Tudo sobre: Hiperosmolaridade

Introdução

A hiperosmolaridade é definida como a alta concentração de partículas de soluto por litro de solução. Qualquer motivo que leve à perda de água (exclusivamente) consequentemente acarreta um aumento na concentração de solutos.

A hiperosmolaridade aumenta a secreção de Hormônio Antidiurético (ADH) e estimula o centro da sede, provocando aumento no consumo de água. Pode ocorre um deslocamento da água de acordo com a concentração de solutos do espaço intracelular para o extracelular, levando à desidratação neuronal, encolhimento e morte celular e enfraquecimento dos vasos predispondo à hemorragia. Além disso, a redução do volume sanguíneo provoca o aumento da produção e secreção de ADH.

Um animal saudável tem uma osmolaridade plasmática em torno de 300 mOsm/L, sendo os principais componentes determinantes o sódio e a glicose, mas quando a osmolaridade encontra-se acima de 320 mOsm/L, o animal apresenta-se em um quadro de hiperosmolaridade.

Várias são as possíveis causas de hiperosmolaridade: hipernatremia, hiperglicemia, azotemia grave, intoxicação por etilenoglicol, envenenamento, enemas de fosfato de sódio em cães de pequeno porte e gatos, manitol, solução de contraste radiográfico, intoxicação por etanol, intoxicação por ácido acetilsalicílico, choque, acidose láctica, pacientes com cetoacidose, nutrição enteral líquida e soluções de nutrição parenteral que levam a um aumento de solutos. A desidratação também faz parte das causas de hiperosmolaridade, provocando uma diminuição de volume do líquido extracelular, e a desidratação pode ocorrer devido a uma perda gastrintestinal, perda cutânea ou baixo consumo de água. 

A hiperosmolaridade acomete tanto cães como gatos. Não há relação com sexo, idade e raça. 

Transmissão

-Não se aplica

Manifestações clínicas

- Assintomático 

- Anorexia

- Letargia 

- Êmese 

- Ataxia

- Convulsões 

- Coma

- Polidipsia seguida por hipodipsia 

- Fraqueza

- Desorientação 

- Desidratação

- Taquicardia 

- Hipotensão

- Pirexia

Diagnóstico

Associação entre história clínica, exames físico e complementares. 

Exames que o(a) Médico(a) Veterinário(a) pode solicitar/ realizar:

- Hemograma completo

- Dosagem de sódio

- Dosagem de potassio

- Dosagem de cloreto

- Glicemia

- Ureia

- Creatinina

- Proteína total + frações

- Hemogasometria

- Urinálise 

- Ultrassonografia abdominal

- Radiografia torácica

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a). 

Tratamento

Para casos de hiperosmolaridade leve, sem manifestação clínica, recomenda-se apenas o tratamento da causa principal. Para casos moderados a grave recomenda-se hospitalização e realização de fluidoterapia adequada, além do tratamento para a alteração primária. 

Em quadros de convulsões pode-se utilizar medicamentos anticonvulsivantes.

Prevenção

-Não se aplica

Referências Bibliográficas

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GOUVEIA, Paola Blanck. Abordagem das síndromes hiper e hipoglicemiantes em cães: revisão de literatura. 2018.

NELSON, Richard; COUTO, C. Guillermo. Medicina interna de pequenos animais. Elsevier Brasil, 2015.

NETA, Jamile H. et al. Considerações fisiológicas na fluidoterapia de cães e gatos. Arquivo de Ciências Veterinárias Zoologia. UNIPAR, Umuarama, v.8, n.1, p.63-70, jan./jun. 2005 

SANTALUCIA, S. et al. Fisiologia dos líquidos corporais em cães e gatos. Revista da FZVA. Uruguaiana, V.19, n.1, p.61-78. 2013 

TILLEY, Larry P.; JUNIOR, F. W. K. S. Consulta Veterinária em cinco minutos: Espécies canina e felina. Ed. Manole, ed. 5, p. 656-657.

Recomendamos levar o seu pet a um médico veterinário para um diagnóstico preciso