Tudo sobre: Gestação ectópica

Introdução

Uma gestação ectópica é quando o embrião ou feto se desenvolve fora do útero, podendo ser chamada também de gestação extrauterina. Na verdade, considerando as gatas e cadelas, não há um desenvolvimento verdadeiro e, logo que o embrião ou feto sai do útero, acabam morrendo. Isso acontece porque todo o processo para que o embrião implante no útero não ocorre, dessa maneira não chega suprimento sanguíneo para o feto. 

Os principais locais de gestação ectópica são a tuba uterina e a cavidade abdominal. Essa afecção pode acontecer como consequência de uma ruptura uterina, fazendo com que a estrutura do feto e as membranas fetais caiam na cavidade abdominal e fiquem aderidas aos órgãos. Outra forma de gestação ectópica é quando não ocorre a passagem correta do embrião ou oócito fertilizado das tubas para a cavidade uterina. 

Se ocorrer a morte fetal ou embrionária sem contaminação, esta estrutura vai sofrer um processo de desidratação, formando uma “múmia”, que nada mais é do que o feto envolto por membranas ressecadas. Neste caso, a cadela pode passar anos com o feto mumificado na cavidade abdominal sem apresentar problemas. Porém, se houver contaminação, um processo infeccioso grave pode se instalar. 

Existem raros relatos de gestação ectópica com presença de feto viável em cadelas e gatas e, inevitavelmente, ocorrerá morte fetal em algum momento, pois trata-se de uma gestação inviável que não irá a termo.

Transmissão

-Não se aplica

Manifestações clínicas

- Assintomático

- Aumento de volume abdominal

- Dor abdominal

- Apatia

- Anorexia

- Emagrecimento

Diagnóstico

- Exame físico associado ao histórico

- Ultrassonografia abdominal

- Radiografia abdominal

Observação: A realização e a definição da necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a).

Tratamento

Mesmo que a fêmea não apresente sinais clínicos no momento do diagnóstico, a remoção cirúrgica do feto é o mais indicado. Nas gestações tubáricas (na tuba uterina), normalmente ocorre reabsorção e não comprometimento local nem sistêmico, passando muitas vezes despercebida. 

É necessária laparotomia exploratória (abertura cirúrgica da cavidade abdominal) para localizar a estrutura e removê-la, liberando as aderências. Em casos onde há ruptura uterina, é preciso avaliar se o órgão está viável e realizar sutura ou a castração. 

Na presença de infecção, o tratamento deve ser baseado em uma avaliação sistêmica para incluir antibióticos corretos e procedimentos terapêuticos mais adequados como castração e lavagem cirúrgica da cavidade abdominal.

Prevenção

A causa da gestação ectópica é desconhecida, por isso a melhor maneira de evitá-la é por meio da castração. Em casos que a fêmea já está gestante, é preciso evitar traumas que possam levar à ruptura do útero.

Referências Bibliográficas

Alves, F.S. Mumificação fetal extrauterina em uma cadela - relato de caso. Clínica Veterinária. v.96, p.88-94. 2012.

Nascimento, E.F. e Santos R.L. Patologia da Reprodução dos Animais Domésticos. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1997. 105p.

Toniollo, G.H. e Vicente, W.R.R. Patologias da gestação. In: Manual de obstetrícia veterinária. 2.ed. São Paulo: Livraria Varela, 2003. p.43-64

Recomendamos levar o seu pet a um médico veterinário para um diagnóstico preciso