Tudo sobre: Hidropisia dos envoltórios fetais

Introdução

As hidropisias são alterações congênitas, ou seja, acontecem antes dos fetos virem à termo. São caracterizadas pelo acúmulo excessivo e patológico de líquido em determinados locais como membranas fetais ou até mesmo no organismo dos fetos. A hidropsia dos envoltórios fetais são chamadas de “hidroâmnio” quando afeta a cavidade amniótica e “hidroalantoide” quando afeta a cavidade alantóide. O alantóide é responsável pelo acúmulo de líquidos fetais, principalmente urina. O âmnio, mais interno, é responsável por envolver completamente o feto, também acumula urina fetal e, mais ao final da gestação, guarda conteúdos como saliva e descamação fetal. 

O hidroâmnio e o hidroalantoide podem ocorrer em associação ou apenas um dos dois, sendo o último mais comum. A hidropisia dos envoltórios é mais relatada em cadelas do que em gatas, mas tem baixa frequência nestas fêmeas no geral. Lembrando que no caso das cadelas e gatas que possuem mais de um feto, o problema irá acometer todos eles. 

A presença desse excesso de líquido nas membranas fetais pode causar problemas durante a gestação ou no momento do parto. Durante a gestação, estes envoltórios acumulam e trocam os conteúdos, promovendo uma renovação dos líquidos fetais. Na fase final da gestação, onde há maior produção de líquidos fetais, é que os problemas começam a ocorrer. Normalmente, a ocorrência de hidropisias está relacionada a má-formações fetais, alterações renais e hepáticas dos fetos, torção ou compressão do cordão umbilical e funcionamento inadequado da placenta.

A sobrecarga de líquidos pode afetar o desenvolvimento dos fetos e prejudicar a mãe, causando distúrbios relacionados à maior pressão abdominal e distensão uterina, podendo gerar sinais brandos ou até mesmo graves, como ruptura do útero. Normalmente o parto pode se tornar problemático e precisa ser acompanhado de perto e a chance de uma gestação viável depende do momento em que a afecção ocorre: quanto mais precoce é o acúmulo anormal de líquido, maiores são as complicações; hidropisias mais ao final da gestação podem levar a quadros brandos. 

Transmissão

-Não se aplica

Manifestações clínicas

- Aumento anormal do volume abdominal na fêmea gestante, principalmente no terço final

- Desconforto abdominal

- Taquicardia

- Letargia

- Anorexia

- Poliúria

- Desidratação

- Emagrecimento
- Distocia (quando a fêmea não consegue parir)

Diagnóstico

- Exame clínico associado ao histórico da fêmea

- Ultrassonografia abdominal (visualização nos envoltórios e dos fetos)

- Radiografia abdominal (menos sensivel) 

Observação: A realização e a definição da necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a).

Tratamento

Uma vez diagnosticada a hidropisia dos envoltórios fetais, é necessário realizar um acompanhamento criterioso da fêmea gestante, pois o tratamento durante a gestação pode ser inviável. A punção abdominal para remoção de líquido é um procedimento mais realizado em grandes animais e, ainda assim, arriscado. A punção equivocada em um momento tão sensível do desenvolvimento fetal e da gestação pode levar à morte fetal. Se for opção realizar a drenagem do líquido pelo abdômen, a mesma deve ser feita guiada por ultrassonografia. A principal dificuldade desta técnica nas fêmeas domésticas é o fato de todos os fetos apresentarem o problema, sendo necessária mais de uma punção abdominal com a fêmea sem qualquer sedação ou tranquilização. 

A gestação deve ser acompanhada para corrigir quaisquer alterações metabólicas que a mãe apresentar e, no momento do parto, a recomendação é de cesariana. Ainda que a fêmea entre em trabalho de parto, as chances de que o útero contraia de maneira eficiente para expulsar todos os fetos são pequenas e a tentativa pode levar à exaustão da fêmea, morte fetal e problemas graves como ruptura uterina. 

Prevenção

Remover da reprodução fêmeas que já tenham tido o problema.

Referências Bibliográficas

Jackson, P.G.G. Obstetrícia Veterinária. 2006. 2ed. São Paulo: Roca. 328p. 

Wykes, P.M. e Olson, P.N. Parto normal e anormal. In: Slatter, D . Manual de cirurgia de pequenos animais. 2007. 3ed. São Paulo: Manole. v.2, cap.100, p.1510 -1517.

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