Tudo sobre: Hiperfosfatemia

Introdução

A hiperfosfatemia é um distúrbio metabólico que acontece quando as concentrações séricas (no plasma sanguíneo) de fósforo estão elevadas e superiores aos valores de referência. Essa concentração é geralmente alta e fisiológica em cães e gatos com idade inferior a seis meses e conforme eles crescem, esses valores diminuem até se estabilizarem no intervalo normal, o que acontece por volta de um ano. Acredita-se que o motivo desta alteração seja o crescimento ósseo e o aumento na reabsorção tubular (nos rins) de fósforo mediada pelo hormônio do crescimento.

Além desse caso, a hiperfosfatemia pode ser resultante do aumento na absorção de fósforo pelo intestino (hipervitaminose D, intoxicação por jasmin, ingestão alimentar em excesso, lesões ósseas osteolíticas - neoplasias), pela redução na excreção de fósforo pela urina (insuficiência renal aguda ou crônica, hipoparatireoidismo, hipertireoidismo, hiperadrenocorticismo, acromegalia), pelo deslocamento do mesmo do meio intracelular para o meio extracelular (acidose metabólica, síndrome da lise celular tumoral, trauma tecidual ou rabdomiólise, hemólise) ou por causas iatrogênicas (administração endovenosa de fósforo, enemas contendo fosfatos, uso de diuréticos - furosemida e hidroclorotiazida).

Em cães e gatos, a causa mais comum de hiperfosfatemia é a reduzida excreção renal de fósforo secundária a um quadro de insuficiência renal. Ou seja, geralmente, a hiperfosfatemia funciona como um marcador de doença subjacente, pois por si só não provoca qualquer sinal clínico. 

O aumento súbito no fósforo sérico pode causar hipocalcemia resultando em sinais neuromusculares, quando este aumento se sustenta por um período longo pode culminar em hiperparatireoidismo secundário, osteodistrofia fibrosa e ainda mineralização em locais extra ósseos (tecidos moles).

Transmissão

-Não se aplica

Manifestações clínicas

-Assintomático

Sinais inespecíficos (isolados ou em conjunto):

- Letargia

- Apatia

- Anorexia

- Êmese

- Halitose

- Diarreia

- Desidratação

- Dor

- Inapetência

- Oligúria

- Anúria

Diagnóstico

Associação de sinais clínicos, epidemiologia e exames laboratoriais.

Exames que o(a) médico(a) veterinário(a) pode solicitar:

-Fósforo

-Cálcio

-Cálcio iônico

- Hemograma completo

-Urinálise Simples

-Ureia

-Creatinofosfoquinase (CPK)

-Albumina

-ALT - TGP

-AST - TGO

-Fosfatase alcalina (F.A)

-Ácido úrico (uratos)

-Proteínas totais + frações

-Magnésio

-Potássio

-Paratormônio - PTH

-Radiografia 

-Ultrassonografia abdominal

-Histopatológico Ósseo

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a).

Tratamento

A hiperfosfatemia é geralmente contornada com a correção da doença subjacente. Nos casos de insuficiência renal aguda, em que aparece mais comumente, é importante é eliminar as causas conhecidas da lesão renal e dar suporte ao organismo para a recuperação dos distúrbios eletrolíticos provocados pela síndrome urêmica. Nesses pacientes, a hiperfosfatemia pode ser inicialmente reduzida por meio de uma fluidoterapia agressiva. Além disso, dietas com baixa concentração de fósforo e administração oral de quelantes de fósforos também podem ser úteis no tratamento.

Prevenção

Não há uma prevenção específica que impeça o desenvolvimento da hiperfosfatemia, uma vez que sua origem normalmente está vinculada à presença de outra doença. No entanto, é responsabilidade do(a) tutor(a) estar consciente em relação aos cuidados básicos para o bem-estar e saúde de seus animais. A princípio com o fornecimento de uma alimentação equilibrada, balanceada e de boa qualidade para que não haja excessos ou faltas para o animal. Além disso, é importante incentivar o animal a tomar água frequentemente, colocando bebedouros com água limpa e fresca nos ambientes em que ele mais fica. 

Em segundo lugar, manter sempre as consultas veterinárias, vacinas e vermífugos em dia. O acompanhamento periódico com o(a) médico(a) veterinário(a) garante que seu animal esteja amparado e facilita o diagnóstico precoce caso haja alguma enfermidade.

Jamais medicar o animal por conta própria, principalmente com medicamentos de uso humano, pois muitos são potencialmente tóxicos tanto para cães quanto para gatos. Evitar expor os animais a situações extremas (muito frio ou muito calor) ou a produtos químicos (limpeza, automotivos, venenos, entre outros).

E por último, ao observar qualquer mudança de comportamento ou aparecimento de sinais clínicos, o(a) tutor(a) deve procurar atendimento médico o mais rápido possível. 

Referências Bibliográficas

DUARTE, M. M. et al. Hiperfosfatemia na insuficiência renal aguda: Relato de caso. v.10, n.7, p.533-536, Jul. 2016

NELSON, R. W. et al. Desequilíbrios metabólicos. In: NELSON, R. W.; COUTO, C. G. Medicina Interna de Pequenos Animais. 4. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010. cap. 55, p. 866-884.

RUFATO, F. H. F. et al. Insuficiência renal em cães e gatos. Interdisciplinar: Revista Eletrônica da Univar n. 6 p. 167 – 173, 2011.

Recomendamos levar o seu pet a um médico veterinário para um diagnóstico preciso