Tudo sobre: Galactorreia

Introdução

A galactorreia se caracteriza pela produção de leite fora do período de lactação. Está geralmente associada a distúrbios hormonais que promovem a secreção de prolactina e consequente estímulo das glândulas mamárias para a produção de leite. A prolactina é um neuropeptídeo produzido pelas células lactotróficas da adenohipófise e sua secreção é estimulada pela supressão de dopamina hipotalâmica. 

É mais frequente em fêmeas da espécie canina, quando comparada à espécie felina e está principalmente relacionada aos casos de pseudociese. A pseudociese é uma síndrome que acomete cadelas não gestantes que mimetizam (imitam) os sinais clínicos e comportamentos de uma gestação e parto. E neste caso há aumento de peso, desenvolvimento das glândulas mamárias, produção de leite, organização de ninho, adoção de objetos inanimados como pelúcias ou outros animais e alterações semelhantes ao trabalho de parto.

No entanto, há relatos de galactorreia em machos devido ao hiperestrogenismo (excesso de hormônio feminino) causado por tumores testiculares, como sertoliomas ou criptorquidismo (ausência de um ou ambos os testículos no saco escrotal, permanecendo na cavidade abdominal). Não há predisposição entre faixas etárias, raças ou entre portes físicos.

Essa condição pode estar relacionada também à presença de tumores hipofisários que desregulam a função desta glândula, ao hipotireoidismo e ao uso de medicamentos que bloqueiam os receptores de dopamina ou histamina, diminuam o estoque de dopamina, inibam a liberação de dopamina ou estimulem os lactóforos (canais de leite).

Transmissão

-Não se aplica

Manifestações clínicas

Sinais inespecíficos (isolados ou em conjunto):

- Hiperplasia mamária

- Produção de leite

Diagnóstico

Associação de sinais clínicos, epidemiologia e exames laboratoriais.

Exames que o(a) médico(a) veterinário(a) pode solicitar:

- Ultrassonografia

- Dosagem de Relaxina (Diagnóstico Sorológico de Gestação)

- Estradiol (Quimiluminescência e/ou Radioimunoensaio)

- FSH

- LH

- Prolactina

- Progesterona

- Testosterona

- 17 Hidroxiprogesterona (Basal e Pós estímulo com ACTH)

- T3 Total (Quimiluminescência e/ ou Radioimunoensaio)

- T4 Livre (Quimiluminescência e/ ou Radioimunoensaio)

- T4 Livre Pós Diálise (Radioimunoensaio)

- T4 Total (Quimiluminescência e/ou Radioimunoensaio)

- T4 Total Pós Levotiroxina (Quimiluminescência e/ou(Radioimunoensaio)

- TSH (Radioimunoensaio) 

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a). 

Tratamento

A necessidade de tratamento e o protocolo terapêutico serão estabelecidos após a avaliação criteriosa do(a) clínico(a). Alguns casos de pseudociese são autolimitantes e a produção de leite para sozinha quando a concentração de prolactina circulante diminui. Nos quadros em que a produção láctea é muito alta, é possível utilizar inibidores de prolactina. Durante o tratamento o(a) tutor(a) deve evitar drenar as glândulas mamárias ou que o animal as estimule por lambedura, pois o estímulo mecânico pode provocar o aumento da secreção da prolactina, anulando o efeito do medicamento escolhido.

Em todos os casos, é importante diagnosticar a causa primária que estimula as glândulas mamárias para tratá-la e não somente suspender a produção de leite. Em casos de hipotireoidismo, a reposição hormonal pode ser necessária. Quando há envolvimento de tumores hipofisários, a terapêutica será estabelecida de acordo com as particularidades do quadro e do indivíduo, e nas demais situações de disfunção dos órgãos reprodutores o tratamento definitivo é a ovariosalpingohisterectomia em fêmeas ou a orquiectomia em machos, também conhecidos como castração.

Prevenção

A castração preventiva em animais não destinados à reprodução é uma excelente forma de prevenção dos casos de galactorreia tanto em fêmeas quanto em machos, pois interrompe o ciclo hormonal que influencia na produção de prolactina pela adenohipófise. 

Além disso, a castração traz inúmeros benefícios ao animal, porque inibe alguns comportamentos sexuais que os estimulam a fugir em busca de parceiros, brigar com outros animais pelo territórios, e auxilia no controle populacional, evitando que mais cães e gatos sejam abandonados à própria sorte nas ruas.

Um mito muito propagado que impede os(as) tutores(as) de realizarem a castração preventiva em seus animais é a crença na necessidade da cruza para plena satisfação e felicidade do cão ou gato. No entanto, essa ideia é completamente equivocada, pois a saúde mental e física dos animais não depende do contato sexual. Portanto, exceto para animais cuja finalidade seja a reprodução (canis e criadores de raças registrados), a castração é a melhor opção.

Referências Bibliográficas

MARTINS, L. R.; LOPES, M. D. Pseudociese canina. Rev Bras Reprod Anim, Belo Horizonte, v.29, n.3/4, p.137-141, jul./dez. 2005.

RIAL, A.F. et al. Relato de caso: Hiperestrogenismo em cão decorrente de sertolioma. PUBVET, Londrina, V. 4, N. 31, Ed. 136, Art. 922, 2010.

Recomendamos levar o seu pet a um médico veterinário para um diagnóstico preciso