Tudo sobre: Hérnia de Hiato

Introdução

O esôfago apresenta uma abertura fisiológica chamada de hiato esofágico. A hérnia de hiato é a patologia que caracteriza a passagem anormal da porção abdominal do esôfago e/ ou parte do estômago por essa abertura, fazendo com que essa(s) estrutura(s) fiquem na cavidade torácica. Essa afecção pode ser de origem traumática ou congênita, sendo a segunda mais comumente observada na rotina clínica.

A hérnia de hiato pode acometer animais de todas as raças, sexo e idade. Apesar disso, sabe-se que cães machos das raças Sharpei e Buldogue Inglês apresentam maior predisposição. Uma vez que tal afecção de origem congênita é a forma mais comum de manifestação, o diagnóstico é feito com menos de um ano de vida do animal. Porém, animais que não apresentem sintomas podem ser diagnosticados tardiamente, uma vez que os sinais clínicos podem surgir em qualquer fase da vida, tanto na origem congênita quanto na traumática.

Tal patologia apresenta quatro formas de classificação, sendo elas: Tipo I - conhecida como deslizante, axial ou esofágica, caracteriza-se pelo deslocamento do esôfago, da junção do esôfago com o estômago e parte do estômago, pelo hiato esofágico, sendo a manifestação mais comum em pequenos animais; Tipo II - para-esofágica ou hiatais rolantes, descrita apenas em cães, ocorre quando uma porção do estômago migra para a cavidade torácica, mas a junção do estômago com o esôfago permanece em sua posição normal; Tipo III - classificada como mista, pode apresentar as características do tipo I e do tipo II; Tipo IV - considerada uma hérnia de hiato complicada, apresenta deslocamento do estômago e/ ou outras vísceras abdominais pelo hiato esofágico.

Transmissão

-Não se aplica

Manifestações clínicas

O animal acometido pode ser assintomático e desenvolver os sintomas em qualquer fase da vida.

-Regurgitação

-Refluxo

-Disfagia

-Anorexia

-Hiporexia

-Dispneia

-Perda de peso

-Dor

-Apatia

-Sialorreia

-Hematemese

-Descarga nasal

Diagnóstico

Associação de sinais clínicos, exame físico, anamnese e exames laboratoriais.

Exames que o médico veterinário pode solicitar:

-Radiografia torácica e abdominal

-Radiografia contrastada (esofagograma)

-Tomografia computadorizada

-Endoscopia de esôfago

-Hemograma

Observação: Diagnósticos diferenciais como neoplasias, corpo estranho, megaesôfago, entre outras patologias esofágicas devem ser considerados

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do Médico Veterinário.

Tratamento

A primeira medida a ser tomada envolve o tratamento do deslocamento de modo cirúrgico, uma vez que as estruturas devem ser realocadas para seus espaços anatômicos normais. Para isso, o Médico Veterinário deverá avaliar os exames radiográficos, a classificação da hérnia de hiato e a condição do animal para determinar o melhor procedimento a ser adotado. Durante o procedimento cirúrgico pode ser feita a redução do tamanho do hiato esofágico e/ ou a fixação do estômago a uma das paredes abdominais, chamada gastropexia, para evitar recidivas. A fixação do esôfago, chamada esofagopexia, também pode ser considerada.

Posteriormente ao tratamento cirúrgico, deve-se tratar a esofagite (inflamação do esôfago) decorrente dos constantes refluxos e da presença das estruturas deslocadas no esôfago. 

Os fármacos recomendados envolvem anti-inflamatórios, antibióticos, analgésicos e protetores gástricos. Além disso, a alimentação fornecida ao animal deverá ser de pastosa a líquida, por tempo determinado pelo Médico Veterinário.

Prevenção

Não existem medidas preventivas específicas para a hérnia esofágica. 

Em casos congênitos, observar quaisquer alterações no animal, como as citadas anteriormente nos sinais clínicos, é de extrema importância para um diagnóstico precoce, principalmente nas raças predispostas.

Referências Bibliográficas

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FOSSUM, T. W. Cirurgia de Pequenos Animais. Elsevier, 4ª edição, 2014.

GAIGA, L. H.; PIGATTO, J. A. T.; BRUN, M. V. Megaesôfago e hérnia de hiato esofágico associados ao tétano em um cão: relato de caso. Revista da FZVA, v. 13, n. 2, p. 145-152, Uruguaiana, 2006.

KEELEY, B.; PUGGIONI, A.; PRATSCHKE, K. Congenital oesophageal hiatal hernia in a pug. Irish Veterinary Journal, v. 61, n. 6, p. 389, 2008.

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