Tudo sobre: Hemofilia B

Introdução

A hemofilia é uma doença congênita e hereditária que afeta principalmente cães machos e jovens sendo causada por distúrbios nos fatores de coagulação. Os quadros hemorrágicos geralmente ocorrem após pequenos traumas ou até mesmo espontaneamente, sem nenhum estímulo direto. Existem vários fatores de coagulação que desempenham funções distintas na cascata de coagulação, e cada doença está ligada a um fator específico. 

A hemofilia é classificada em: hemofilia A ou clássica, que consiste em uma deficiência na função ou produção do fator VIII (oito), e a hemofilia B, também chamada de “Doença de Christmas”, causada por uma deficiência funcional ou absoluta do fator IX (nove), ambos os fatores são proteínas que desempenham grande importância na cascata de coagulação.

A hemofilia B já foi descrita em diversas raças de cães e gatos incluindo os sem raça definida e é clinicamente indistinguível da hemofilia A. O fator IX é um importante participante do mecanismo de coagulação e a deficiência dessa proteína pode levar a uma desordem hemorrágica severa. Essa deficiência é transmitida como um traço recessivo que está ligado ao sexo, porém é um defeito genético muito menos comum. A deficiência deste fator resulta na lenta ativação dos demais fatores, má ativação do plug plaquetário e sua desintegração.

Transmissão

- Hereditária 

Manifestações clínicas

  • Sangramentos gengivais excessivos na troca de dentes
  • Sangramentos no cordão umbilical
  • Hematomas subcutâneos
  • Sangramento excessivo associado a traumas ou procedimentos cirúrgicos
  • Hemartrose
  • Claudicação intermitente
  • Sangramento nasal
  • Sangramento pelo trato urogenital ou gastrointestinal

Diagnóstico

Associação entre anamnese e exames físico e complementares. O(a) médico(a) veterinário(a) pode solicitar/ realizar os seguintes exames complementares:

  • Hemograma
  • Teste de hemostasia primária
  • Teste de hemostasia secundária
  • Dosagem específica dos fatores de coagulação
  • Teste do tempo de sangramento de mucosa bucal
  • Teste do tempo de coagulação

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a). 

Tratamento

O tratamento dos pacientes portadores de hemofilia B é o mesmo indicado para os animais que portam a forma clássica da doença, ou seja, do tipo A. O tratamento dos episódios hemorrágicos é feito com base em transfusão de sangue total fresco ou plasma fresco. O crioprecipitado não deve ser utilizado, pois não contém fator IX. Para o controle da hemorragia podem ser necessárias várias transfusões sanguíneas.

Pequenos procedimentos cirúrgicos podem ser realizados com segurança se for adotado um cuidado adicional para garantir a hemostasia local, como esponjas hemostáticas ou eletrocautério.

Prevenção

Recomenda-se retirar os animais positivos para a hemofilia B da reprodução para que não haja transmissão para os filhotes.

Referências Bibliográficas

DALMOLIN, M. L. Distúrbios da hemostasia em cães e gatos. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2010.

DALMOLIN, M. L. et al. Hemofilia A em um cão Dachshund - relato de caso. Revista Brasileira de Ciência Veterinária, v. 20, n. 3, p. 127-131, 2013.

MAURISSENS, G. Hemofilia canina do tipo A congênita - uma revisão de literatura. Universidade Federal de Santa Catarina, 2018.

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