Tudo sobre: Hipertireoidismo

Introdução

O hipertireoidismo, também denominado tireotoxicose, é uma doença endócrina comumente diagnosticada em gatos e menos comum em cães. Constitui no aumento da concentração dos hormônios tireoidianos (T3 e T4) na circulação. Esses hormônios são reguladores das diversas atividades metabólicas do organismo. Não se sabe ao certo qual a origem da patologia, mas acredita-se que fatores genéticos, nutricionais e ambientais possam estar envolvidos. Os fatores nutricionais incluem rações com quantidade insuficiente de iodo, utilização de soja como fonte protéica e pesquisas demonstraram que o bisfenol, encontrado em latas tipo pop-top (abre fácil) podem ter envolvimento com o aumento dos níveis de hormônios da tireóide. Em cães, muitos relatos estão associados a neoplasias tireoidianas ou hipofisárias (hipertireoidismo secundário), que produzem ou estimulam a produção dos hormônios da tireoide. 

De início insidioso, a evolução da doença promove emagrecimento progressivo, aumento da demanda por oxigênio, aumento de calor, além de reflexos importantes no sistema cardiovascular. Mais comum em fêmeas do que em machos, é uma doença de animais de meia idade a idosos e não tem predisposição racial para sua ocorrência. Animais hipertireoideos podem apresentar apetite normal a aumentado e, mesmo comendo em demasia, apresentam perda de peso. O aumento dos hormônios tireoideanos circulantes também promove alterações comportamentais que incluem hiperatividade e irritabilidade, além de maior suscetibilidade ao estresse. As alterações cardíacas podem ser diretas, aumentando o metabolismo das células cardíacas, e indiretas, pois com maior demanda de energia nos diversos órgãos, o débito cardíaco aumenta, forçando maior trabalho por parte do coração. Como resultado desse esforço, com frequência se observa hipertrofia esquerda e remodelamento cardíaco, que afetam a função do coração. Gatos podem apresentar taquicardia e mesmo que essa anormalidade cardíaca possa ter outras origens, deve-se considerar o hipertireoidismo em gatos de mais idade como uma das principais suspeitas. 

Transmissão

-Não se aplica

Manifestações clínicas

Sem sintomatologia

Sinais inespecíficos (isolados ou em conjunto)

-Perda de peso

-Aumento do apetite

-Vômito

-Diarreia

-Aumento do volume das fezes

-Poliúria

-Polidipsia

-Polifagia

-Onicogrifose

-Alopecia

-Flexão ventral do pescoço

-Aumento da temperatura corporal

-Hiperatividade

-Agressividade

-Hipertensão 

-Retinopatias associadas à hipertensão

-Arritmias

-Taquicardia

-Taquipneia

-Dificuldade respiratória

-Aumento de volume da tireoide

Diagnóstico

-Dosagem de T4 (tetraiodotironina)

-Hemograma

-Perfil hepático

-Perfil renal

-Ultrassonografia da tireoide

-Cintilografia

-Biopsia 

-Histopatológico 

-Eletrocardiograma e ecocardiograma (detecção de alterações cardíacas)

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a).

Tratamento

O tratamento pode ser medicamentoso ou cirúrgico, sendo este aplicado em casos de neoplasias. O principal medicamento utilizado é um anti-tireoidiano que pode ser administrado por toda a vida e que pode ser suspenso a critério médico. Há também um tratamento com iodo-radioativo, indicado por médicos veterinários como ideal para gatos, porém exige autorização especial para a manipulação do material e o gato deve ficar internado por uma semana com impossibilidade de visitação. Já a cirurgia para retirada da tireoide é irreversível e o animal terá que repor os hormônios tireoidianos por toda a vida. Em alguns países há um tratamento dietético (ração terapêutica), ainda não disponível no Brasil.

Como o hipertireoidismo gera distúrbios em diversos sistemas, deve-se tratar distúrbios concomitantes em outros órgãos acometidos.

Prevenção

Como não se sabe ao certo qual a origem exata do hipertiroidismo, mas se especula ter relação com a alimentação, ambiente e fatores genéticos, o assessoramento do médico veterinário é fundamental, além disso, animais de meia idade a idosos devem realizar consultas periódicas para detecção precoce de doenças da senilidade.

Referências Bibliográficas

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Recomendamos levar o seu pet a um médico veterinário para um diagnóstico preciso