber oxigênio sofrendo lesões teciduais irreversíveis, culminando na ausência de atividade cerebral e óbito do paciente.

Sendo assim, a fibrilação ventricular está associada muitas vezes aos quadros de parada cardiorespiratória, evento terminal de muitas doenças e politraumatismos. O risco de ocorrência da fibrilação ventricular como consequência de uma doença de base aumenta quando há alterações metabólicas graves, acidose, hipoxemia ou isquemia.Em humanos, a maioria dos pacientes com fibrilação ventricular apresenta uma cardiomiopatia subjacente, seja ela isquêmica, hipertrófica ou dilatada. Outras causas incluem choque, afogamento, choque elétrico, uso indevido de medicamentos que afetam as correntes elétricas cardíacas e insuficiência cardíaca.

A parada cardíaca acontece quando o paciente perde subitamente a consciência, torna-se extremamente pálido, para de respirar (não é possível observar os movimentos respiratórios do tórax ou a saída de ar pelo nariz) e não apresenta pulso, pressão arterial ou batimentos cardíacos detectáveis. A fibrilação ventricular só é diagnosticada como causa da parada cardíaca após a realização do eletrocardiograma.

Transmissão

- Não se aplica

Manifestações clínicas

Sinais inespecíficos (isolados ou em conjunto):

  • Desmaio
  • Arreflexia
  • Convulsão
  • Coma

Diagnóstico

Associação de sinais clínicos, epidemiologia e exames laboratoriais.

Exames que o(a) médico(a) veterinário(a) pode solicitar:

  • Eletrocardiografia

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a).

Tratamento

A fibrilação ventricular deve ser tratada com extrema urgência para que o paciente tenha chance de sobreviver. A reanimação cardiopulmonar deve ser iniciada o mais rápido possível seguida da desfibrilação e medicamentos antiarrítmicos para estabilizar o ritmo cardíaco.

Prevenção

Não há uma medida de prevenção direta e eficaz para impedir um quadro de fibrilação ventricular. No entanto, como pode estar associada a casos de cardiomiopatia e outras doenças cardíacas, é importante que o(a) tutor(a) fique atento às mudanças de comportamento do animal e aparecimento de sinais clínicos para encaminhamento ao(À) médico veterinário(a) para investigação e tratamento quando necessário, principalmente em animais adultos e idosos.

Para aumentar a sobrevida do animal, o(a) tutor(a) deve procurar atendimento médico o mais rápido possível em casos de desmaios ou síncopes repentinas, convulsões, acidentes domésticos com ferimentos graves, queimaduras, perda de grande volume de sangue de qualquer origem (hemorragias), brigas com outros animais, atropelamentos, quedas, vômito, diarreia e desidratação intensos. 

Somente a intervenção emergencial e oportuna é capaz de melhorar a sobrevida do paciente.

Referências Bibliográficas

MITCHELL, L. B. Fibrilação ventricular. Manual MSD - Versão Saúde para a Família. Merck Sharp & Dohme Corp., subsidiária da Merck & Co., Inc., Kenilworth, NJ, EUA. 2017. Disponível em: <https://www.msdmanuals.com/pt-br/casa/dist%C3%BArbios-do-cora%C3%A7%C3%A3o-e-dos-vasos-sangu%C3%ADneos/arritmias-card%C3%ADacas/fibrila%C3%A7%C3%A3o-ventricular#>

MITCHELL, L. B. Fibrilação ventricular. Manual MSD - Versão Saúde para Profissionais da Saúde. Merck Sharp & Dohme Corp., subsidiária da Merck & Co., Inc., Kenilworth, NJ, EUA. 2017. Disponível em: <https://www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/doen%C3%A7as-cardiovasculares/arritmias-e-doen%C3%A7as-de-condu%C3%A7%C3%A3o/fibrila%C3%A7%C3%A3o-ventricular-fv>

ROSSI, C. N. et al. Ressuscitação cardiorespiratória em cães e gatos – revisão. Revista Portuguesa de Ciências Veterinárias (2007) 102 (563-564) 197-205.

SOARES, F. A. C. et al. Flutter atrial e taquicardia ventricular em cão com síndrome dilatação e vólvulo gástrico. Acta Scientiae Veterinariae. 39(4): 1005, 2011.

Recomendamos levar o seu pet a um médico veterinário para um diagnóstico preciso
Conheça o Serviço Veterinário em Domicílio - Agendar Agora